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Cinco anos de Startup Lisboa. O balanço de Miguel Fontes

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A propósito dos cinco anos da incubadora, o diretor Miguel Fontes faz um balanço do passado e fala das perspetivas de futuro.

É uma das incubadoras mais mediáticas do país. A Startup Lisboa, sediada em plena Baixa da capital, já foi a casa de projetos que ganharam uma dimensão que ultrapassou as fronteiras nacionais, como a Uniplaces, a Chic by Choice e a Codacy. É uma referência no ecossistema empreendedor português e na quinta-feira celebra cinco anos. O aniversário foi o pretexto para o Dinheiro Vivo falar com o diretor Miguel Fontes.

A conversa arrancou pelo orçamento municipal participativo, através do qual os munícipes lisboetas pediram a criação da incubadora: “É uma marca simbólica de Lisboa. É muito interessante destacá-la e dizer que o caso da Startup Lisboa nasce da vontade dos cidadãos em ter uma incubadora de empresas. É uma história bonita de ser contada”, admite Miguel Fontes.

António Costa era então o presidente da Câmara e vários fatores se alinharam. “Lisboa estava a ter uma procura crescente, em termos de empreendedores e de pessoas que queriam criar e fazer acontecer. Por outro lado, havia um tecido económico que necessitava de ser revitalizado e de ter outra capacidade, o que foi associado à preocupação de trazer alguma regeneração urbana, alguma redinamização das zonas históricas da cidade. Não é por acaso que a Startup Lisboa nasce na Baixa, com o seu primeiro edifício na Rua da Prata”, conta o diretor.

Desde o início que alguns projetos acabaram por se revelar vencedores: das empresas fundadoras fazem parte a Uniplaces, de alojamento universitário, a Hole19, uma aplicação para jogadores de golfe, e a Pumpkin, uma plataforma para famílias. Três projetos que, segundo Miguel Fontes, “respiram saúde”.

Mas nem só de sucessos é feita a Startup Lisboa. Ao longo dos seus cinco anos, a incubadora viu muitas empresas não darem certo. “Quando falamos de startups e empreendedores, a coisa mais normal do mundo é haver muitas que falham e muitos modelos de negócio que não sobrevivem. Aqui, como em Silicon Valley, como em Berlim, como em Londres. Faz parte do ADN de quem empreende. É evidente que gostamos de dar destaque aos casos mais bem-sucedidos, mas o mais importante não é o sucesso, é a tentativa”, defende, acrescentando que é necessário valorizar mais quem assume riscos. “Portugal, culturalmente, penaliza muito quem empreende e cobra demasiado os insucessos. Temos mesmo de desdramatizar isso e não olhar para quem montou uma ideia e uma empresa e não conseguiu ser bem-sucedido como um fracassado.”

Miguel Fontes é diretor da Startup Lisboa há cerca de um ano, desde que João Vasconcelos foi convidado para secretário de Estado da Indústria do atual governo. “O João Vasconcelos projetou a Startup Lisboa para aquilo que ela é hoje. Obviamente que temos estilos diferentes e momentos históricos diferentes. Ele fez a Startup Lisboa do zero e eu encontrei uma realidade, para o bem e para o mal, já construída. Tento potenciar aquilo que tem de bom e fazer melhor o que houver para corrigir”, explica Miguel Fontes, assumindo que é bom para o empreendedorismo português ter o anterior diretor da incubadora no governo. “Ele conhece muito bem as necessidades deste ecossistema, isso é muito positivo para nós. Não só para a Startup Lisboa mas também para a UPTEC no Porto, a Startup Braga e por aí adiante.”

E com cada vez mais incubadoras, aceleradoras e espaços de cowork no mercado, Miguel Fontes não sente que a posição da incubadora da capital esteja em risco. “Vivo isso com muita tranquilidade. Não há nenhum drama em ver tanto projeto a acontecer. O mercado é que vai indicar se estamos com espaços a mais ou não. Para sobreviverem, é preciso que cada um apresente uma proposta de valor. Nós queremos diferenciar-nos em fazer muito bem o nosso trabalho. Ou seja, a nossa proposta garante um acesso a bons mentores, a bons parceiros, com condições interessantes para as startups, a uma boa comunidade com uma boa programação e a uma excelente comunicação interna e externa que projete os incubados. Porque o sucesso das nossas startups é o nosso sucesso. E, por último, pôr os empreendedores em contacto com investidores, no momento certo”, explica.

Mas da proposta da Startup Lisboa também faz parte a novidade e a evolução. A incubadora lisboeta esforça-se por ter sempre novos projetos que possam beneficiar a sua comunidade e neste momento têm um megalómano em mãos: o Hub Creativo do Beato. “O Beato é o grande projeto da Startup Lisboa dos próximos anos. É um privilégio que nos tenha sido atribuída essa missão por parte do município. É nisso que temos estado a trabalhar. Posso desde já dizer que o novo Hub Criativo do Beato quer-se como espaço aglutinador de tudo o que seja inovador. Queremos fazer ali um polo de tudo o que, debaixo desta ideia de inovação, seja uma referência no âmbito das indústrias criativas, no âmbito do mundo empreendedor, do mundo empresarial, de tudo o que seja ligado à investigação e ao desenvolvimento. No fundo, dos conceitos que estão a estruturar essa visão do Beato. É um projeto que tem uma ambição muito grande. São mais de 20 edifícios com mais de 35 mil m2, há muito desativados. Há desafios complexos, mas é um projeto que marca o presente e o futuro da Startup Lisboa neste momento”, conta Miguel Fontes.

“O Beato é o grande projeto da Startup Lisboa dos próximos anos. É um privilégio que nos tenha sido atribuída essa missão por parte do município.”

E se o espaço do Beato é um projeto para o médio e longo termo, no curto prazo há outro, prestes a nascer: o Host. “Lançámos um desafio aos nossos parceiros internacionais para um programa que permite que, quando um empreendedor se desloca por um período curto, possa ter uma âncora noutra cidade. Ou seja, um espaço em espelho ao que tem do seu sítio de origem.” O Host funcionará através de uma app, que estará pronta até março, e é mais uma iniciativa para garantir o sucesso e crescimento da Startup Lisboa, que tem objetivos para mais cinco anos. “Temos pelo menos a ambição de continuar a ser a entidade de referência no ecossistema empreendedor de Lisboa”, conclui Miguel Fontes.

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