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Sound Particles. Tecnologia portuguesa ao serviço de Hollywood

Nuno Fonseca é o CEO da startup portuguesa Sound Particles. Foto: Direitos Reservados
Nuno Fonseca é o CEO da startup portuguesa Sound Particles. Foto: Direitos Reservados

A startup de Leiria recebeu recentemente uma ronda de investimento do fundo português Indico.

Nuno Fonseca há muito que tem três amores: cinema, som e tecnologia. A dada altura, este engenheiro e antigo professor universitário percebeu que os efeitos visuais mais interessantes no cinema utilizavam algo chamado de sistemas de partículas: “Uma técnica muito utilizada em computação gráfica que permite que sejam criados milhões de pequenos pontos para simular fogo, chuva, tempestades de areia, pó, fumo e explosões.” E pensou: porquê não utilizar o mesmo método para o som. A ideia não passou disso durante uma década.

Em 2012, findo o doutoramento, e percebendo que ninguém tinha ainda criado este sistema, atirou-se ao trabalho e desenvolveu o seu “simulador de partículas na área do som”. Dois anos depois, e já com o bilhete para Los Angeles (EUA), onde ia participar numa conferência, decidiu contactar os principais estúdios cinematográficos. A mensagem dizia que estava a trabalhar na área do som, particularmente em algo que poderia ser interessante para grandes produções, e que se os responsáveis por esta área dos grandes estúdios tivessem interesse, podiam conversar.

“Uma das primeiras respostas que tive foi dos Skywalker Sound, o estúdio de som criado por George Lucas aquando da Guerra das Estrelas e que hoje é a maior empresa de som para cinema em todo o mundo. Convidaram-me a fazer uma apresentação para a equipa de design de som deles. E depois, no espaço de seis meses, dei palestras em todos os grandes estúdios. Na altura, o software ainda não tinha sido sequer lançado; tinha só um pequeno protótipo”, recorda. No fim de 2015, lançou a primeira versão do software e no ano seguinte a empresa. “Passo a passo” foi o contacto com os grandes estúdios. Primeiro por email, depois a experiência dos engenheiros foram sendo transmitidas a outros. “O processo foi crescendo, e como não existe nenhuma alternativa, ou algum produto similar, e como no nosso caso quanto maior for a superprodução, maior a mais-valia em utilizá-lo” fomos ficando mais conhecidos, explica.

O software desenvolvido por Nuno Fonseca aplica assim conceitos de computação gráfica ao som. Os sistemas de partículas usados em imagem permitem criar e gerir milhares de pequenos objetivos, não tendo por exemplo grãos de areia de serem animados como pontos individuais. A Sound Particels criou um sistema que faz o mesmo mas com o som. “Quais são as grandes vantagens de fazermos as coisas de uma forma diferente?! Para criar uma batalha hoje, se estou a trabalhar num filme que tem uma explosão aqui, outra acolá, e tiros, provavelmente, passadas oito horas vou ter 50 sons a tocar ao mesmo tempo; com o [nosso] software consigo chegar e dizer-lhe ‘quero dez mil sons espalhados por um quilómetro quadrado’; consigo ter dez mil sons construídos em minutos. É uma escala completamente diferente”. Nestes dois anos, a solução desta startup já foi usada em cerca de meia centena de filmes de Hollywood.

O financiamento que receberam da Indico e da REDAngels permite-lhes expandir a equipa. E vai ser usado para “acelerar o desenvolvimento e podermos avançar mais rapidamente para implementarmos a nossa visão. E para podermos começar a estar em eventos da indústria”. O principal mercado da empresa é o cinema mas tem já um pé na indústria dos vídeojogos e da televisão.

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