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Água. Startups apresentam soluções eficientes e baratas

Goreti Sales, investigadora do Instituto Superior de Engenharia do Porto.
Fotografia: Adelino Meireles/Global Imagens
Goreti Sales, investigadora do Instituto Superior de Engenharia do Porto. Fotografia: Adelino Meireles/Global Imagens

Congresso sobre a inovação em torno do uso da água arranca no domingo, no edifício da Alfândega do Porto.

“A inovação no setor da água: Colmatar as lacunas, criar oportunidades” é o tema do congresso Porto Water Innovation Week, que vai reunir na Alfândega do Porto, a partir de amanhã, mais de 900 participantes das mais diversas áreas do conhecimento. E como se trata de inovação, as startups são convidadas especiais, com uma competição entre 16 finalistas de 28 candidaturas internacionais.

Cada uma delas apresentará o seu projeto, durante três minutos, para convencer um júri composto pela UPTEC, Isle Utilities, Global Impact Partners e Launch Factory 88. Das 16 startups finalistas, cinco são portuguesas e o Dinheiro Vivo foi conhecer os projetos que algumas vão apresentar no palco do congresso.

Biomark, Sensor Research

Não se trata de uma startup, mas de um grupo de investigação do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), que vai apresentar uma aplicação técnica para a indústria.

“O que vamos apresentar, de uma forma simplificada, são umas tiras de papel modificado, tal como as que se utilizam para fazer os testes de urina, mas para medir os níveis de antibióticos usados em meio aquático, se estão acima ou abaixo do ideal”, explicou Goreti Sales, do ISEP, responsável por esta investigação.

“A ideia é simples, mas pode resultar em grandes poupanças para a indústria da aquacultura, pois sabe exatamente as quantidades de antibiótico a utilizar e é igualmente fundamental para proteger o meio ambiente.”

Além disso, refere a investigadora, “o papel está modificado para antibióticos, mas pode ser alterado para outras substâncias”.

Para já, o projeto ainda não foi apresentado à indústria, mas foi tese de doutoramento, premiada a nível mundial, e “irá agora ao congresso Porto Water Inovation Week”. A investigação “foi das mais baratas que fiz até hoje. O total foi de cerca dez mil euros”, disse a investigadora.

Talentmolecule

Talentmolecule, startup localizada em Braga, tem por finalidade a investigação, desenvolvimento, descontaminação, impressão, comercialização, distribuição, instalação, manutenção e produção de nano materiais para soluções ambientais e industriais.

E, como afirma Alexandre Pinto, um dos sócios da empresa, o que vai apresentar no congresso “é um filtro a que foram impressos nanomateriais que permitem tirar os metais pesados da água. A tecnologia para retirar da água essas partículas já existe, mas é cinco vezes mais cara do que os nossos filtros. Ou seja, é uma solução eficiente e barata, o que representa um ganho”.

O protótipo foi desenvolvido por um investigador sueco, que está na Universidade de Braga, onde existe “um departamento de nanotecnologia de referência na Europa”, diz, e por dois portugueses, sócios de uma sociedade de capital de risco, “que decidiram apostar nesta ideia”.

O filtro foi pensado para a indústria, para reduzir a poluição da água, mas “os primeiros interessados foram a indústria farmacêutica, para tratar a água antes de entrar na fábrica, para garantir a sua total qualidade, mesmo em casos mais desfavoráveis”, referiu Alexandre Pinto.

A investigação foi feita com capitais próprios, na ordem dos 50 mil euros.

Trigger.Systems

É uma startup tecnológica focada em inteligência e tecnologia. Foi fundada há um ano por dois agrónomos que se dedicaram a estudar outras áreas além da agronomia, como programação e microcontroladores. No congresso vão apresentar “uma tecnologia inovadora que vai revolucionar o mercado”, afirmou o CEO, Francisco Manso.

“Todos nós já passámos por um jardim a ser regado num dia de chuva, desperdiçando vários litros de água. Desenvolvemos um equipamento que permite a gestão eficiente de rega mesmo em locais remotos. Um controlador de rega, cuja bateria dura muito mais do que os controladores atuais presentes no mercado, custa sensivelmente o mesmo e pode ser controlado centralmente de qualquer parte do mundo através do telemóvel ou do computador.”

E frisou, “esta tecnologia foi validada em Lisboa e está pronta para ser aplicada em vários locais”, adiantando que “investiram muito” na realização deste projeto. “É todo desenhado e concebido por nós, quer a nível do hardware quer do software”, especificou.

Sublinhou que “os utilizadores podem atingir poupanças de água superiores a 40% e também poupar energia, recursos humanos e tempo”. E adiantou que já tem várias encomendas.

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