Selza: Água com gás e álcool sem peso na barriga e sabor natural

Maia Pedro e Rui Santos aproveitaram o curso de Biotecnologia para criarem uma bebida que concorre com as cidras e as cervejas. Negócio dá lucro desde o dia um em plena pandemia.

A Selza promete agitar o mercado português das bebidas. É uma água com gás que tem 5% de álcool e que compete com as cidras e as cervejas por causa da cana de açúcar e das baixas calorias. Lima-hortelã e manga são os dois sabores disponíveis.

"A nossa fermentação vem da cana de açúcar: o álcool é muito mais leve e não há glúten, daí haver uma sensação de leveza", explicam os dois fundadores da empresa, Maia Pedro e Rui Santos.

Graças a esse processo, cada lata de 250 ml tem 75 kcal e apenas 1,5 gramas de carboidratos. Numa cidra, por exemplo, há 150 kcal e 8 gramas de carboidratos; cada cerveja, com fermentação de malte, tem cerca de 121 calorias.

Esta hard seltzer - assim se designa este tipo de bebidas - pode ser comprada em pacotes de 12 unidades a partir da internet - com entregas em 24 ou 48 horas para todo o país e Espanha - ou então pode ser entregue em casa no espaço de 30 minutos através das plataformas de entrega Uber Eats e Bolt Food, no concelho de Lisboa.

Brevemente, esta água ficará disponível em restaurantes e pequenos supermercados.

Em vez do vidro, a Selza é servida em latas de alumínio, algo fora do comum. "Portugal sai do padrão da Europa, onde o consumo em latas de alumínio tem um peso de 60% a 70%. Consome muito menos dióxido de carbono e apenas 30% do alumínio tem de ser produzido - o restante já é reciclado", explica Rui Santos.

Esta bebida tem de ser servida "bem fresca da lata ou deve ser servida num copo largo com gelo", em que podem acrescentar-se a lima e a hortelã ou a manga, conforme o sabor. Para não perder o gás e o sabor, cada Selza deve ser bebida no espaço de cinco a sete minutos, o que corresponde ao "tempo ótimo de consumo".

O negócio é totalmente português: o cérebro dos fundadores, a matéria prima das águas - até a manga vem de estufas no Algarve -, passando pela produção e enchimento das latas de alumínio no Norte do país.

Há oito semanas no mercado, a Selza dá lucro desde o primeiro dia. "Apesar de termos uma mentalidade startup, o nosso modelo económico é viável desde já. Não vendemos uma lata para ter prejuízo e ganhar escala."

Os dois fundadores estão por dentro dos negócios tecnológicos: Maia Pedro é o diretor de marketing da Bolt e da Bolt Food em Portugal; Rui Santos está na empresa portuguesa de dispositivos médicos Biosurfit.

Maia e Rui conheceram-se no curso de Biotecnologia há alguns anos. Em 2018, os dois fazedores estiveram nos Estados Unidos, onde surgiu a ideia para a Selza. "Ao voltar para Portugal, começámos a procurar como era possível criar um produto com menos calorias e que fosse mais atrativo para um consumidor mais atual."

Depois de uma pesquisa de mercado, repararam que, nos últimos dez anos, "apenas tinham surgido, como novidade, as cidras". Ou seja, "não havia uma bebida que tinha em conta as novas necessidades dos atuais consumidores, que procuram algo com poucas calorias e muito menos açúcar."

Após estudarem a fórmula, os dois fundadores aproveitaram os conhecimentos de biotecnologia para começarem a fazer a produção em casa. A segunda fase de desenvolvimento foi no laboratório, "para termos as condições necessárias para fazermos um produto de qualidade e manter as temperaturas constantes".

A passagem para a fase de produção em massa foi o maior desafio. Era preciso encontrar um fornecedor de latas de alumínio, já com o coronavírus. "Em plena pandemia, tínhamos plano A e plano B para os produtores. Ambos foram à falência", recorda Maia Pedro.

Na hora de encontrarem uma alternativa, os empresários aperceberam-se de que "muitos dos produtores estão habituados a trabalhar com cerveja e com as garrafas de vidro". Prevaleceu, no entanto, a opção pelas latas de alumínio, por fatores ambientais. O nome da marca permite explorar o conceito de hard seltzer de forma mais fácil para o mercado.

O lançamento da Selza acabou por atrasar um pouco por causa de algumas fábricas, sobretudo no primeiro confinamento. Apesar dos obstáculos, a primeira encomenda está prestes a esgotar e já há uma segunda leva a caminho.

Maia e Rui são, para já, os únicos funcionários da Selza e acumulam o negócio com o trabalho na Bolt e na Biosurfit, respetivamente. "Trabalhamos 16 horas por dia e, felizmente, podemos contar com a ajuda das nossas namoradas e dos nossos amigos."

Depois de um investimento próprio de 50 mil euros, os dois fazedores estão a preparar a expansão internacional do negócio para o próximo ano. Espanha, Itália e Grécia são os três países na mira.

Para dar gás ao negócio, os líderes da Selza admitem recorrer a uma ronda de financiamento externo

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