retalho

Startups de olho no sucesso do negócio da venda de colchões

Bruno Madeira e João Ramos são os fundadores da startup Koala Rest.
(Gonçalo Villaverde / Global Imagens)
Bruno Madeira e João Ramos são os fundadores da startup Koala Rest. (Gonçalo Villaverde / Global Imagens)

Mercado é dinâmico e tem margem para crescer. Portugal acompanha tendência mas Europa ainda está longe dos EUA

A venda de colchões não é um negócio da China, mas traz milhões para o país. Estima-se que o mercado nacional do descanso, este ano, atinja os 105 milhões de euros em preços de venda ao público, mais 5% que 2016. Portugal segue a tendência do estrangeiro, em particular a de Espanha, com uma cultura semelhante. Juntos, os dois países somam 500 milhões de euros anuais, em retalho. Na Europa, o valor ascende aos cinco mil milhões.

Apesar de dinâmico e atrativo para novos players, por cá, o tradicional mercado dos colchões começa a deixar de o ser. “Em primeiro lugar estão a Pikolin e a Molaflex. Só as duas têm uma quota de 50%. Há ainda a IKEA que é um fenómeno em termos de procura por parte do consumidor, também com uma fatia importante. Só depois surgem as outras marcas, mais recentes,” explica Daniel Bragança, diretor-geral da Pikolin Portugal.

Sozinha, a Pikolin estima deter 25% do mercado nacional. A empresa deverá fechar o ano de 2017 perto dos 26 milhões de euros em preços de venda ao público e assume que não está focada na concorrência. “O aparecimento de novas marcas não nos afeta. Pelo contrário, à medida que o mercado vai ficando mais maduro, o próprio consumidor vai-se preocupando cada vez mais com o equipamento de descanso que comprou para casa. E a nossa diferenciação, mais do que o preço, é no investimento em novas tecnologias,” indica o responsável.

O argumento de que passamos um terço da vida a dormir, “mais do que o tempo que passamos no carro, por exemplo,” sublinha Daniel Bragança, surge fácil quando se tenta encontrar uma justificação para o dinamismo do mercado. É que até as startups já entraram no negócio dos colchões.

A portuguesa Koala Rest nasceu este ano para tentar melhorar a experiência de compra do consumidor. “Apostamos no conceito de colchão único que as pessoas compram online e podem experimentar em casa por 30 dias. Não têm aquela pressão de entrar numa loja e ter que se deitar numa carrada de colchões para escolher um com base numa experiência de três ou quatro minutos, sem a possibilidade de devolução, caso não goste ao final da segunda noite,” esclarece o co-fundador Bruno Madeira. A Koala Rest surgiu em março e já pensa terminar o ano com 100 mil euros de faturação. Em janeiro, a equipa pretende entrar no mercado espanhol.

O caminho inverso, ou seja, do estrangeiro para cá, fez a startup alemã Emma, que acaba de chegar ao mercado nacional. “Queríamos ter uma presença europeia e achámos que esta era uma boa altura para vir para estes países do sul, que estão a ter boa resposta a este tipo de produto,” explica Pedro Ferreira, responsável português da marca. Quando questionado sobre o que torna a venda de colchões tão atrativa, mostra-se evasivo. Boas margens? “Prefiro não me pronunciar sobre isso.” Já Daniel Bragança indica que não está aí o segredo do negócio. “As nossas margens são muito pequenas.” Por sua vez, Bruno Madeira assume que os lucros podem ser consideráveis. “Sobretudo nos segmentos mais altos. Mas a perceção das margens loucas existe por causa dos descontos que as lojas praticam, tanto pode ser de 30 como 70%. Um colchão de 2000 euros pode ser vendido a 700. Mas isso acontece porque os clientes desconhecem o produto e por isso acham que se for caro é porque tem qualidade,” justifica.

Todos concordam que o mercado é dinâmico e os portugueses, segundo o Eurostat, gastam mais em produtos para a casa, do seu orçamento disponível, que os franceses ou os britânicos. Ainda assim, o mercado do descanso europeu está muito longe do dos Estados Unidos, onde, em Silicon Valley, o número de startups de colchões tem explodido nos últimos anos. “Não sei se chegaremos ao nível deles. Mas a Europa está a despertar para esta realidade e, em Portugal, imagino que num futuro próximo surgirão ainda várias empresas destas,” acredita Bruno Madeira.

Artigo atualizado às 10h48 de 03/11 com retificação em relação à Pikolin Portugal e aos valores de preços de venda ao público.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Ministro das Finanças, Mário Centeno, na apresentação do Orçamento do Estado para 2019. 16 de outubro de 2018. REUTERS/Rafael Marchante

Bruxelas envia carta a Centeno a pedir o triplo do esforço orçamental

lisboa-pixabay-335208_960_720-754456de1d29a84aecbd094317d7633af4e579d5

Estrangeiros compraram mais de mil imóveis por mais de meio milhão de euros

João Galamba (secretário de estado da energia) , João Pedro Matos Fernandes (Ministro para transição energética) e António Mexia  (EDP) durante a cerimonia de assinatura de financiamento por parte do Banco Europeu de Investimento (BEI) da Windfloat Atlantic. Um projecto de aproveitamento do movimento eólico no mar ao largo de Viana do Castelo.
(Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Mexia diz que EDP volta a pagar a CESE se governo “cumprir a sua palavra”

Outros conteúdos GMG
Startups de olho no sucesso do negócio da venda de colchões