Sabonetes

Soap Porn. Sabonetes são bons contadores de histórias

Lara Franco, fundadora da Soap Porn Foto: Orlando Almeida / Global Imagens
Lara Franco, fundadora da Soap Porn Foto: Orlando Almeida / Global Imagens

Um sabonete pode ser sexy? Lara acha que sim e começou a vender o que já fazia em casa: sabonetes feitos com ingredientes naturais

 

Da estante da mãe, que também adorava ler, Lara Franco, 31 anos, roubou e devorou todos os livros de beleza que conseguiu. Tratava a pele e o cabelo com receitas antigas, mezinhas caseiras feitas com ingredientes como azeite, sal e mel.

Uma espécie de receita mágica para o que havia de vir. “Adoro ler e tinha milhentos livros de cosmética natural em casa. Daqueles vintage, de beleza, que têm muitos truques.” A curiosidade contrastava com a ignorância dos dois elementos masculinos lá de casa.

Lisboa, 18/02/2016 - Esta tarde, fotografamos sabonetes da Soap Porn, marca portuguesa feita só com ingredientes naturais (Orlando Almeida / Global Imagens)

Foto: Orlando Almeida / Global Imagens

Cresci numa casa com dois homens e os meus 16 anos da altura eram superatrasados. Eu não sabia nada, aprendi tudo o que eram coisas de mulher sozinha: depilação, sobrancelhas, foi um desastre.”

O pai e o irmão de Lara não faziam ideia sobre como ensiná-la a tratar de depilações, cremes e maquilhagens. Por isso, a jornalista freelancer foi experimentando: leituras, receitas e muitos, muitos testes. “Cresci numa casa com dois homens e os meus 16 anos da altura eram superatrasados. Eu não sabia nada, aprendi tudo o que eram coisas de mulher sozinha: depilação, sobrancelhas, foi um desastre. Numa altura da minha vida parecia uma personagem do Star Trek. Fui aprendendo com os erros e sempre fui muito curiosa”, conta, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Foi só na altura em que passou a ser editora de beleza da revista Edit e, face às amostras de produtos que recebia para experimentar, que Lara reparou que, mesmo face aos produtos mais caros, ganhava sempre o natural. “Muitas vezes, a eficiência e a qualidade das coisas não têm que ver com o preço. O que me salvou muitas vezes ao longo da minha vida foram os produtos naturais. A última vez, enquanto estava grávida do Tristão [o segundo filho de Lara, de seis meses], fiquei com uma mancha no queixo. Não conseguia tirar aquilo com nada: fui à farmácia, ao médico, nada do que me receitaram resultava. E, com mel e azeite, salvei-me. Desmaquilhava-me com azeite e punha todos os dias mel na cara. Percebi sempre que me conseguia salvar a mim própria”, explica.

Lisboa, 18/02/2016 - Esta tarde, fotografamos Lara Franco, fundadora da Soap Porn, marca de sabonetes portuguesa feita só com ingredientes naturais (Orlando Almeida / Global Imagens)

“Adoro sabonetes – acho a coisa mais bonita do mundo – e são uma coisa que se usa no dia-a-dia e de que eu sempre senti falta: os sabonetes que usava acabavam sempre por me secar a pele”, conta

Na altura, grávida de três meses, decidiu deixar o trabalho na revista e começar a trabalhar apenas como freelancer. Estar em casa depois de o bebé nascer trouxe-lhe o tempo livre de que precisava para pensar noutras oportunidades.

A aventura começou, por isso, poucos meses depois. “Adoro sabonetes – acho a coisa mais bonita do mundo – e são uma coisa que se usa no dia-a-dia e de que eu sempre senti falta: os sabonetes que usava acabavam sempre por me secar a pele”, conta. Começou a aventura dos sabonetes com um anticelulite.

“Fazia aquilo que muita gente faz: o café, o sal, o azeite, o açúcar e esfoliava a pele. Experimentei durante um mês e resulta. E comecei a pensar que aquilo era uma chatice, ter a pasta feita, sujar a casa de banho, e que se houvesse uma coisa mais compacta era capaz de facilitar.

Pesquisou mais ingredientes, fez os primeiros sabonetes, em pequenas doses, e deu-os a experimentar a pessoas mais próximas. A prova de que havia espaço no mercado para os sabonetes coloridos que fazia na sua cozinha chegou pela voz do público-alvo.“Senti que podia mesmo criar qualquer coisa quando comecei a ter feedback positivo das pessoas. O momento em que decidi que eu ia vender foi quando me apaixonei pela Lupita, experimentei e disse: se as outras pessoas sentirem o que eu estou a sentir, isto vende de certeza. Pensei em vender quando acreditei que havia gente que podia comprar. Andei os primeiros meses em experiências, sem saber bem se ia levar tudo a sério ou não”, detalha.

Há pouco mais de um mês, lançou a marca nas redes sociais e na internet, com um investimento “no limite” que prefere não adiantar. “Gostava de fazer disto um negócio sério. Obviamente, neste momento, nem estava a pensar que ia ter o feedback que estou a ter mas, como é óbvio, se pensar nas coisas a um longo prazo, gostava de abrir a minha loja/ateliê, um espaço onde pudesse trabalhar e, ao mesmo tempo, vender os produtos. Porque… a minha cozinha está um caos”, explica, adiantando: “Já não jantamos na mesa da sala há imenso tempo, jantamos no sofá, com tabuleiros. Jantamos todos no sofá porque a mesa da sala está cheia de sabonetes”, brinca.

Mas o crescimento, garante, passará pelo investimento. E isso só depende de uma coisa: da vontade dos clientes.

Como super-heroínas em forma de sabonete, a Soap Porn tem muitas personagens que contam histórias. A Zula é profissional no combate contra a celulite: feita de café e gengibre, combate as manchas, ativa a circulação sanguínea e tem propriedades anti-inflamatórias.

Além destes superpoderes, tem aveia e sementes de chia que ajudam a esfoliar e a eliminar as células mortas da pele. A Lupita é especialista em antienvelhecimento: feita de leite de cabra, óleo de abacate e de amêndoas doces, limão, alecrim e óleo de rosa mosqueta, combate as rugas e os sinais de cansaço da pele. Já a Tchítchi é a companheira ideal do duche do despertar: cenoura, pepino, aloe vera, laranja e óleo de côco são alguns dos segredos desta sabonete amarela.

E de onde vem o nome, afinal? Das miúdas-sabonete, garante Lara. “Foodporn, windowsporn, book-shellporn, tudo é porn hoje em dia. E pensei: hashtag SoapPorn. Dava para brincar com todo o conceito que eu queria, dos meus sabonetes, e torná-las pessoas, que elas ganhassem vida, de alguma forma. Assim, todas elas têm vida”, diz.

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