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Sete projetos que vão chamar a atenção dos investidores

Miguel Fontes, diretor executivo da Startup Lisboa 
Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens
Miguel Fontes, diretor executivo da Startup Lisboa Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens

Miguel Fontes da Startup Lisboa, Carlos Oliveira da Startup Braga, Clara Gonçalves do UPTEC escolheram as startups para 2017

No ano de 2016, o governo fez questão de virar o foco da sua atenção para os fazedores, com vários programas e iniciativas de apoio ao empreendedorismo.

A vinda da Web Summit para Lisboa foi o mote para que os portugueses passassem a reparar mais em novos projetos e na inovação tecnológica que é feita no país. Startups, pitch, investimento, aceleradores, exit e unicórnios foram expressões que começaram a fazer parte do vocabulário do dia-a-dia.

Miguel Frasquilho, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), garantiu que a conferência de tecnologia vai ficar em Portugal por mais anos do que os dois inicialmente acordados, considerando-se convicto de que o país se irá transformar num verdadeiro hub tecnológico.

Pedimos aos responsáveis de duas das maiores incubadoras do país, a Startup Lisboa e a Startup Braga, e do UPTEC, o parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, que nos indicassem quem são os fazedores que vão chamar mais a atenção em 2017. Investidores, ponham os olhos neles!

Miguel Fontes, da Startup Lisboa, foi o primeiro a responder ao desafio. Da lista dos mais de 70 projetos incubados atualmente na incubadora da capital, escolheu três que acredita que vão ter bastante sucesso já no próximo ano. Quanto a Clara Gonçalves, do UPTEC, assumiu que a escolha final foi muito difícil, mas apresentaram também duas startups, ligadas ao parque universitário. Carlos Oliveira, da Startup Braga, assumiu igualmente que teve dificuldade em selecionar apenas dois projetos, de tantos com potencial na incubadora minhota.

Heptasense

Ricardo Santos, da Heptasense. Fazedores: André Gouveia / Global Imagens

Ricardo Santos, da Heptasense. Fotografia: André Gouveia / Global Imagens

Imagine aumentar o volume da música que ouve nos auscultadores com um gesto da sua mão. Ou controlar o seu computador sem tocar no teclado ou no rato. Com o Heptasense WAVE é possível.

Ricardo Santos e Mauro Peixe, dois antigos alunos do Instituto Superior Técnico, são os responsáveis pelo desenvolvimento deste software de reconhecimento de gestos e análise de movimento em tempo real.

“O facto de o desenvolvimento ser agnóstico a qualquer dispositivo ou tecnologia de sensores permite ser aplicado em todos os mercados, desde linguagem gestual à indústria automóvel”, afirma Miguel Fontes.

A Heptasense venceu em 2016 o UberPITCH, um concurso em que fazedores apresentavam os seus projetos a bordo de uma viatura Uber. Ganharam também o primeiro lugar do Santa Casa Challenge devido a um projeto social que estão a construir, usando a sua tecnologia para o desenvolvimento de um tradutor de língua gestual para serviços públicos. Em novembro, participaram na Web Summit, tendo sido uma das equipas selecionadas pelo governo no âmbito do programa Road 2 Web Summit.

Sention

sention

Alexander Bridi, Reef Read e Djelal Osman, da Sention. (DR)

Fundada em fevereiro de 2016, em Londres, no Reino Unido, pelo austríaco Alexander Bridi, o francês Reef Read e o britânico Djelal Osman, a Sention está incubada na Startup Lisboa e é um projeto que utiliza algoritmos de aprendizagem inovadores para interpretar e modificar conteúdos de vídeo. O primeiro protótipo da ideia foi apresentado em dezembro.

Para Miguel Fontes, a Sention “vai revolucionar a forma como a publicidade é feita em emissões de desporto ao vivo. A tecnologia que estão a desenvolver permitirá a equipas, federações e emissoras identificar mais eficazmente as suas audiências e melhorar a experiência da emissão, permitindo a alteração de anúncios publicitários”.

Tripaya

Fundador do site Tripaya, André Ramos. Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

Fundador do site Tripaya, André Ramos.
Fotografia: Orlando Almeida / Global Imagens

O site do Tripaya está ativo desde março de 2015, mas a ideia surgiu a André Ramos cerca de um ano antes. Ao tentar marcar umas férias, depois de ligar voos e estada, o fazedor apercebeu-se de que tinha ultrapassado, e muito, o orçamento que tinha disponível, sendo obrigado a ter de efetuar nova pesquisa.

O Tripaya é uma plataforma onde o utilizador indica quanto dinheiro quer gastar e, imediatamente, lhe é apresentada uma sugestão de local, com alojamento e deslocação incluídos, dentro do valor indicado. É um site que é três em um: um Lonely Planet de inspiração, um Skyscanner de marcação de voos e um Booking de reserva de hotéis.

O projeto está incubado na Startup Lisboa e é outro dos destaques do diretor da incubadora para 2017. “Numa época em que os turistas nem sempre sabem para onde desejam ir e o tempo para dispensar em pesquisas é um recurso escasso, a Tripaya permite encontrar o pacote ideal (destino, voo e hotel) de acordo com os interesses do cliente e o seu orçamento, através de um clique”, afirma Miguel Fontes.

Em novembro, para além de ter participado na Web Summit, o Tripaya foi um dos nove vencedores da competição HandsOn Startup Tour Europe 2016, que teve lugar em Paris, França.

Hype Labs

André Francisco e Carlos Lei Santos da Hype Labs (DR)

André Francisco e Carlos Lei Santos da Hype Labs (DR)

“É uma jovem startup focada no desenvolvimento de software que permite comunicações entre dispositivos móveis, mesmo em situações em que não existe conectividade à internet ou qualquer outra rede externa”, afirma Clara Gonçalves, sobre a Hype Labs.

Fundada por André Francisco e Carlos Lei Santos, esta startup permite que qualquer dispositivo possa comunicar mesmo sem ter rede.

Sediada no UPTEC, tem também um escritório em São Francisco, Estados Unidos. Conta com pelo menos cinco empresas como potenciais clientes, entre as quais a Disney e a Amazon. A equipa tem uma dezena de elementos.

Com demonstrações realizadas em países como Irlanda, Brasil, EUA, Inglaterra e Portugal, prepara-se para em breve lançar dois produtos: uma aplicação de comunicações móveis e uma API de comunicações descentralizadas através da web, ou por redes mesh de proximidade.

A Hype Labs foi ainda selecionada para participar num programa de aceleração de ideias de negócio na Polónia (Hubraum) e nos Estados Unidos (Angel Pad).

Knok

Membros fundadores da empresa startup Knok . Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

Membros fundadores da empresa startup Knok . Fotografia: Pedro Granadeiro / Global Imagens

A Knok foi a outra escolha de Clara Gonçalves, do UPTEC.

É uma aplicação de telemóvel que liga em tempo real doentes e médicos para consultas pessoais, personalizadas e de elevada qualidade.

Recebeu, em novembro, um investimento internacional de 350 mil euros para apostar na expansão internacional. O investidor principal é a Mustard Seed Impact.

José Bastos é o nome por detrás do projeto. Com 40 anos, este fazedor licenciado em Gestão decidiu abandonar a Sonae, onde trabalhou 17 anos, para fundar, em dezembro de 2015, a Knok.

Atualmente a startup trabalha com mais de 60 médicos, em Lisboa e no Porto. A média de idade dos clínicos é 34 anos. Cada consulta tem um preço fixo, para os pacientes, de 49 euros.

Entre as maiores vantagens para os utilizadores apresenta o conforto, a rapidez, a segurança, a proximidade e a simplicidade. Para os médicos, vale sobretudo pelo controlo da agenda, a relação com os pacientes e os custos fixos preestabelecidos.

Loqr

loqr

A Loqr participou na Web Summit 2015 (DR)

A Loqr foi a primeira escolha apresentada ao Dinheiro Vivo pelo presidente da Startup Braga. A empresa, fundada em 2014 por Ricardo Costa, 37 anos, engenheiro informático da Universidade do Minho, desenvolveu tecnologia única no mundo para proteger transações.

“A Loqr, que desenvolve uma solução de autenticação para evitar fraude, vai participar em mais um programa da UTEN (University Technology Enterprise Network). O produto é sólido e já com os primeiros clientes. 2017 é um ano de crescimento”, afirma Carlos Oliveira.

O sistema da Loqr tem estado a ser validado, em Portugal, no Instituto Politécnico do Porto, junto de 20 mil utilizadores.

Afirmam ter sido a primeira startup portuguesa a participar na aceleradora do festival South By Southwest (SXSW), que se realiza-se anualmente em Austin, Estados Unidos.

Agentifai

Ernestro Pedrosa e Rui Lopes da Agentifai

Ernestro Pedrosa e Rui Lopes da Agentifai (DR)

“A Agentifai fornece soluções de inteligência artificial em particular um produto que permite às empresas criar um assistente virtual para interagir com os clientes, por si só um hot topic. A startup apresenta boa tração e tem um crescimento previsto na América Latina”, é desta forma que Carlos Oliveira apresenta este projeto, incubado na Startup Braga.

Usando o poder da inteligência artificial, a Agentifai, fundado por Rui Lopes e Ernesto Pedrosa, permite criar agentes inteligentes na área da saúde e bem-estar, capazes de entenderem os pedidos de clientes e realizarem ações de forma autónoma.

Essencialmente implica a automatização de toda a interação entre pacientes e fornecedores de serviços de saúde, como por exemplo gestão de marcações de consultas, pedidos de informação, gestão de seguros de saúde e campanhas de marketing. Através de um agente inteligente, qualquer entidade no setor (hospitais, clínicas e seguradoras de saúde) consegue oferecer aos seus clientes um atendimento personalizado 24/7, com custos reduzidos.

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