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Sensei. Dos carros para o retalho: vêm aí as lojas autónomas

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A startup portuguesa está já a trabalhar com retalhistas na Europa e pretende adicionar mais clientes ao seu “cesto”. Em 2019, prevê aumentar a equipa

No futuro, talvez não muito distante, uma ida ao supermercado vai ser uma experiência diferente da que é hoje. Mais simples e rápida. Sem filas. A Sensei é uma startup portuguesa que desenvolveu uma tecnologia para ser usada pelo setor do retalho e que vai permitir criar a primeira loja do futuro, autónoma e com check-out livre.

“O cliente entra em loja com o simples passar de um cartão ou da aplicação [relativa à superfície comercial]. Estando em loja nada muda: o cliente faz as compras normais, vai tirando produtos e adicionando ao seu cesto ou [decide voltar atrás e] coloca os produtos na prateleira. Quando estiver pronto, pode sair, simplesmente. Deixa de ter de passar por uma caixa para pagar porque a compra é debitada automaticamente do cartão do cliente”, explica ao Dinheiro Vivo Vasco Portugal, CEO da empresa. “A única coisa que muda é na loja. Para o cliente final nada mudou; a experiência de compra é igual à de hoje, mas com um benefício grande: nunca mais terá de esperar para pagar ou sair da loja.”

Os produtos embalados, quando saem da prateleira para o cesto, são adicionados à conta de cada clientes. Se, por algum motivo, ele decidir prescindir desse produto e devolvê-lo à prateleira, esse item é eliminado porque o sistema desenvolvido pela startup portuguesa consegue reconhecê-lo. E que sistema é este?

“Usamos uma rede de câmaras com uma layer de visão computacional – que é essencialmente uma das áreas da inteligência artificial – que, no fundo, traduz tudo aquilo que é a atividade que acontece dentro de loja para dados. Com esses mesmos dados ele [sistema] sabe quem é o cliente que está em loja e que produtos está a levar para casa, para os poder debitar automaticamente sem ter de passar pela caixa” de pagamento.

Os produtos não têm associados a si qualquer tipo de sensor, o que significa que são iguais aos que existem hoje nos supermercados. E os clientes não têm de proceder ao scan de itens ou passar por uma caixa de pagamento. “O produto não tem sensores; o cliente não tem sensores. Agarra no produto e a compra está feita”, assegura Vasco Portugal.

Carros e supermercados
Com a evolução tecnológica tornou-se possível fazer compras à distância de um clique e os produtos adquiridos entregues em casa. Contudo, o retalho tradicional continua a enfrentar dificuldades: não é possível replicar o que é feito no comércio eletrónico para o espaço real. E foi perante este cenário que os fundadores da Sensei decidiram deitar mãos à obra e desenvolver uma solução que possa mudar a realidade física. Para isso usam a mesma tecnologia dos automóveis autónomos.

“Isto é uma tecnologia que é usada essencialmente para os carros autónomos: a visão computacional. Hoje em dia, um carro que é autónomo usa a mesma lógica. Têm as câmaras que interpretam aquilo que estão a ver à volta delas e assim conseguem gerir quando o carro deve parar, estacionar e que obstáculos deve evitar. As variáveis são infinitamente superiores a um contexto controlado como este. A ideia é: se é possível construir um carro autónomo, com certeza que é possível construir uma loja autónoma”, diz o CEO da Sensei.

Além das vantagens que esta solução pode ter para os consumidores, aos retalhistas permite-lhes saber os hábitos de consumo dos clientes e, consequentemente, ter mais facilidade em ter stocks dos produtos mais procurados, rentabilizando os seus negócios.

A Sensei trabalha já com três empresas de retalho do Velho Continente, mas não quer ficar por aqui. Um dos objetivos para este ano é, precisamente, expandir o número de retalhistas com quem trabalha. Outro é aumentar o número de funcionários. Atualmente com 12 pessoas, a firma quer chegar ao final deste ano com 25 funcionários.

A Sensei sabe que, pelo menos na Europa, não há outra empresa a desenvolver tecnologia para lojas autónomas da mesma forma. E por isso está confiante de que é “a empresa mais bem posicionada para poder rapidamente dominar o mercado de lojas autónomas e totalmente digitalizadas” na Europa.
Em fevereiro do ano passado, a startup sediada em Lisboa recebeu uma ronda de financiamento no valor de 500 mil euros de investidores como o grupo germânico de retalho Metro Group, Sonae – através da Sonae IM (Bright Pixel) -, o acelerador Techstars e um conjunto de business angels. A empresa admite que possa, ainda neste ano, captar uma nova ronda de investimento.

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