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Sherlock Homes. A imobiliária virtual que promete poupar milhões aos portugueses

Foto: SherlockHomes
Foto: SherlockHomes

Já fez negócios e até recebeu o ministro da Economia na Web Summit, mas o lançamento oficial só acontece esta quarta-feira. A Sherlock Homes é uma startup que nasce com a ambição de revolucionar o mercado de compra e venda de casas em Portugal.

Foi à boleia dos vistos dourados que Tariq El-Asad trocou Londres por Lisboa. Desde 2014 que o empresário britânico é especialista na venda de casas a estrangeiros que buscam em Portugal o carimbo para a Europa. El-Asad é um dos quatro fundadores da Sherlock Homes, uma startup de imobiliário que chega hoje oficialmente ao mercado, com a promessa de poupar aos seus clientes 35 milhões de euros por ano em custos com comissões.

Ao contrário de Tariq El-Asad, nem todos os fundadores têm prática no ramo imobiliário. A Sherlock nasceu, aliás, das más experiências que os quatro britânicos tiveram como vendedores ou compradores de casas em Portugal.

“Geralmente ficávamos muito insatisfeitos com os serviços prestados e, especialmente, com o custo muito elevado da venda de um apartamento. A indústria imobiliária em Portugal cobra, por norma, 5% mais IVA em comissões, o que equivale a uma média de 16 mil euros em taxas por casa em Lisboa. Achámos que este preço não era justo, tendo em conta a pouca oferta”, explica em entrevista ao Dinheiro Vivo Philip Illic, outro dos fundadores da startup.

Foi assim que, há cerca de um ano, surgiu a Sherlock. A agência, que garante trazer “justiça e transparência” ao mercado, cobra uma comissão fixa de 3999 euros por cada transação concluída. Um valor que, pelas contas dos fundadores, é 75% inferior à média do mercado.

O objetivo dos empreendedores é conquistar 5% do mercado imobiliário em três anos, o que equivale a mais de oito mil transações e a uma poupança anual em comissões de 35 milhões de euros.

“Até à data temos 80 propriedades angariadas e o número está a crescer rapidamente. Esperamos chegar às 200 até ao final do ano. A procura pelos nossos serviços é superior ao que podemos suportar, mas estamos propositadamente a aceitar a quantidade de apartamentos com a qual sabemos que vamos conseguir oferecer a melhor experiência ao cliente”, sublinha Philip Ilic.

Um T3 em Algés, um T2 em Almada ou um T1 na Mouraria são algumas das casas que a Sherlock já vendeu. A propriedade mais cara que a plataforma tem disponível é uma quinta em Palmela avaliada por 1,25 milhões. Os criadores garantem que o seu sistema vende uma casa em metade do tempo médio do mercado, que ronda atualmente os seis meses.

Foto: Sherlock Homes

Foto: Sherlock Homes

Ao negócio imobiliário a Sherlock junta ainda a parte tecnológica. Nos últimos meses os fundadores desenvolveram uma ferramenta que, com base em inteligência artificial, avalia as casas à distância. Além da poupança nas comissões, é com a tecnologia que os empreendedores esperam conquistar o mercado e revolucionar um modelo de negócio que consideram obsoleto.

“Noutros países onde este modelo se está a expandir rapidamente, os agentes imobiliários online têm angariado entre 10% e 20% do mercado. Muitos analistas e líderes da indústria preveem que este modelo domine entre 25% a 50% da indústria até 2025. E iremos trazer ferramentas muito entusiasmantes nos próximos anos”, sublinha Philip Ilic.

Antes, a startup prevê expandir já este ano para outras zonas do país, como Cascais, Porto e Algarve. A meta a curto prazo é dar o salto para outros países do sul da Europa. Para isso, admitem, é preciso financiamento. A Sherlock angariou até agora cerca de 400 mil euros, provenientes de investidores de França e Reino Unido.

“Estaremos à procura de uma ronda maior de Série A no início de 2020.E fomos aceites na Web Summit 2019 como startup beta, o que nos dará acesso a um conjunto de fundos globais de venture capital”, destaca o fundador.

Talento procura-se

A Web Summit do ano passado foi, de resto, um dos momentos altos da startup até agora. “Fomos em modo soft launch e sentimos um interesse arrebatador. Chegámos a ter o ministro da economia no nosso stand“, lembra Philip Ilic.

Além de investimento, a Sherlock também anda em busca de talento. “Estamos à procura de agentes para a expansão no Porto e de mais pessoas para a equipa de administração em Lisboa”, revela o empreendedor. A área de formação é o menos importante, não tivessem os próprios fundadores origens muito distintas. Philip Ilic e Chris Wood são os responsáveis pelo projeto Cine Society, um cinema ao ar livre. O último dos fundadores, James Coop, tem uma empresa de pesca sustentável nos Estados Unidos.

E porquê a reunião em Lisboa? “Pela força de trabalho altamente qualificada, as oportunidades de financiamento, o facto de ser a capital da Europa com mais dias de sol e de estar rapidamente a tornar-se num dos melhores ecossistemas de startups na Europa”, justifica Philip Ilic.

Além de ter sol, conclui, “Portugal é um ponto de partida para startups com planos de expansão no resto da Europa, pois é pequeno o suficiente para testar produtos, aprender rapidamente e refinar a oferta antes de distribuir serviços para outros países”.

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