indústria gráfica

Rótulos, etiquetas e revistas de tudo saem destas máquinas

Augusto Monteiro (à esquerda) e o filho Paulo Monteiro
Augusto Monteiro (à esquerda) e o filho Paulo Monteiro

A Grafopel acabou de celebrar meio século de existência, mas nem por isso está pronta para se aposentar. A empresa familiar de equipamento gráfico, instalada em Matosinhos, nunca teve tanto trabalho a fornecer as máquinas que produzem rótulos, embalagens e etiquetas e, cada vez mais, exporta assistência técnica das melhores marcas para países africanos ou do Médio Oriente.

Representantes de cerca de 20 das mais importantes marcas internacionais de equipamentos gráficos, a Grafopel lidera o mercado português com uma quota de 60%, fornecendo os equipamentos que produzem, por exemplo, as etiquetas da Zara, as embalagens Happy Meal da MacDonald’s e as do café Delta, os packs de iogurtes da Danone e os rótulos de várias marcas de vinho do Porto, os livros do Harry Potter e os folhetos do Continente, entre muitas outras impressões bem conhecidas dos consumidores.

“A impressão digital afetou algumas áreas de negócio, mas não representa mais do 3% a 5% em todo o Mundo. Se reparar, não param de aumentar anualmente as necessidades para embalagens, etiquetas e rotulagem. Só as edições de jornais e revistas diminuíram; os livros estabilizaram. O folheto e o catálogo também baixaram com a crise, mas em 2014 já começaram a recuperar”, resumiu Paulo Monteiro, CEO da Grafopel e filho mais novo do fundador.

É a Augusto Monteiro, de 87 anos, presidente do Conselho de Administração e fundador da Grafopel, nos idos de 1964, que se deve a resiliência da empresa onde, desde 2010, trabalham os quatro filhos: o mais velho, José Monteiro (56 anos), responsável pela área comercial; o filho de 55 anos, Rui Monteiro, como diretor financeiro; a única filha, Graça Monteiro, responsável pela filial de Lisboa; e o mais novo, de 50 anos, como CEO. O patriarca ainda vai todos os dias à empresa e faz questão de se manter ativo.

“Depois do «25 de abril» vi-me sozinho na empresa, que tinha outros quatro sócios inicialmente. Foi complicado e antecedeu uma década inteira em que não houve investimento na empresa. De repente, entre 1985 e 1992, surge um «boom» nas vendas a clientes nacionais e, a partir de 2004, começámos a procurar mercados externos”, recorda o fundador, que levou os filhos a trabalhar na empresa desde “cedo, para começarem de baixo e conhecerem todos os departamentos”. Algo que, hoje, entre os netos, já será “impensável, porque têm outra forma de estar”.

A sucessão familiar poderia ser um problema, como em tantas empresas da mesma idade. Mas, na Grafopel, onde os quatro irmãos e o pai e a mãe fazem parte da sociedade desde 1995, foi adotado um “protocolo familiar” – documento que define claramente os direitos e deveres de cada elemento, de forma a prevenir abusos ou discussões. “Os irmãos cresceram juntos, na mesma casa, têm outra facilidade para resolver os problemas. Já os primos não têm essa experiência e quanto mais o tempo passa, maior o distanciamento, por isso é melhor ter tudo assinado neste contrato familiar”, explicou Augusto Monteiro.

Os negócios da empresa, hoje com 50 funcionários e uma faturação anual a rondar os 10 milhões de euros, só tiveram a ganhar com a entrada dos sucessores. “Graças à procura de mercados externos, temos representações exclusivas em mercados como Cabo Verde, Guiné Bissau, S. Tomée Príncipe, Angola e Moçambique, negócios que já representam 45% da faturação”, explica o CEO Paulo Monteiro.

Entretanto, a marca alemã mais reconhecida do mundo dos equipamentos gráficos, a Heidelberg, começou a requisitar os serviços da empresa portuguesa para prestar assistência em locais “onde os alemães não querem ir“, como África ou Médio Oriente, na prática exportando serviços. Dessa experiência, cada vez mais proveitosa para todas as partes envolvidas, nasceu também outra vertente de negócio em crescimento: o recondicionamento de máquinas para venda em segunda mão. “Índia, China e Tailândia têm sido o destino destas máquinas”, revelou Augusto Monteiro.

Em ano de crise no país, a Grafopel investiu num novo armazém de 1200 metros quadrados, contratou pessoal para o setor técnico e, no final de novembro, celebrou os 50 anos com pompa e circunstância, numa festa no Casino de Espinho para 400 pessoas.

“Vieram representantes de 160 empresas, a maioria das quais estrangeiras, o que é motivo de orgulho e sinónimo dos laços fortes que cultivamos nas marcas representadas. Não é qualquer uma que consegue interromper o dia-a-dia desses gestores para virem a uma festa assim”, congratulou-se Augusto Monteiro. Afinal, também não é todos os dias que uma empresa familiar faz 50 anos.

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