fazedores

Startups têm 150 segundos para impressionar público e investidores

Nuno Pinto é co-fundador e CEO da Coverflex. (Filipe Amorim / Global Imagens)
Nuno Pinto é co-fundador e CEO da Coverflex. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Só na subida ao palco é que as startups estão em ambiente controlado. No resto da Web Summit, há reuniões a toda a hora e muito improviso.

Nuno Pinto disfarça bem o nervosismo e a ansiedade. Falta hora e meia para apresentar a sua startup no palco principal da Web Summit. É no Altice Arena que este fazedor vai fazer o pitch da Coverflex, solução de seguros digital para as empresas e que também vai beneficiar os trabalhadores. São 150 segundos para impressionar público e investidores.

Mesmo habituado a estes momentos, Nuno nunca pisou um palco tão grande como o da Web Summit. Este empreendedor acaba por disfarçar tão bem o nervosismo que só na hora de comer é que vacila um pouco – o pão simples com sementes fica a meio, enquanto o abatanado é sorvido sem tremer. A mulher, Célia, acompanha Nuno no pequeno almoço e foi quem convenceu este homem do Norte a tornar-se um empreendedor.

Há cada vez mais startups portuguesas a subirem ao palco principal da Web Summit. Só este ano, foram 11 as empresas escolhidas para mostrarem o produto na cimeira tecnológica criada por Paddy Cosgrave.

É atrás de uma porta discreta do fórum que subimos para os bastidores do Altice Arena, para um patamar onde não faltam sofás, águas e copos de papel reciclado. Cada um dos oradores entrega o badge [crachá] e, em troca, recebe o microfone para poder brilhar em dois minutos e meio.

“Temos de fazer um equilíbrio entre convencer o público ou os investidores. Os investidores procuram apresentações com muito mais análise. Para o público, é preciso uma apresentação que entretenha. A Web Summit está a ficar tão mainstream [popular] que é cada vez mais um show de entretenimento. Isso prejudica-nos porque temos muito mais tração que alguns concorrentes. Ideias para o espaço, mesmo sem vendas, acabam por ter muito mais sucesso”, ressalva André Jordão, líder da Barkyn, serviço de subscrição para os donos de cães.

Meses antes, Nuno Pinto já sabia que ia passar pela Web Summit. “A Coverflex foi uma das primeiras startups a ser confirmada para o palco principal de uma das maiores cimeiras de tecnologia do mundo.” A apresentação é um momento altamente preparado e controlado pela organização.

O que falta modernizar? Há quatro indústrias onde a tecnologia tarda em chegar

Tendo isso em conta, tenta confirmar a hora do início da apresentação. Nos bastidores, há poucas conversas e o silêncio praticamente impera. Só há 150 segundos para impressionar o público e tentar convencer algum investidor que ainda esteja indeciso.

A produção, entretanto, começa a passar o comando que vai servir para mexer nos slides. São 9h05 e faltam três minutos para começar a apresentação de Nuno Pinto, que estreia-se no Altice Arena. Quem está nos bastidores não sabe quantas pessoas estão na plateia.

Às 9h07, dois apresentadores começam a aquecer o ambiente. Durante quase uma hora, mais de uma de uma dezena de startups com alto potencial para 2020 vai justificar a presença no palco.

Nuno Pinto, da Coverflex, no palco principal da Web Summit. (Fotografia cedida por Elisa de Freitas/FES Agency)

Nuno Pinto, da Coverflex, no palco principal da Web Summit. (Fotografia cedida por Elisa de Freitas/FES Agency)

Reuniões de improviso

A Coverflex é precisamente a primeira startup a apresentar-se naquele dia. Sem sobressaltos, os dois minutos e meio passam rapidamente e Nuno volta aos bastidores. A partir daí, acabaram os planos e chegou a hora do improviso.

“Não há qualquer rotina para uma startup na Web Summit. Só hoje, tive duas reuniões que mudaram completamente de hora, reuniões improvisadas a acontecer pelo meio, conversas de 15 minutos…esta é uma das grandes magias da Web Summit: a espontaneidade das conversas”, resume André Jordão.

Este empreendedor também foi ao palco principal mas não teve tempo para muito mais. “Passei 75% do tempo no espaço só para os oradores em reuniões e mal tive tempo para almoçar.” No resto do tempo, até em andamento deu para fazer marcações – enquanto atravessávamos os pavilhões da FIL, deu para um aperto de mão a um investidor e agenda uma reunião para a hora seguinte.

Reportagem com André Jordão, CEO da Barkyn no quarto dia da Web Summit 2019. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Reportagem com André Jordão, CEO da Barkyn no quarto dia da Web Summit 2019. (Reinaldo Rodrigues/Global Imagens)

Mesmo neste ambiente, Portugal ser o organizador da Web Summit acaba por ser conveniente para André Jordão. “Em vez de viajar para Londres e Berlim durante um mês, tenho um investidor durante três dias mesmo ao pé de mim. O tempo é extremamente otimizado e, nesta altura, reforçar as relações com os investidores é muito mais valioso”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Mário Centeno e Pierre Moscovici. Fotografia: REUTERS/Rafael Marchante

Plano orçamental de Centeno para 2020 está outra vez em risco de incumprimento

O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves. 
( Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens )

S&P fixa rating da TAP: abaixo da linha de água, ao nível da American Airlines

Presidente executivo da TAP Antonoaldo Neves. Fotografia: NUNO FOX/LUSA

TAP faz emissão de dívida só para investidores institucionais

Outros conteúdos GMG
Startups têm 150 segundos para impressionar público e investidores