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Sem planos para sair à noite? Chegou a aplicação com centenas de ideias

Gil Belford, lidera a equipa de Portugal da Fever, plataforma de entretenimento e experiências. A startup está instalada no Second Home, em Lisboa. 
( Gustavo Bom / Global Imagens )
Gil Belford, lidera a equipa de Portugal da Fever, plataforma de entretenimento e experiências. A startup está instalada no Second Home, em Lisboa. ( Gustavo Bom / Global Imagens )

Aplicação Fever instala-se em Lisboa com mais de 100 parceiros após ronda de 20 milhões de dólares, em que entrou a produtora de "A Casa de Papel".

Há cada vez menos desculpas para não sair à noite. Nos últimos anos, surgiram várias aplicações que apresentam dezenas de sugestões para todo o tipo de gostos e companhias. Mas dificilmente alguma chega ao patamar da Fever, a aplicação móvel que chegou a Lisboa com centenas de ideias para fazer de manhã, de tarde ou de noite. E que ainda lhe permite comprar logo o bilhete e convidar os amigos.

A entrada da Fever vai mais além: depois de receber uma ronda de investimento de 20 milhões de dólares (17,2 milhões de euros), conta já com uma equipa de 10 pessoas em Portugal, vai contratar mais gente e até já anda a estudar a entrada noutras cidades portuguesas, como o Porto. Gil Belford, ex-Hole 19 e ex-Zomato, é o líder da equipa portuguesa desta empresa, que tem os turistas na mira.

“Em Lisboa, percebemos que há centenas de coisas que acontecem todos os dias e que nos passam ao lado. É um mercado muito disperso e onde temos muitos consumidores que não têm tempo para saber tudo o que se está a passar. Usamos a tecnologia para fazer o casamento entre todas as coisas que se passam na cidade e usamos um algoritmo de recomendação, com base em dados comportamentais. Fazemos uma curadoria de todos os eventos que as pessoas possam gostar”, explica Gil Belford em entrevista ao Dinheiro Vivo, a partir do escritório no Second Home de Lisboa.

Como funciona?

Gratuita e disponível para os sistemas operativos Android (Google) e iOS (Apple), a aplicação começa desde logo por pedir ligação às nossas contas no Facebook ou no Google para nos aproximar dos nossos amigos. Logo a seguir, pergunta pelo tipo de saídas de que mais gostamos, como os planos a dois, aventuras, novas experiências, entre dezenas de outros.

Assim que deixamos as nossas preferências, a Fever começa logo a recomendar eventos e a tentar simplificar a nossa vida. “Queremos que as pessoas, com três ou quatro cliques, passem do não sei o que vou fazer este fim de semana para o já tenho um plano e já comprei um bilhete. E isto dá para partilhar com os amigos. Basta para isso que tenhamos o interesse da pessoa”, detalha o ex-Hole 19.

Ao usarmos a aplicação, somos tentados a comprar logo o bilhete para um concerto, para um filme ou para outro tipo de experiências. E aqui há outra vantagem, não é cobrada qualquer comissão de bilheteira: se quiser ir a um festival, paga 20 euros pelo bilhete e nem mais um cêntimo. Além disso, podemos procurar e comprar bilhetes para os eventos em outras 11 cidades, como Madrid, Barcelona, Sevilha, Málaga, Bilbau e ilha de Ibiza (Espanha); Paris (França); Londres e Manchester (Reino Unido); Nova Iorque e Los Angeles (Estados Unidos).

Eventos exclusivos

Com 100 parceiros logo no arranque, a Fever também já está a preparar alguns eventos exclusivos. Na próxima semana, arrancam as “acoustic sessions”, em que vários músicos vão tocar ao fim no final da tarde no terraço do Level 8. E na semana a seguir vai decorrer “o primeiro speed dating gay” em Portugal, no restaurante Madame Petisca.

Mesmo que estes eventos sejam realizados nas outras 11 cidades onde está presente, a empresa espera sempre dar um toque especial. “As pessoas, ao usarem a Fever, estão a sinalizar-nos, com os seus dados, os seus gostos. Se há cinco mil pessoas que nos dizem que gostam de música eletrónica, isso dá-nos uma base de informação muito forte sobre o tipo de eventos que as pessoas gostam. Isso dá toda a confiança para que lancemos o nosso próprio tipo de eventos.”

Equipa especial em Lisboa

Boa parte dos eventos especiais da Fever serão desenhados a partir de Lisboa. “Vamos ter um centro de serviços especializado, que vai trabalhar em projetos especiais para todo o mundo.” Instalado no Second Home de Lisboa, este escritório “também vai apoiar a rede de projetos” e ajudar a criar uma solução personalizável para empresas: “uma Iberia ou uma TAP podem comercializar toda uma rede de experiências dentro da rede da Fever”, explica Gil Belford.

Com 10 membros a bordo, a equipa da empresa em Portugal poderá duplicar até meados de 2019, porque “a ideia que se tem dos profissionais portugueses é muito boa”.

A comissão por venda

Mais acima escrevemos que a aplicação da Fever é gratuita para os utilizadores e que não há comissões de bilheteira. As empresas parceiras são a principal fonte de receita da startup, que recebe uma comissão por cada ingresso vendido. Gil Belford explica como é feito este processo.

“O organizador de um festival, para esgotar os bilhetes, tem de investir em todos os meios de comunicação e espera que esta iniciativa renda mais dinheiro do que foi gasto. Muitas vezes, há bilheteiras que também cobram uma comissão mas que não levam nenhum cliente. Ninguém vai a uma bilheteira comprar um bilhete e depois procurar lá planos para o fim de semana. Veem a comunicação do festival, procuram no Google por esse festival e apenas compram o bilhete. A Fever é um pouco diferente: ganhamos quando o parceiro ganha e vamos mostrar alguém que não conhece o festival o que se passa na cidade nesse fim de semana. Recomendamos aos parceiros que invistam um euro para gerar três. Se um bilhete custar 300 euros, por cada 100 euros investidos vamos gerar 300 euros. Nós ficamos com parte desses 300 euros. Isto é interessante para qualquer parceiro que invista em marketing.”

Novas cidades

Portugal é o quinto país escolhido pela Fever para apresentar as melhores sugestões de eventos, depois de Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos. Qualquer entrada nesta lista depende da avaliação de um conjunto de dados.

“Avaliamos se uma cidade está em crescimento, qual é a evolução da economia e como está a penetração do uso de telemóvel. Somos completamente obcecados por dados e deixamos que eles complementem a nossa intuição. Sabemos que a nossa aplicação funciona melhor em cidades maiores, por causa da economia de escala e do número de eventos.”

A Fever, tendo isso em conta, quer continuar a crescer no mercado português. Até agora, o lançamento de Lisboa tem corrido muito bem e foi um dos mais rápidos da história da Fever. O mercado de Lisboa tem aceitado muito bem e não vemos porque é que num mercado como o Porto há de ser diferente. Temos na nossa cabeça planos para expandir mais tarde.

O financiamento apoiado pela “Casa de Papel”

A Fever tem acelerado o seu crescimento graças a várias rondas de investimento. A última delas, em série C, ficou concluída em julho e significou uma injeção de capital de 20 milhões de dólares.

À Portugal Ventures e Caixa Capital, juntaram-se investidores como a empresa imobiliária Labtech e a Atresmedia, a produtora espanhola da série “A Casa de Papel”. Esta operação vai servir para reforçar a equipa da Fever na Europa e Estados Unidos, além de acelerar a expansão para outras cidades.

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