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Smartex. Tecnologia para tecidos sem defeitos de fabrico

Gilberto Loureiro e António Rocha, dois dos três fundadores da Smartex.
(Rui Oliveira / Global Imagens)
Gilberto Loureiro e António Rocha, dois dos três fundadores da Smartex. (Rui Oliveira / Global Imagens)

Startup do Porto pode poupar milhões de euros a empresas. Plataforma está em aceleração na China.

A Smartex é uma startup que pode poupar milhões de euros à indústria têxtil. Esta empresa está a desenvolver sensores, câmaras e acelerómetros que, através de sistemas de visão computacional e de inteligência artificial, podem detetar defeitos nos tecidos logo a partir da tecelagem. Após quatro anos de desenvolvimento, a plataforma do Porto entrou na semana passada num dos maiores programas de aceleração do mundo de hardware e recebeu um investimento de 250 mil dólares (221,1 mil euros). As primeiras vendas vão começar ainda este ano.

“Podemos reduzir os defeitos na produção para 0%. Este sistema evita a perda de tempo de produção, de milhões de euros em material, de desperdício de pessoal – que não consegue ser totalmente eficiente – e poupando o ambiente”, destaca Gilberto Loureiro, um dos fundadores.

O sistema deteta todo o tipo de defeitos nos fios de tecido, mesmo na lycra, “um dos mais problemáticos da atualidade e que muitas vezes escapa ao olho humano porque a espessura deste fio é substancialmente mais fina do que um fio normal. A sua deteção muitas vezes só acontece quando já é tarde demais”.

A tecnologia da Smartex está a ser utilizada na fase de tecelagem mas também pode servir para outras fases, como a tinturaria e a estamparia. A solução já está a ser testada nas fábricas da Rifertex e da João António Lima Malhas, ambas em Barcelos.

Leia mais: Portugal na linha da frente dos têxteis para desporto

A plataforma “pode parar automaticamente a linha de montagem”. Isso mesmo aconteceu num teste feito recentemente. “Poupámos milhares de euros em problemas em apenas uma semana. Os defeitos de produção à noite não costumam ser detetados porque as empresas não têm o hábito de fazer inspeção à noite”, acrescenta. A Smartex consegue ainda que as imagens recolhidas na linha de produção “possam servir como prova caso uma empresa de confeção vá parar à justiça” por causa dos defeitos na produção.

A startup do Porto conta com três fundadores: António Rocha, Gilberto Loureiro e Paulo Ribeiro. A Smartex começou com uma ideia de Gilberto Loureiro.

“Como a maioria das pessoas de Barcelos, o meu primeiro emprego foi na indústria têxtil, a tentar encontrar defeitos numa fábrica de tecelagem. Apercebi-me na altura de que tinha de ir para a faculdade. Escolhi o curso de física e, num dos projetos, partilhei este problema com o António.” Mais tarde, o especialista em gestão de redes Paulo Ribeiro acabou por juntar-se à equipa de fundadores.

2019 deverá ser um ano marcante para a Smartex: entrou no programa de aceleração HAX, que começa em Shenzhen e que servirá para apresentar um produto viável para o mercado “daqui a quatro meses”. Seguem-se mais dois meses nos EUA, para desenvolver o modelo de negócio, o marketing e criar redes de investimento.

As primeiras vendas serão feitas ainda este ano. Resta saber se a Smartex vai preferir cobrar uma mensalidade aos seus clientes, vender o produto de uma só vez ou então vender os sensores a distribuidores, que depois serão instalados em fábricas.

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