Smart Sightseeing. A versão 2.0 dos tours pela cidade

Um minibus que permite ter uma visão 360º de Lisboa e responde aos desafios que os tradicionais autocarros panorâmicos para turistas apresentam.

Uma das opções de um turista quando chega a uma cidade e tem pouco tempo para a conhecer é comprar uma viagem num autocarro panorâmico. Tipicamente, estes dão a volta pelos principais pontos turísticos, permitindo ficar com uma ideia geral do local. Mas se estiver a chover, ou muito calor, esta pode não ser a opção mais confortável. Foi com isto em mente que Paulo Parreira decidiu criar a Smart Sightseeing.

“A ideia surgiu quando constatámos que esses sightseeings normais tinham um conjunto de questões que podiam ser melhoradas. Em primeiro lugar, só mostram a cidade, não a explicam. A experiência seria mais interessante se, em vez de apenas mostrar, se contasse a história. O segundo aspeto é que aqueles autocarros são muito desconfortáveis quando o tempo não está bom, quando está frio ou muito calor, o que cria limitações do ponto de vista da exploração. E por último, não há visitas à noite. Achámos que, se fosse possível arranjar um autocarro fechado para poder operar 360 dias, mas panorâmico, conseguia resolver-se a questão do conforto e a da visibilidade”, explica o empreendedor.

O minibus desta startup tem capacidade para 18 pessoas e destaca-se por ser totalmente envidraçado e à frente ter um grande ecrã. Este, além de mostrar o percurso, uma vez que está ligado a uma câmara que filma o que se passa à frente, permite que Maria Lisboa – fadista e guia – vá contando um pouco da história da capital.

Maria Lisboa não é, contudo, uma guia tradicional. É uma espécie de personagem que dá voz – em pelo menos três línguas – aos recantos da cidade. “Salpicando este tour com mini filmes (26), vamos contando a história nos sítios certos. Há uma espécie de GPS que faz que seja automático. Disfarçamos os locais menos interessantes com os filmes e enriquecemos a experiência com informação. Resolvemos dois problemas. Isto é uma versão 2.0 dos tradicionais sightseeings. Não queremos inventar nada. Fizemos um aprofundamento”, resume.

A verdade é que este minibus é um original. Apesar de a carroçaria ser comercializada amplamente, a montagem para que visse a luz do dia tal como está ao serviço desta startup foi obra do empreendedor – engenheiro mecânico de formação, apesar de estar há anos ligado ao turismo – e de empresas nacionais. “Fomos tentando conciliar as três coisas: a nossa ideia, o nosso objetivo, que fosse possível tecnicamente, e que a lei permitisse. Tudo demorou mais de ano e meio”.

Para já, a empresa tem apenas um destes minibuses. A expectativa era ter dois, tendo sido adquiridos os dois chassis-cabine, mas a concretização do segundo “está dependente da avaliação do primeiro. E da aprendizagem”.

Opções em cima da mesa

Quando pensou no projeto, Paulo Parreira tinha assentado o modelo de negócio na venda de bilhetes para turistas (“aventureiros”, chama-lhes) que queriam explorar a cidade pela sua própria mão, sem reservas com guias de antemão. Contudo, a pandemia que arrastou o turismo para uma crise aguda fez que Paulo Parreira admita ir também por outros caminhos.

“Tínhamos pensado nisto na lógica dos turistas estrangeiros e nos circuitos. Estamos com alguma curiosidade em perceber como vai correr. Vamos comunicar ainda o projeto mas se calhar vamos ter de recorrer a grupos organizados. A lógica era servir os aventureiros de Lisboa, que não estavam em grupos.”

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