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Sherpany. Se é acionista, já pode votar através do smartphone

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Tobias Häckermann é acionista de uma grande empresa suíça e sempre teve um problema. Não conseguia perceber como é que, em pleno século XXI, quando se pode comprar casas na internet, não é possível votar online nas assembleias gerais de acionistas. E criou uma empresa para resolver o assunto.

A Sherpany nasceu em 2012 para permitir que os acionistas espalhados pelo mundo possam estar ligados à empresa e votar determinados assuntos sem terem de se deslocar à sede. A receção inicial não foi a melhor. “No início, todos nos disseram que a ideia era de loucos, que era tecnicamente impossível ou que não era sequer legalmente permitido. Mas quando se mostra algo desconhecido, a reação é sempre essa”, conta Mathias Brenner, diretor de Operações da Sherpany.

Três anos depois, a empresa suíça tem dois produtos-bandeira, um escritório na Avenida da Liberdade e um portefólio de clientes que conta com nomes como o da Nestlé ou o da Novartis. Ambos os produtos são aplicações móveis que facilitam a relação entre empresa e acionista. O principal, o Investor Service, é utilizado pelos acionistas, que podem ter acesso a toda a informação publicada pela empresa, desde vídeos a documentos. Um pouco como o Facebook para o mundo empresarial, com a diferença de que, através desta app, os utilizadores podem também votar nas assembleias gerais. E a vantagem de que, ao longo do ano, os acionistas não perdem o contacto com a empresa e estão informados do que ela está a fazer. A outra app, a Boardroom, tem a mesma função, mas destina-se apenas a membros dos conselhos de administração.

Depois de lançadas as aplicações, aterraram por acaso em Portugal, onde, desde 2013, investem 500 mil euros por ano. “Quando começámos, estávamos à procura de programadores em Zurique, exatamente ao mesmo tempo, e na mesma cidade, que a Google. Não tínhamos qualquer hipótese de competir com eles, sendo uma startup desconhecida”, recorda Mathias Brenner. A equipa fundadora começou a procurar nova morada e, no fim, “foi muito simples”. A namorada de Tobias Häckermann é de Cascais e, entre imperiais, sugere: “Porque não Portugal?” O argumento “tem quase sempre bom tempo” foi suficiente para fazerem as malas.

Hoje, o escritório da Avenida da Liberdade, em Lisboa, dá emprego a 17 pessoas, muitos portugueses e muitos estrangeiros, de países como a Escócia, a Alemanha, a Holanda ou a Finlândia. “Foi uma novidade para nós ver o interesse de trabalhadores internacionais por Lisboa. Em pouco tempo, a cidade cresceu muito no ecossistema de startups”, diz o diretor de Operações da Sherpany.

Hoje, a startup suíça conta com 49 clientes do Investor Service e 50 do Boardroom. Além da Nestlé e da Novartis, o serviço convenceu gigantes suíços em todos os sectores: da banca e seguradoras ao sector farmacêutico, passando pelas telecomunicações e pelas tecnológicas. Para este ano, o objetivo é dobrar estes números, contratar mais dez pessoas para a base em Lisboa e chegar a outros mercados. Portugal, claro, está na lista de potenciais mercados, ao lado da Alemanha, da França, da Itália e do Brasil. A única limitação, diz Mathias Brenner, é da perspetiva legal, diferente em cada país. De resto, e até porque a empresa diz não ter competição, não há limites para onde podem chegar.

A missão, agora, é mudar o mundo empresarial, fazendo do acionista embaixador, ao mantê-lo em constante ligação com a empresa. “Os acionistas são-no por alguma razão, porque acreditam nas empresas. Mas as grandes empresas gastam milhões em publicidade e não investem nada para tornar os acionistas embaixadores. Isso é o que queremos mudar e podemos fazê-lo quase sem dinheiro”, conclui Mathias Brenner.

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