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Sky Valley. Trocar pratos de som pelos da cozinha

Jorge Rodrigues, fundador e proprietário dos restaurantes Sky Valley. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens
Jorge Rodrigues, fundador e proprietário dos restaurantes Sky Valley. Fotografia: Artur Machado/Global Imagens

Em quatro anos, Jorge Rodrigues abriu dois restaurantes em Esposende e gere outro, de verão, em Vilamoura. E já está a abrir caminho para Barcelona

O maior orgulho de Jorge Rodrigues é ter 37 anos, empregar 60 pessoas e “não dever dinheiro a ninguém”. Os três restaurantes agora sob sua responsabilidade são uma espécie de reflexo e prolongamento de outra parte da vida que ficou para trás. Depois de 15 anos a viver em Esposende, a pronúncia do norte oculta as origens sulistas, do Montijo, mas isso são meras referências geográficas que se diluem quando o assunto são os locais do mundo por onde já passou – um mês a viver em Marrocos, outro na Bélgica, três temporadas nos Estados Unidos e o mapa da Europa percorrido de lés a lés. E em todos os destinos acompanhou-o um gosto, “visitar restaurantes de grande qualidade”, uma oportunidade que se revelou uma aprendizagem para o futuro.

No passado ficaram 12 anos como disc jockey, embora o domínio da música tivesse continuado a acompanhá-lo – não nas pistas de dança, mas com a abertura de um ginásio em Esposende, há seis anos. Vendeu-o entretanto, mas ainda se orgulha do que continua a ser, garante, o maior ginásio do concelho. Há quatro anos que decidiu trilhar outro caminho, agora na restauração, uma aventura que começou quando ganhou o concurso para a exploração de um espaço no complexo municipal das piscinas de Esposende, junto ao rio Cávado. Aí surgiu, pela sua mão, o Sky Valley, com a comida japonesa como conceito. Jorge Rodrigues revela que o negócio tem vindo sempre a crescer na ordem dos “50% a 60% ao ano e já fatura 1,2 a 1,3 milhões de euros”. Uma refeição por casal ronda os cem euros.

Mas Jorge não é de se ficar pelas vitórias conseguidas, por isso, quando no ano passado chegou outro desafio, não o rejeitou. “Tive um convite do grupo Tivoli para explorar um espaço na marina de Vilamoura durante o verão. Correu bem e neste ano o convite repetiu-se.” Nasceu assim o Sky Valley Vilamoura, uma réplica da unidade de Esposende que abre de 14 de junho a 15 de setembro.

Também já neste ano, em março, o empresário abriu um novo espaço a norte: o Attytude by Sky Valley, a 250 metros do original, mas este dedicado a “comida do mundo”. Só nos primeiros três meses de funcionamento, já permitiu faturar “perto de meio milhão de euros”, com a venda, entre outros, de duas mil pizas e quatro mil hambúrgueres.

Com as 60 pessoas a quem dá emprego – 45 em Esposende e 15 em Vilamoura – e os clientes já conquistados, Jorge Rodrigues estima chegar ao final do ano com uma faturação na ordem dos 2,5 milhões. O sucesso dá argumentos ao empresário para continuar a pensar no crescimento – e já traçou novos planos: a ideia é levar a marca Sky Valley para Barcelona, já no início de 2020. A escolha de Espanha prende-se sobretudo com a “falta de mão-de-obra qualificada por cá”, para conseguir expandir o negócio em Portugal, mas também o facto de encontrar na capital catalã atrativos que se sobrepõem, por exemplo, a Lisboa, como “a quantidade de turistas provenientes dos cruzeiros”. A Catalunha “gera movimento por si só e é um mercado fortíssimo”, justifica.

Quanto a continuar a investir em Portugal, não o atrai tanto por limitações como a “burocracia” e a “lentidão na resposta a projetos”. “A minha geração é o motor da economia deste país, mas estamos sempre a bater nas mesmas barreiras”, critica. “Já era tempo de as autoridades olharem para isso e atuarem no sentido de ser possível gerar mais riqueza local.”

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