Sense Test Ajudar as empresas a conhecer melhor o consumidor

A Sense Test faz análises sensoriais e de perceção. Tem um painel de 1000 pessoas e de 200 animais para testar os produtos

O que espera um consumidor de um amaciador de roupa? Que a deixe macia obviamente, dirá. Mas não só. O aroma é fundamental e o tempo que dura na roupa também. E é tudo isso que a Sense Test, em Vila Nova de Gaia, estuda. Bem como a perceção de como evolui esse aroma ao longo do tempo, com a roupa armazenada, e que sentimentos é que gera nos consumidores. A Sense Test fornece análise sensorial e de perceção de produto e pelo seu laboratório passam, todos os dias, mais de cem pessoas, que testam os mais diversos artigos. De protetores solares a cosméticos, de café a cereais, bolachas, sopas ou carne. Tudo o que possa imaginar.

Não admira. Numa sociedade em que o consumidor é o centro das atenções, nada é lançado no mercado sem ser testado e avaliado à exaustão. Mas os tempos mudaram e não basta apenas ter a opinião do cliente sobre o produto, é preciso também medir sensações... e é aqui que entra a Sense Test. Só o ano passado, realizou 600 ensaios a mais de 1500 referências, produtos ou serviços, obtendo 33 mil resultados para avaliação. O mais interessante é que um terço das suas vendas é já assegurada nos mercados externos. E só a pet food vale já 10% desta fatia.

“As empresas já perceberam que, num mercado competitivo como o nosso, a perceção do consumidor é a chave do negócio. O que nós fazemos é tentarmos ser os melhores a medir o consumidor e a tentarmos desenvolver técnicas que deem resposta àquilo que são as necessidades dos nossos clientes nacionais e internacionais”, diz Rui Costa Lima, cofundador da Sense Test, com Luís Cunha, ambos engenheiros alimentares.

“Percebemos que precisávamos de medir não só o que estava no produto mas também as emoções que gerava e, por isso, juntámos várias técnicas expeditas de medição de perfil com tecnologia, nomeadamente face reader, para podermos medir as emoções que as pessoas estão a sentir durante a prova. E desenvolvemos um software específico, com parceiros, para cruzar toda esta informação e dar aos clientes um serviço rápido e que não seja muito caro. É o sense profilling. Mas prevemos investir meio milhão de euros em novas tecnologias nos próximos dois anos”, diz Rui Costa Lima, sem adiantar muito sobre os novos projetos.

Fundada em 2000, esta foi a primeira empresa em Portugal a dedicar-se exclusivamente a este negócio. Hoje tem um painel de mil pessoas e 200 animais. “Temos estado sempre na linha da frente em termos de inovação, trabalhando com segmentos especiais: crianças, idosos e doentes, designadamente, com doentes celíacos, que são segmentos que necessitam de técnicas especiais para conseguirmos medir a perceção destes consumidores”, diz o gestor.

Além disso, nos últimos anos, a Sense Test, que é uma das PME finalistas do Prémio Inovação NOS, desenvolveu também soluções móveis. É o caso do SenseBus, um laboratório móvel que já percorreu o país e esteve em Espanha e em França: “No nosso laboratório em Vila Nova de Gaia temos capacidade para analisar cerca de 25 amostras e ter mais de cem pessoas a fazer provas por dia. Com as soluções móveis, estes números facilmente são multiplicados por dois ou três.”

Em 2015, a Sense Test faturou 600 mil euros. A expectativa para este ano é de um crescimento de 20%, a exemplo do que tem acontecido nos últimos três anos. A área alimentar ainda representa a fatia principal do negócio, mas o segmento do pet food - só para cães e gatos - tem vindo a ganhar uma importância crescente, sobretudo a nível internacional: “É um mercado em expansão e em que, cada vez mais, há a necessidade de otimizar os produtos.”

Grande distribuição ou fabricantes, todos procuram a Sense Test para testar os seus produtos. Quanto mais não seja para ir verificando o posicionamento da marca. Curiosamente, é sobretudo do estrangeiro que vêm os pedidos para o desenvolvimento de produtos. Bélgica, França e Espanha são os principais mercados externos. Projetos pontuais vêm de Inglaterra e Brasil.

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