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StudentFinance. A fintech que investe na criação de talento

Mariano Kostelec

Criada por dois fundadores da Uniplaces, a StudentFinance quer ajudar na formação de pessoas na área tecnológica.

As empresas procuram cada vez mais funcionários com competências na área tecnológica. E não se trata de uma moda. Com a digitalização crescente da economia, o talento nestas áreas (que engloba vários segmentos da informática e programação) está a tornar-se um recurso cada vez mais escasso, uma vez que as necessidades também aumentam de dia para dia.

Num relatório sobre o futuro do trabalho, publicado no segundo semestre do ano passado, o Fórum Económico Mundial sugere que, até 2022, a automatização pode levar à deslocalização de 75 milhões de empregos a nível mundial devido a mudanças na divisão do trabalho entre humanos e máquinas. Por outro lado, podem ser criados 133 milhões de novos empregos mais adaptados às divisões de trabalho entre humanos, máquinas e algoritmos.

A StudentFinance é uma fintech (empresa tecnológica que opera no setor financeiro) que quer ajudar a responder a esta necessidade de mercado e “impulsionar a criação de talento [na área tecnológica], ajudando as pessoas a ter acesso a educação de qualidade para entrar em carreiras de alto impacto”.

Fundada no início deste ano por Mariano Kostelec, Miguel Santo Amaro (ambos também cofundadores da Uniplaces, que tem uma plataforma de aluguer de alojamento para estudantes) e Marta Palmeiro, a StudentFinance ambiciona apoiar a aquisição de competências através do financiamento de programas de educação de qualidade. Em troca, os estudantes vão dar uma percentagem do seu salário quando tiverem emprego.

“Este modelo de financiamento – o Income-share-agreement, ou ISA – é um conceito que está a ser cada vez mais implementado, em especial nos Estados Unidos da América. A StudentFinance é a empresa pioneira que está a trazer este modelo para a Europa”, explica ao Dinheiro Vivo Mariano Kostelec, CEO da fintech.

Cabe a esta empresa o pagamento das propinas e “apoiamos os alunos a conseguir trabalho através de uma grande rede de empresas empregadoras com quem colaboramos. Quando [os alunos] acabarem o curso e conseguirem trabalho, auferindo acima do limiar mínimo, pagam uma percentagem do seu salário por um determinado número de anos. Se não chegarem a auferir mais do que o limiar mínimo, ou não conseguirem trabalho, não têm nenhuma obrigação de pagar”.

Mariano Kostelec defende ainda que “hoje em dia, a nível europeu não há nenhuma empresa que concorra diretamente com a StudentFinance”, acreditando, por isso, que “há um grande potencial de desenvolver o negócio” no Velho Continente.

Esta startup foi financiada, até aqui, com recurso aos capitais próprios dos três fundadores. E está a trabalhar para captar uma ronda de financiamento “para impulsionar a empresa para o próximo nível”. Com uma equipa de cinco pessoas, a empresa está em processo de recrutamento e “a criar a nossa equipa de engenharia e ciência de dados e, até ao final do ano, prevemos ter já dez pessoas na equipa”.

Lições da Uniplaces

A StudentFinance não é a primeira viagem no mundo do empreendedorismo de Mariano Kostelec. Em 2011, com Miguel Santo Amaro e Ben Grech fundou a Uniplaces, uma startup que tem uma plataforma para o aluguer de alojamento para estudantes. Reconhece que aprendeu muitas lições com a Uniplaces, embora seja “muito difícil fazer um resumo de tudo”. “Criar uma empresa líder a nível europeu, com mais de 150 empregados em seis países, e que levantou 30 milhões de euros junto de investidores” deram-lhe bagagem para esta nova aventura.

“Em particular, levar as coisas com paciência, saber enfrentar as dificuldades que surgem no caminho de criação de uma empresa. Claro que tudo o que está relacionado com criar uma equipa, procurar investidores, tomar decisões, são coisas que se aprende, e à segunda vez faz-se com mais facilidade e, senão com mais facilidade, pelo menos com confiança sobre como fazê-lo.”

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