fazedores

Startup do Porto que cria humanos digitais recebe investimento de 4,4 milhões

Verónica Orvalho, fundadora e CEO da Didimo, uma startup de criação de identidade digital usando a realidade aumentada. 
(João Manuel Ribeiro/Global Imagens)
Verónica Orvalho, fundadora e CEO da Didimo, uma startup de criação de identidade digital usando a realidade aumentada. (João Manuel Ribeiro/Global Imagens)

Didimo contou exclusivamente com investidores portugueses nesta operação e prepara-se para atacar mercado da saúde no final de 2020.

A Didimo é uma startup do Porto que está a atrair a atenção do mercado porque consegue criar versões digitais de qualquer ser humano de alta fidelidade. Acabou de levantar um investimento de 4,4 milhões de euros junto de parceiros portugueses. Depois de provar que esta tecnologia funciona, 2020 vai ser o ano em que a empresa fundada por Verónica Orvalho vai começar a vender e duplicar a equipa para mais de 40 pessoas. No final do próximo ano, a Didimo também vai apostar no mercado da saúde.

“O objetivo principal é começar a vender esta tecnologia para o mercado internacional do entretenimento digital e do retalho”, salienta Verónica Orvalho, líder e fundadora da Didimo, em entrevista ao Dinheiro Vivo. A injeção de capital também é crucial para financiar a contratação de talento, “que na área onde nós trabalhamos, de alta tecnologia, nos obriga a procurar os melhores profissionais, que são muito caros”.

Portugal Ventures, Farfetch (liderada por José Neves), Bynd Venture Capital, Beta-i e a LC Ventures foram as entidades portuguesas que participaram nesta operação, numa aposta deliberada de Verónica Orvalho. “Houve uma grande preocupação em contar sobretudo com investidores portugueses. Quis puxar pelo nosso ecossistema.”

Este financiamento juntou-se aos 1,8 milhões de euros que a Didimo recebeu, em junho, da Comissão Europeia, no âmbito do projeto-piloto Accelerator do Conselho Europeu da Inovação.

Ainda antes da série A de investimento, a startup do Porto já angariou um total de mais de 7,2 milhões de euros junto do mercado. E ainda poderá vir um investidor internacional nos próximos meses, apurou o Dinheiro Vivo.

As cinco etapas da Didimo

Incubada no polo de Leça da Palmeira do UPTEC, o Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, a Didimo ganhou tração por criar humanos digitais. Cada Didimo (‘gémeo’ em grego) é criado em apenas 20 segundos.

Com uma simples selfie. podemos transformar-nos na nossa versão virtual animada com uma fidelidade incomparável na indústria de modelação em três dimensões e sem precisarmos de conhecimentos de engenharia ou de arte. Podemos experimentar esta solução através de uma aplicação em fase de testes, chamada Didimo Xperience e que pode ser descarregada para qualquer smartphone com sistema operativo Android ou iOS.

Para já, esta startup está apostada em vender esta solução em modo de software como serviço (SaaS, na sigla original). O grande objetivo passa por “ajudar todas as crianças do mundo a aprender. Só assim é que vamos ajudar a acabar com a pobreza”. Verónica acredita que essa meta vai ser alcançada “lá para 2023”.

Até lá, no escritório da Didimo, há um quadro desenhado à mão com as cinco etapas que esta plataforma tem de percorrer para “alcançar o Evereste”. Fundada em 2016, a fazedora nascida em Buenos Aires já cumpriu dois desses objetivos, que funcionam como camadas. E em cada camada, vão sendo acrescentadas novas áreas de negócio.

Didimo, a startup do Porto que cria humanos digitais

Tudo começou com o protótipo. “Na primeira etapa, tivemos de construir a tecnologia e criar animações na cara. Os olhos e a boca têm de ficar bem e a formologia tem de estar bem para definir como a nossa construção se vai desenvolver”. Esta solução foi testada por gigantes como a Sony e a Amazon.

Logo a seguir, “acrescentámos os corpos, com roupa, para desenvolver o humano digital”. Foi a partir desta fase que a Didimo chegou ao entretenimento digital e ao retalho.

“Na indústria de entretenimento, já criámos humanos digitais em aplicações interativas e em jogos. Estamos num jogo da PlayStation, o Atom Republic”. Esta é a área que permite integrar mais facilmente o nosso potencial. É a indústria mais desenvolvida e foi a nossa plataforma de lançamento.

No retalho, a startup do Porto tem uma parceria com a Farfetch. Quando se procura uma roupa de luxo, o potencial consumidor pode ver como lhe assenta a peça no corpo, numa experiência muito parecida com a da loja física. Os resultados têm sido tão positivos que “já estão a ser negociadas mais parcerias na moda de luxo”. E até poderão entrar nas lojas físicas “mas sempre lado a lado com a loja online”.

2020 será o ano para implementar a fase três. “Vamos desenvolver o comportamento do nosso humano digital, integrando a componente emocional e psicológica”. No final do próximo ano, a Didimo conta juntar a saúde como a terceira área de atividade.

Na quarta etapa, serão acrescentadas as componentes de interação e conetividade, “através do desenvolvimento de sistemas de chatbots, onde controlamos o nosso humano digital sendo sempre fiel a quem controla a nossa figura e dispensando, em princípio, a inteligência artificial”.

A última etapa passa pela criação de todo o ecossistema em torno dos humanos digitais. “Qualquer criança ou qualquer pessoa no mundo podem conectar-se no mundo e entre elas aprenderem uma com a outra”, prevê a fazedora com tom de entusiasmo.

Equipa duplica

Avançar entre as várias etapas, ao contrário do alpinismo, vai obrigar a Didimo a ter cada vez mais elementos até chegar ao topo. Verónica Orvalho lidera, atualmente, uma equipa descentralizada, de 22 pessoas, dividida entre Leça da Palmeira, Vancouver e Londres. Durante 2020, “queremos duplicar a equipa”, com a contratação de talentos altamente especializados. Algumas das vagas podem ser encontradas através desta página.

Os novos membros da Didimo vão juntar-se a talentos que já trabalharam nos estúdios da Electronic Arts e ao vice-presidente para a área de produto, que já trabalhou 11 anos para a Pixar e ajudou a lançar o software de animação Maya para o mercado.

A ajudar a contratação destes talentos está o facto de Verónica Orvalho ter trabalhado, na última década e meia, em pesquisas inovadoras em computação gráfica, que resultaram em invenções que foram usadas pela Universal Studios, Sony, Microsoft, Amazon e outros projetos de investigação financiados por fundos europeus.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
O presidente do Novo Banco, António Ramalho, discursa na cerimónia de lançamento do Projeto de Divulgação Cultural do Novo Banco. Fotografia: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Banca custou ao Estado mais 1,5 mil milhões de euros em 2019, agora ajude

coronavirus portugal antonio costa

Proibidos ajuntamentos com mais de cinco pessoas. Aeroportos encerrados

O primeiro-ministro, António Costa, fala aos jornalistas no final da reunião do Conselho de Ministros após a Assembleia da República ter aprovado o decreto do Presidente da República que prolonga o estado de emergência até ao final do dia 17 de abril para combater a pandemia da covid-19, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, 2 de abril de 2020. 
 MÁRIO CRUZ/POOL/LUSA

Mapa de férias pode ser aprovado e afixado mais tarde do que o habitual

Startup do Porto que cria humanos digitais recebe investimento de 4,4 milhões