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Sound Particles: O primeiro investimento da Indico que já tem um pé em Hollywood

Nuno Fonseca é o CEO da startup portuguesa Sound Particles. Foto: Direitos Reservados
Nuno Fonseca é o CEO da startup portuguesa Sound Particles. Foto: Direitos Reservados

A startup recebeu uma ronda de financiamento que vai ser canalizada para expansão da equipa e aceleração de desenvolvimento do produto.

A Sound Particles é uma startup que tem um software de audio 3D. Nasceu oficialmente em 2016, em Leiria. Apesar da sua tenra idade, já tem um pé cada vez mais firme na meca da indústria cinematográfica. Recebeu agora uma ronda de financiamento pre-seed no valor de 400 mil euros, liderada pelo primeiro fundo da Indico Capital Partners, capital de risco que investe em startups, e realizado em conjunto com a REDAngels.

O software desenvolvido por Nuno Fonseca, CEO e fundador da empresa, aplica conceitos de computação gráfica ao som. Os sistemas de partículas – ferramenta de computação gráfica – usados em imagem permitem criar e gerir milhares de pequenos objetivos, não tendo por exemplo grãos de areia ou fumo de serem animados como pontos individuais. A Sound Particles criou um sistema que faz o mesmo mas com o som.

“Estamos a utilizar as mesmas tecnologias que são utilizadas em computação gráfica mas estamos a aplicar tudo isso não para criar imagens mas para criar som, que é uma abordagem completamente diferente”, diz Nuno Fonseca ao Dinheiro Vivo. “Quais são as grandes vantagens de fazermos as coisas de uma forma diferente?! Por exemplo, a questão dos sistemas de partículas. Para criar uma batalha hoje, se estou a trabalhar num filme que tem uma explosão aqui, outra acolá, e tiros. Provavelmente, passado oito horas vou ter 50 sons a tocar ao mesmo tempo, com o [nosso] software consigo chegar e dizer-lhe ‘quero dez mil sons espalhados por um quilómetro quadrado’; e consigo ter dez mil sons construídos em alguns minutos. É uma escala completamente diferente”.

A importância desta solução pode ser percecionada melhor se pensarmos que, só em dois anos, a empresa já participou em algumas dezenas de filmes internacionais, entre eles o “Aquaman”, “Carros 3”, “Batman versus SuperHomem”, “A Múmia”, “Wonder Woman”, “Liga da Justiça” e “Dia da Independência 2”. Além disso, o software da empresa portuguesa está nomeado para os prestigiados prémios da Cinema Audio Society (Associação de misturadores de som de Hollywood) e foi igualmente um dos finalistas para os prémios científicos da Academia (Óscares) em 2018.

Stephan de Morais, Managing General Partner da Indico, diz ao Dinheiro Vivo que “a Sound Particles reúne as características clássicas que um VC [venture capital que é uma capital de risco que investe em startups] procura numa empresa desta natureza”.

“Tem um produto que é absolutamente único à escala mundial. Quando estávamos analisar a oportunidade de investimento falámos com designers de som de todo o mundo, nomeadamente de Hollywood, e todos nos disseram sistematicamente que a empresa resolvia um problema na forma de desenhar o som para os filmes muito complexos. E que antes algo que lhes demorava um dia fazer, agora fazem-no em meia hora. Isto é uma prova clara de um break through, de uma tecnologia que está a mudar uma indústria”, justifica o gestor. Por outro lado, a empresa de Leiria além de trabalhar para a indústria do cinema, pode também cooperar com o mercados dos videojogos e da realidade virtual, acrescenta.

Este financiamento permite à startup expandir a sua equipa e também acelerar o desenvolvimento tecnológico.

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