Super Agent: Utilizadores controlam privacidade na internet sem cliques

Diogo Minhava Lopes e Francisco Leite de Castro querem facilitar a navegação na internet, através da criação de um centro de gestão de consentimento. A plataforma já conta com mais de 100 mil utilizadores ativos.

Atualmente, navegar na internet é um teste à paciência se quisermos proteger os nossos dados. Em muitas páginas, é preciso recusar, um a um, os cookies a enviar. A Super Agent quer que os utilizadores voltem a controlar a privacidade na internet. Nascida no início deste ano, a startup portuguesa conta com mais de 100 mil utilizadores ativos e quer evoluir para um centro de gestão de consentimento.

"Não é uma escolha livre e as pessoas são coagidas a aceitarem todos os cookies. É demasiado difícil fazer isso de forma manual", destaca Francisco Leite de Castro, um dos fundadores, em conjunto com Diogo Minhava Lopes.

Para já, a solução gere automaticamente, através de uma extensão, as preferências de cookies nos computadores em navegadores (browsers) como Chrome, Firefox, Safari e Edge. Em suporte móvel, está disponível na mais recente atualização de sistema da Apple (iOS 15).

"O Super Agent replica um humano: carrega nas opções de cookies uma a uma e depois grava tudo, em muito pouco tempo." Isto só é possível graças ao algoritmo da empresa, que mapeia todas as preferências e cinge-se às quatro finalidades: marketing, desempenho, analítica e outros.

A gestão dos cookies é apenas o primeiro passo. A Super Agent também quer lançar uma solução para facilitar a aceitação dos termos e condições quando é criada uma conta na internet.

"Poderemos ter um algoritmo que lê os termos e sabe quais são os pontos sensíveis para um utilizador específico e avisar. É devolver o poder às pessoas para tomarem decisões informadas quando navegam na internet, pelo menos em relação aos seus dados."

A ideia para a Super Agent nasceu em 2020, através de um jantar com um fundador de uma empresa tecnológica no Porto. "Era a segunda vez que nos encontrávamos. Como somos pessoas muito enérgicas, começámos logo a trocar ideias e apercebemo-nos de que um dos problemas da internet são os cookies." O fundador comprometeu-se em ajudar Francisco: caso a ideia fosse desenvolvida, poderia ser apresentada a alguns fundos de capital de risco.

Francisco, na altura, trabalhava numa startup americana e começou a fazer planos para despedir-se. Nessa altura, falou com Diogo Minhava Lopes, que trabalhava na Amazon Web Services há menos de um ano.

"Inicialmente, o Diogo mostrou-se relutante e chegou a recomendar alguns especialistas em tecnologias. Só que a pessoa vai para casa e começa a ver os pop-ups em todo o lado. Torna-se ainda mais chato. Três semanas depois, o Diogo ligou-me e falámos mais um pouco."

A Super Agent foi montada em janeiro e em abril foi contratado um programador para dispositivos móveis. Nos primeiros meses, a solução para cookies contava com quatro mil utilizadores ativos. Tudo mudou quando a Apple anunciou a atualização do sistema operativo, lançada em setembro. "Passámos para 100 mil utilizadores ativos em menos de um mês."

Depois de ter angariado 300 mil euros em investimento, a empresa quer captar igual montante nos próximos meses. As receitas vão começar a entrar nos próximos meses, quando for lançada uma ferramenta de gestão de palavras-passe e a solução de gestão de cookies for integrada nas páginas da internet.

"As empresas estão dispostas a gastar dinheiro em ferramentas que facilitem a experiência dos utilizadores. Sabemos que quanto mais coisas chatas houver menor a taxa de conversão."

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