Programa de aceleração

Startup portuguesa Undersee escolhida para aceleração na Noruega

Tiago Cristóvão e Jorge Alexandre Vieira, cofundadores da Undersee
Tiago Cristóvão e Jorge Alexandre Vieira, cofundadores da Undersee

Empresa que transforma barcos em ‘satélites marítimos’ recebeu investimento de 150 mil dólares da aceleradora Katapult Ocean

A nova aceleradora norueguesa Katapult Ocean andou à procura de startups do mar em Portugal e encontrou o que desejava com a Undersee. A startup de Coimbra foi uma das 11 escolhidas entre mais de 500 candidaturas ao primeiro programa de aceleração da Katapult, que irá decorrer em Oslo até 8 de abril e significa um investimento de 150 mil dólares na empresa.

“Vimos muitas empresas excelentes de Portugal e a Undersee foi a nossa primeira escolha”, garante Maren Hjorth Bauer, CEO da Katapult Ocean. O que atraiu a aceleradora foi o potencial do sistema desenhado pela startup portuguesa para a indústria da aquacultura, que “combina dados de sensores e de satélites de uma forma única.”

A tecnologia da empresa evoluiu consideravelmente desde 2014, altura em que o CEO Jorge Alexandre Vieira teve a ideia de “fazer uma coisa inovadora.” O que começou por ser um drone subaquático acabou por se transformar num dispositivo com sensores, software proprietário e ligação à nuvem para recolha de dados em tempo real. É essa a proposta da startup: um sistema que permite a monitorização de diferentes indicadores em ambientes subaquáticos e pode ser adaptado a vários fins.

A evolução aconteceu graças à entrada num programa com a Agência Espacial Europeia (ESA), o ESA Business Incubation Centre Portugal, em 2016. “Fizemos um sistema adaptável a plataformas que já existem de forma a reaproveitar para a monitorização ambiental, por isso mudámos do drone para este aparelho”, explica ao Dinheiro Vivo o CEO da Undersee, Jorge Alexandre Vieira. O conceito que está incubado na ESA “é transformar qualquer barco num satélite marítimo”, com o propósito da monitorização ambiental, algo que convenceu a Katapult a escolher a startup portuguesa.

Há aqui vários caminhos que a empresa pode seguir. Um deles é a deteção de eflorescências de algas tóxicas para salvaguardar a aquacultura offshore – algo em que estão a trabalhar com a ESA ao colocar o aparelho nas jaulas de aquacultura e aplicar modelos de previsão. Quão sério é o problema? Muito. Em 2016, um crescimento explosivo de algas tóxicas no Chile provocou perdas de 800 milhões de dólares em aquacultura de salmão. Os satélites permitem prever uma eflorescência, mas não determinam se é tóxica ou inofensiva. “Se conseguirmos um sensor que diga que é tóxico, torna-se uma mais-valia muito grande”, diz o CEO, explicando que a intenção é identificar “a toxina específica que ataca o salmão” e identificando como “missão” criar uma solução que previna este tipo de perdas.

Tecnologia em águas portuguesas

Em paralelo com o programa em Oslo, a Undersee aguarda para instalar os primeiros aparelhos em dois cacilheiros da Transtejo, fruto de um projeto com o Instituto Superior Técnico. “Os barcos vão estar a fazer monitorização ambiental durante um ano e meio”, adianta o responsável. Os dispositivos vão recolher dados continuamente e o IST irá construir modelos de previsão em cima deles, com o intuito de realizar vários estudos ambientais.

Aqui volta a entrar um projeto com a ESA, o Kick Start Activity, que começou em novembro e termina em abril. Neste programa, estão a trabalhar na evolução do software para adicionar funcionalidades em termos de visualização de dados e a fundir com dados de satélite, para apresentar um mapa de temperaturas, pH e outros parâmetros de qualidade da água em tempo real, a partir do barco.

Na Noruega, onde a aceleração será liderada pelo cofundador Tiago Cristóvão, o trabalho é sobretudo estratégico. “Vamos afinar o modelo de negócio, que é algo que nunca ninguém fez”, explica Jorge Alexandre Vieira, referindo-se ao formato de sistema completo que a Undersee criou. “Não vendemos o hardware, é sempre um serviço”, explicita. “Aqui é que nos distinguimos: colocamos o hardware, fazemos a manutenção dos sensores, que têm de ser recalibrados e limpos, e o cliente não se preocupa absolutamente com nada.” O protótipo foi concluído em 2018, com testes feitos em ambiente real, e a equipa de quatro pessoas foi uma das vencedoras do Blue Bio Value, um programa de aceleração focado em biotecnologia marinha da Fundação Oceano Azul e Calouste Gulbenkian.

Em Oslo, a startup tem agora acesso a um piso de utilização exclusiva, com postos de trabalho, salas de apresentações e refeições incluídas. Nos próximos três meses, um dos grandes objetivos será ganhar o primeiro piloto na Noruega. “A equipa da Katapult está ali o dia todo a dar apoio e vêm mentores de fora, investidores, pessoas de outras empresas a partilhar a sua experiência”, descreve Jorge Alexandre Vieira. Entre os objetivos estão também o “afinar dos indicadores de performance” e “networking”, num exercício de aceleração que culminará com um ‘demo day’ para 300 pessoas. “O projeto evoluiu logo numa semana”, diz o CEO, elogiando a organização dos noruegueses. “É espetacular.”

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