Investimento

Samsung. Fundo de investimento leva Portugal “bastante a sério”

Felix Petersen, diretor-geral da Samsung Next para o mercado europeu. Fotografia: DR
Felix Petersen, diretor-geral da Samsung Next para o mercado europeu. Fotografia: DR

Em entrevista ao DInheiro Vivo, o diretor-geral do fundo Samsung Next fala sobre as mudanças no ecossistema português de startups.

Portugal foi a porta de entrada do fundo de investimento da Samsung no mercado europeu. No início do ano, a Samsung Next foi uma das entidades que participaram na ronda de financiamento (série B) de 23 milhões de euros da Unbabel, startup nacional especialista em sistemas de tradução com recurso a inteligência artificial. Mas este fundo não quer ficar por aqui e leva mesmo Portugal “bastante a sério”.

“Somos um fundo de investimento com a ambição de cobrir todo o mercado europeu. Mesmo com escritórios em Londres e em Berlim, Portugal é um mercado importante e onde já investimos. Levamos este país bastante a sério. Apesar de ser um ecossistema relativamente pequeno tem bastante qualidade e onde há muitos investidores a caminho”, refere ao Dinheiro Vivo o diretor-geral da Samsung Next no mercado europeu, Felix Petersen.

Fundada em 2013, a Samsung Next é a unidade de investimento do grupo sul-coreano pronta para apostar em startups. “Investimos desde a ronda semente (seed) até à série B (empresas com tração e mercado). As empresas têm de ter alguma ligação às tecnologias da Samsung, que passam pelos frigoríficos, televisores aos smartphones”, lembra Felix Petersen em entrevista realizada à margem da cimeira Lisbon Investment Summit.

Para conseguir captar o interesse deste fundo de investimento, as startups têm de recorrer a tecnologias como inteligência artificial, computer vision e de software quer transformem “nos próximos dois a 10 anos” a experiência dos produtos desenvolvidos pela Samsung.

Visão de Portugal

Antes de ser chamado para a Samsung Next, Felix Petersen esteve mais de três anos no fundo de investimento português Faber Ventures. É dos estrangeiros que melhor sabe o caminho que Portugal tem feito para tentar afirmar-se no ecossistema de startups e aproximar-se de países como França, Alemanha e Reino Unido.

Nos últimos quatro anos, “o ecossistema tem crescido bem e o Governo está a fazer um bom trabalho”, reconhece o alemão. “Mas temos de ser honestos e dizer que ainda é cedo para Portugal dizer que é um grande ecossistema. O ecossistema vive em ciclos e precisamos de serial entrepreneurs“, ou seja, fazedores que criam uma startup, falham, ajudam outras pessoas a criar o seu negócio e que, na oportunidade seguinte, têm bastante sucesso.

Ainda assim, Felix Petersen orgulha-se de ter ajudado a trazer empresas alemãs para Portugal no último ano e meio, como a Daimler, Zalando e Volkswagen, “que a partir de Portugal estão a construir a transformação digital e a criar postos de trabalho bem pagos”.

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