novos negócios

Sensei. Eles sabem onde passamos mais tempo no supermercado

João Fernandes, Joana Rafael e Vasco Portugal, da Meta, empresa que desenvolve o Sensei. Fotografia: Pedro Rocha/Global Imagens
João Fernandes, Joana Rafael e Vasco Portugal, da Meta, empresa que desenvolve o Sensei. Fotografia: Pedro Rocha/Global Imagens

Tecnologia que nasceu em áreas como a robótica e os carros autónomos permite avaliar padrões de consumo

Atualmente, há muito pouca informação sobre o que se passa quando estamos num supermercado e qual a reação dos clientes aos produtos expostos nas prateleiras. Mas há um produto nascido em Portugal que vai revolucionar tudo isto. Chama-se Sensei e é a primeira grande aposta da Meta Innovation Consulting Group (Meta), sedeada em Lisboa. Tanto pode ser considerado como o Google Analytics dos espaços físicos como a aplicação real do conceito Amazon Go.

“É um produto que permite a recolha de dados em vários sítios num espaço físico. Conseguimos perceber qual o comportamento dos clientes, porque avaliamos a interação deles com o espaço e os produtos em exibição nas prateleiras”, explica Joana Rafael, responsável operacional. Este produto recorre a uma grande quantidade de dados. A partir daí, o software faz a previsão do comportamento dos clientes, graças às tecnologias que habitualmente são usadas em áreas como a robótica ou os carros autónomos.

A Sensei já está a fazer um projeto-piloto com uma loja no centro comercial das Amoreiras e há mais testes em preparação quer em Lisboa quer na zona do Porto. A informação recolhida é confidencial e anónima, garante a startup.

A tecnologia da Sensei também pode servir para otimizar recursos. “Em filas de espera, consigo saber quando é que posso abrir ou fechar caixas de atendimento mediante o número de pessoas que entram e os padrões de compra dentro da loja”, explica João Fernandes, responsável estratégico.

Com um apoio inicial de 100 mil euros do programa de aceleração Fiware – no âmbito da criação de tecnologia para as Smart Cities – e da própria Meta, a Sensei está à procura de novos investidores para a primeira ronda de investimento (pre-seed). “Procuramos smart money, ou seja, investidores com experiência na área do retalho, capital de risco e business angels, todos nacionais”, refere Joana Rafael. Têm mesmo várias reuniões nas últimas semanas neste âmbito.

A aposta desta startup no retalho justifica-se pelo facto de este ser um mercado “cheio de oportunidade – 90% das vendas neste setor são geradas em espaços físicos. Há uma grande oportunidade de maximizar lucros e sentimos, pelos contactos que temos feito, que há uma necessidade real no mercado de uma solução como a nossa”.

De Lisboa para Trinidad
A Meta considera-se uma “incubadora interna de projetos”, nas palavras do CEO, Vasco Portugal. A startup nasceu no final de 2014, numa altura em que Joana Rafael e Vasco Portugal estavam nos EUA e acabaram por escolher Lisboa. “Havia uma falha no mercado a nível tecnológico e surgiu um espaço para nós. Somos o braço tecnológico das empresas”. Com o foco na inovação, a Meta conta com uma equipa de 15 pessoas e que trabalham nos mais diversos projetos.

No ano passado, por exemplo, organizou a maratona Hack for Good, tendo proposto soluções para os problemas na terceira idade; no mesmo ano, começou a colaborar com o Governo de Trinidad e Tobago.

Esta diversidade reflete-se na formação dos líderes da Meta: Joana Rafael está a fazer o doutoramento na área da engenharia e energia, depois de uma pós-graduação em gestão e licenciatura em arquitetura; Vasco Portugal é investigador em novas tecnologias e produtos; João Fernandes é um engenheiro informático que acabou por ir parar à gestão; e Paulo Carreira é professor de software no Instituto Superior Técnico e o investigador responsável pela área de IoT e sistemas ciber-físicos do INESC.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. (Fotografia: Mário Cruz/ Lusa)

Carlos Costa: “Não participei nos 25 grandes créditos que geraram perdas” à CGD

Pedro Granadeiro / Global Imagens

Reclamações. Anacom acusa CTT de divulgar informação enganosa

Paulo Macedo, presidente da CGD

CGD cumpre “com margem significativa” requisitos de capital do BCE

Outros conteúdos GMG
Conteúdo TUI
Sensei. Eles sabem onde passamos mais tempo no supermercado