Sair do armário. Patrão da BP escondeu que era homossexual e conta como foi

Lord Browne
Lord Browne

Quando John Browne era responsável pela BP, se alguém lhe tivesse dito que um dia convidaria um jornalista para sua casa e discutiriam a sua sexualidade responderia que estavam loucos. A sua homossexualidade era a última coisa de que esperava falar em público; afinal, era algo de que nunca falara nem mesmo em privado. O antigo CEO passou meio século no armário, com tanto medo de deixar escapar o seu segredo que nunca falava sobre si mesmo, confinando os temas de conversa a "notícias, política e negócios. Era do que se falava".

Porém, desde que um tabloide de domingo revelou o seu segredo, há
sete anos, a sua vida transformou-se com uma série de surpresas
inimagináveis. A revelação mais importante foi a de que o mundo
era muito menos homofóbico do que temia. Agora, escreveu um livro
sobre a homossexualidade no mundo empresarial e a revelação para
os leitores será, pelo contrário, quanto o mundo ainda é
homofóbico.

The Glass Closet (O Armário de Vidro) conta a história dos 38
anos de carreira e vida dupla de Browne, começando quando entrou
para a BP, em 1969, e terminando com o simples telefonema do Mail on
Sunday, em janeiro de 2007, informando-o de que ia publicar uma
indiscrição de um antigo prostituto canadiano, Jeff Chevalier. Fora
o único namorado de Browne. Tinham-se conhecido em 2003 num site de
acompanhantes gay e estiveram juntos durante três anos. Em público,
Browne era um heterossexual solteiro.

Em pânico, pediu uma medida inibitória, mas contou aos seus
advogados uma mentira fatal, que ele e Chevalier se tinham conhecido
a fazer jogging no parque de Battersea. Submetida ao tribunal, a
declaração podia constituir perjúrio. Browne retratou-se
rapidamente da mentira, mas era tarde. A medida foi anulada, a
história publicada e Browne demitiu-se. De repente, seis meses antes
do seu 60.o aniversário e pela primeira vez na sua vida adulta, já
não era o Senhor BP mas sim um homossexual do conhecimento público.
A razão para escrever The Glass Closet é simples: “Não queria
que mais ninguém passasse pelo que passei.”

Esta motivação de poupar os outros é comum entre as vítimas de
injustiça, que se tornam ativistas, mas é praticamente a única
coisa que Browne tem em comum com elas. Vive num palacete na Cheyne
Row, em Chelsea, onde um mordomo me conduz através de quartos que
poderiam ser confundidos com uma galeria de arte e de um pátio até
uma biblioteca privada construída para guardar a sua coleção de
livros antigos. Um Bentley com motorista aguarda para o levar à
inauguração de uma exposição de Matisse, depois da entrevista (é
administrador da galeria Tate). Browne está meticulosamente
arranjado, é cortês e tão perfeitamente formal que fico com a
impressão de que nem saberia ser normal. Para ele, ativista seria
uma etiqueta implausível, algo com que concorda imediatamente.

“Nunca me vi como um ativista gay. Isso é um título grandioso.
Há pessoas que fizeram coisas extraordinárias, como Peter Tatchell.
Não estou ao mesmo nível deles.”

Quando Browne fala dos medos que ainda mantêm os homens e
mulheres de negócios no armário, torna-se um defensor poderoso,
aplicando a mesma lógica que outrora usou em fusões e mercados.
Contudo, ao falar do seu mundo emocional, parece alguém que tenta
aprender uma língua estrangeira. Não que sinta relutância em falar
dos seus sentimentos, mas após uma vida de autocensura é como se
não tivesse ideia de como o fazer.

Browne percebeu que era gay quando saiu do colégio interno, mas
não contou a ninguém. A sua mãe, uma judia húngara sobrevivente
de Auschwitz, transmitiu ao filho um medo pertinaz de que ser
diferente era um convite à perseguição. “Interiorizei isso para
pensar que ser gay era errado, porque se fosse apanhado podia ser
muito perigoso.” Estudou Física em Cambridge, mas não desfrutou
de nenhuma das experiências sociais ou românticas que a maioria dos
estudantes dão por garantidas, e foi diretamente da universidade
para um emprego na BP. O seu primeiro posto de trabalho foi nas
extensões inóspitas do Círculo Ártico, onde o machismo brutal da
indústria petrolífera se tornou para ele extremamente claro.

Na mente de Browne não havia escolha. Tinha de manter a sua
sexualidade secreta ou a sua carreira acabaria. “Tens de te
misturar, ser como o camaleão, para que ninguém se aperceba da tua
vida privada. Mas na vida profissional podes dar nas vistas. As
pessoas dizem que as minorias têm de sobressair e acho que o fiz.”
Muito de vez em quando escapulia-se até um bar gay – era excitante
e aterrorizador – mas o estatuto de figura pública confundia-se com
a BP. “Era como se tivesse duas vidas e isso era excitante.”

Começou a ver-se como um espião – “tipo James Bond” – e
tornou–se viciado no risco. “Dizia a mim mesmo que assim adquiria
capacidades que me eram úteis noutras situações da minha vida.”
A hipervigilância e um autodomínio de aço tornavam-no um homem de
negócios melhor. “Provavelmente estava só a tentar
justificar-me.” Hoje parece uma loucura? “Totalmente. Mas na
altura parecia muito sensato.”

Na verdade, não me parece que fosse completamente fantasioso.
Poucas vezes conheci alguém que mostrasse tão pouco de si próprio
(detestaria jogar póquer com ele) e deve ter sido um pesadelo
negociar contra ele. Porém, o isolamento psicológico que o tornou
tão inescrutável pode explicar a razão de, por vezes, poder ser
espantosamente obtuso. Senão, como explicar que pensasse poder
afastar as especulações por não ter mulher vivendo com a mãe e
levando-a como sua acompanhante aos eventos da empresa? Era, diz
sorrindo, abençoadamente inconsciente de que usar a mãe como
cobertura era um cliché bem conhecido dos gays.

No início da carreira pensou que podia sair do armário quando
estivesse numa posição superior, mas quanto mais alto subia, mais
crescia o seu perfil público. Em 1995, a BP era uma empresa nacional
com dificuldades, mas o seu novo CEO lançou uma série de audaciosos
takeovers e de fusões que a tornaram a segunda maior corporação de
petróleo do planeta. Browne ficou conhecido como o Rei Sol, o homem
de negócios mais bem-sucedido e provavelmente o mais bem pago. Os
críticos acusaram-no de seguir um regime imprudente de cortes nos
custos, os cortes orçamentais foram associados à explosão de uma
refinaria no Texas, que em 2005 matou 15 trabalhadores, e ao derrame
de petróleo no golfo do México em 2010 – embora este acontecesse
quando o CEO era Tony Hayward (Browne deixou a BP em 2007). Um
derrame anterior no Alasca, em 2006, podia ter sido o fim de um líder
menos reverenciado, mas a reputação de Browne tornava-o
inexpugnável.

A sua devoção ao trabalho deixava-lhe pouco tempo para os
amigos. O pai, oficial do Exército, morrera em 1980, sendo filho
único, ficou devastado pela solidão quando a mãe morreu, em 2000.
Pela primeira vez na vida, aos 52 anos, arriscou um relacionamento
com um homem.

Para qualquer pessoa da sua geração, o que aconteceu a seguir
pode ser facilmente compreensível. Para alguém com menos de 25 anos
será difícil de compreender. Quando Browne se apaixonou por
Chevalier não anunciou o relacionamento nem o reconheceu junto dos
seus amigos mais íntimos. As palavras “sou gay” apenas lhe
atravessaram os lábios duas vezes na vida e, quando Chevalier se
mudou para a sua casa, nem com o mordomo comentou o novo arranjo
doméstico.

“Nessa altura, a vida era uma série de não declarações com
que toda a gente vivia.” Por exemplo, quando foi convidado para uma
entrevista nos Desert Island Discs, em 2006, ele e o chefe de
imprensa da BP trabalharam em conjunto durante algumas semanas sobre
o que dizer se surgisse a questão “você é gay?” sem nunca
fazerem eles próprios a pergunta ou a responderem. Chevalier
acompanhava-o a eventos sociais e conheceu Tony e Cherie Blair, Jude
Law e Sienna Miller, Elton John. “Mas isso era feito com muito
cuidado. Se eu achasse que o anfitrião faria perguntas, evitava a
situação.” Surpreendentemente, nunca ninguém o fez. “Pode
parecer bizarro”, diz Browne, “mas é curioso como as pessoas se
comportam. Se não dissermos nada, normalmente ninguém diz e nada
acontece. As pessoas tiram as suas conclusões, mas nada é claro.”

Browne achava que estava a ser cuidadoso, mas agora vê as coisas
de outra maneira. “Um amigo disse-me, “Bem, é claro que tu
estavas a provocar as pessoas a puxar por ti e, mesmo que não
tivesses consciência disso, não devias ter ficado surpreendido.”
Agora penso que aquilo que eu andava a fazer e quem eu era estava a
tornar-se insustentável.” Nunca lhe ocorreu que Chevalier pudesse
traí-lo. Depois de romperem, Browne continuou a sustentá-lo
financeiramente durante nove meses. Quando deixou de o fazer,
Chevalier exigiu mais. A ameaça implícita num e-mail – “Não
quero embaraçar-te, mas…” – devia ter sido óbvia. Contudo,
Browne não a notou, apesar de vivera toda a sua vida num estado de
alerta paranoico. “Não registei o que estava a acontecer. Não
podia acreditar que ele vendesse a nossa história.” Como pode ter
sido tão ingénuo? “Provavelmente porque nunca tinha passado por
isso. O meu nível de ingenuidade nesta área devia ser incrivelmente
alto.” Mas conhecia certamente o entusiasmo dos tabloides por este
género de indiscrições? “Sim, mas convencemo-nos sempre de que
não seremos nós.”

E contudo o medo de se expor ensombrara toda a sua vida. “Sem
dúvida. E nos negócios teria estado consciente de qualquer
possibilidade de risco. Mas na minha vida privada seguia uma
abordagem diferente, talvez pela falta de experiência com os
relacionamentos.”

Ainda estava em choque quando instruiu os advogados a pedir uma
injunção, mas não foi por isso que lhes mentiu. Há anos que
contava essa mentira quando lhe perguntavam como é que ele e
Chevalier se tinham conhecido, porque a verdade era embaraçosa. “A
desculpa era tão batida que quase se tornara real. Só dez dias
depois percebi a profunda estupidez do que fizera.”

Avisou o chairman da BP de que pretendia demitir-se imediatamente,
mas fora legalmente proibido de discutir o assunto, pelo que não
podia explicar-se nem contar a ninguém o que estava a acontecer.
Passou os quatro meses seguintes a preparar a passagem da pasta ao
seu sucessor enquanto secretamente batalhava nos tribunais para
bloquear a publicação, até que, em maio, a injunção foi
levantada. Demitiu-se logo.

Tinha de o fazer? Ninguém lho pediu – alguns incentivaram-no a
não o fazer. Poderia ter sobrevivido ao escândalo? “Não sei, mas
sabia que queria ir. Estava muito claro na minha cabeça. Eram as
duas coisas que estavam erradas: menti no documento do tribunal e as
circunstâncias iam criar furor. Não queria ficar numa situação em
que dissessem “Quando é que ele se vai embora?”” Nunca se
arrependeu. “Estou muito contente por ter aproveitado o momento
para pôr um ponto final. Estava preparado para mudar tudo.”

Sete anos mais tarde ainda se mostra perplexo com a avalanche de
cartas e e-mails de apoio que lhe chegaram, a sua primeira impressão
de que o mundo, afinal, talvez não se importasse que ele fosse gay:
“Foi incrível.” Amigos, antigos colegas, políticos, jornalistas
e até estranhos lhe deram apoio e conselhos. Recebeu “cartas
trágicas” de homens que tinham sido presos por importunarem em
Hyde Park, e celebridades como Chris Patten, Norman Foster e Lord
Puttnam escreveram-lhe uma carta de apoio que foi publicada no
Financial Times. Desde então, encontrou alguns sorrisos amarelos em
executivos, que “claramente querem evitar-me”, mas a reprovação
que lhe metia tanto medo quase nem fica registada. Um dos muitos
estranhos que lhe escreveram foi um vietnamita de 32 anos.
Encontraram-se para tomar uma bebida, apaixonaram-se e continuam
juntos. Pela primeira vez, Browne faz parte de um casal gay público.

Permanece firme como parte do establishment. Nobilitado em 2001, é
deputado independente, aconselha ministros na nomeação de não
executivos para a administração dos ministérios e elaborou a
revisão das propinas que levou à triplicação do seu valor.
(Browne recomendou abolir os limites às propinas.) Ao mesmo tempo, é
chairman da Cuadrilla, empresa de exploração de gás de xisto, e
pensa que os medos públicos sobre a fratura hidráulica são “um
pouco como assumir a homossexualidade, apenas medos, que talvez não
se materializem”.

Houve controvérsia no final do ano passado quando contradisse a
linha governamental de que a fratura hidráulica reduziria as contas
de energia do Reino Unido. E embora a Cuadrilla nunca tenha dito que
a aplicaria em Balcombe, West Sussex, o cenário dos protestos mais
ferozes, a empresa recebeu permissão no mês passado para procurar
petróleo. Ele não está de certeza a tornar–se um Peter Tatchell –
embora o simples facto de se ter assumido fizesse que se sentisse uma
pessoa completamente diferente. “A transformação foi bastante
extraordinária para mim porque tive de confrontar quem eu era e
falar sobre quem eu era. Nunca tinha feito isso – sempre falara de
mim como representante de uma empresa.”

Se nos tivéssemos conhecido antes de maio de 2007, em que aspetos
me pareceria diferente? “Bem, toda a gente diz que sorrio muito
mais. Costumava ser mais reservado, agora sinto-me descontraído ao
falar sobre qualquer assunto e feliz por falar de sexualidade.” Ele
e o namorado foram recentemente fazer canoagem nos rápidos da
Patagónia: “Foi incrível.” Gostaria de se casar, mas o seu
companheiro acha isso demasiado convencional, para já, é um
“trabalho em progresso”.

Se a história de Browne fosse única, ele não teria escrito o
livro. Mas as estatísticas indicaram-lhe que o armário corporativo
deve estar a abarrotar. As atitudes britânicas relativamente à
homossexualidade sofreram tantas mudanças nos últimos 15 anos que
em muitas profissões – política, comunicação social – a
inclusividade é dada por garantida. A história mais perturbadora
que decidiu contar é a de quão pouco o mundo corporativo mudou.

Supõe-se que apenas metade dos empregados LGBT nos Estados Unidos
sejam assumidos no trabalho, e estima-se que em Inglaterra um terço
esteja no armário. Existe apenas um CEO abertamente gay numa FTSE
100, e um na S&P americana – e são dois dos países mais
progressivos do mundo. [Em Portugal não se conhecem. Nem se fala no
assunto.] Browne é, acima de tudo, um homem de negócios e reconhece
que outras profissões mudaram, mas são os líderes industriais que
ele espera que leiam o seu livro. Ficou abalado com a cultura do medo
e do preconceito que descobriu. Os entrevistados tinham garantia de
anonimato, mas mesmo assim homens e mulheres confessaram ter medo de
falar.

Começa a perceber-se porquê quando se lê o livro. Em 2011, um
sociólogo americano respondeu a 1800 anúncios de emprego submetendo
duas candidaturas idênticas para cada um, exceto que numa mencionava
ser membro de uma organização estudantil gay. Verificou que os
candidatos gay tinham menos 40% de probabilidade de conseguir uma
entrevista. Um empreendedor da Carolina do Norte criou o maior
retalhista mundial de porcelana e de cristal, com receitas anuais de
mais de 80 milhões de libras, mas foi boicotado e maltratado por
clientes e por igrejas quando assumiu que era homossexual. Um
inquérito de 2009 perguntou aos trabalhadores não assumidos porque
não se revelavam: porque temiam ser despedidos, respondeu um em
cinco. E contudo, quando o preconceito é exposto em altas esferas,
segue-se um clamor público: no mês passado, Brendan Eich, CEO do
Mozilla Firefox, demitiu-se depois de se ter sabido que fizera
doações a movimentos políticos contra os direitos dos homossexuais
e os utilizadores terem ameaçado com um boicote.

A homofobia não é um problema apenas para os empregados
homossexuais, argumenta Browne – é um problema para as empresas. Ele
não se preocupa com apelos à moralidade ou à igualdade, antes
continuando a defender a sua convicção inabalável de que as
empresas que permitem aos empregados ser abertos e honestos são mais
rendíveis do que as que os obrigam a viver numa mentira. Browne
pensava que fazia um favor à BP mantendo-se no armário. Só depois
de se assumir percebeu a perda de energia e quanto podia ter-se
dedicado mais à BP se pudesse agir abertamente.

No livro, cita uma mulher de negócios homossexual que defende a
introdução de uma política não discriminatória. “Quero que
voltem aos vossos gabinetes”, disse aos chefes heterossexuais.
“Removam todos os vestígios da vossa família, particularmente do
vosso cônjuge. Ponham as fotografias na gaveta e tirem a aliança.
Não podem falar das vossas famílias nem de onde passam férias.
Mesmo se o vosso companheiro estiver seriamente doente não podem
reconhecer o relacionamento porque perderão o emprego. Façam isto e
vejam que produtividade têm.”

No Reino Unido e nos Estados Unidos a maioria dos líderes
concordavam. “Em geral, não são os argumentos que são
contrariados, o problema é a execução. Toda a gente diz, “É o
que está certo.” E nós dizemos, “Ótimo, vamos fazê-lo”. E
depois nada acontece.” Mais de 90% das empresas da Fortune 500 já
têm políticas antidiscriminação. “Então, temos de avançar da
política ou filosofia para a ação. As empresas podem tornar muito
mais fácil às pessoas assumirem-se e sentirem-se seguras.”

O erro clássico, afirma, é entregar a responsabilidade ao
departamento de recursos humanos. “Os gestores de RH não estão
ali para dar o exemplo, o exemplo tem de vir de cima.” Não serve
de nada dizer que a empresa é gay-friendly. Os chefes têm de fazer
discursos acerca da inclusão, tornar a diversidade um papel dos
executivos, criar grupos LGBT e gerir programas de apoio em que os
empregados heterossexuais se comprometam a apoiar os colegas que
queiram sair do armário.

A chave, defende, é tornar mais fácil aos empregados gay
assumirem-se no início das suas carreiras.

Quando as atitudes em Inglaterra começaram a mudar, nos anos 90,
Browne já vivia uma mentira há tanto tempo que o próprio engano se
tornara quase tanto um segredo como a sua sexualidade, e a perspetiva
de se assumir era impensável. “Investe-se a tal ponto na
duplicidade que depois já não se pode desinvestir. Vai-se
construindo uma camada após outra e nunca é o momento certo. Como é
que se sai disso? Tem de se dar um passo. Em caso de dúvida,
assumir-se. Mas cedo, antes de fazer todo o investimento.”

O sexo homossexual entre adultos que o consintam ainda é ilegal
em 76 países. Numa visita recente ao Médio Oriente, um conhecido de
Browne criticou duramente o seu livro. “Disse-me, “Porque
escreveste isto? Não é boa ideia, ninguém tem nada com isso e as
sociedades são maiores do que os indivíduos, e os indivíduos
deviam guardar para si quando não se conformam com a sociedade”.
Um retrato bastante clássico da sociedade do Médio Oriente.”

Browne pensa que o Uganda é provavelmente o pior lugar do mundo
para se ser homossexual, mas o Irão e a Arábia Saudita estão perto
e ele não aconselha ninguém a arriscar a vida ou a liberdade por
assumir a sua orientação sexual. “O que não se pode é expor
inadvertidamente um dos nossos empregados ao perigo, a ponto de poder
perder a vida. E as empresas não podem mudar a lei. Mas
ocasionalmente podem dar um empurrão com códigos de comportamento e
dando às pessoas um lugar seguro para serem elas mesmas.”

Se outra pessoa tivesse escrito The Glass Closet enquanto Browne
estava ao leme da BP, ter-se-ia assumido? “Provavelmente não”,
admite. “Teria dito, “Será muito útil para outros, mas a mim
não se aplica”.”

Browne parece estar a desfrutar da nova identidade de defensor dos
homossexuais nas empresas. Não se tornou membro dos glitterati gay e
não o imagino de megafone numa marcha do orgulho gay. Mas irradia
satisfação e diz que se a mãe o visse agora “levaria algum
tempo” a habituar-se à ideia de ter um filho gay, mas “ficaria
feliz”.

Sente falta de alguma coisa da vida no armário? “Absolutamente
nada.”

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