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SurfnCode: Quando um fazedor em série abre um estúdio de startups no Norte

Porto, 08/04/2019 - Shadi Mahassel, líder do estúdio de startups SurfnCode. 
(Rui Oliveira/Global Imagens)
Porto, 08/04/2019 - Shadi Mahassel, líder do estúdio de startups SurfnCode. (Rui Oliveira/Global Imagens)

O norte-americano Shadi Mahassel já criou mais de 10 startups em 25 anos. Agora, quer ajudar outras pessoas a criar negócios de baixo risco.

O estúdio SurfnCode nasceu em Matosinhos para dar equilíbrio às pessoas que querem lançar uma nova startup. Este espaço nasceu graças a Shadi Mahassel, um norte-americano que fundou mais de 10 negócios em 25 anos e que neste espaço quer “construir uma startup cada vez melhor do que a outra”. Shadi juntou-se a mais alguns parceiros neste espaço que reúne um código de 13 regras com a filosofia do surf.

“Não estamos aqui para evitar o falhanço mas sim evitar que se construa o produto errado. Grande parte dos empreendedores apaixonam-se pela ideia cedo – às vezes, demasiado – e começam a falhar logo aí”, lembra o norte-americano em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A SurfnCode não quer ficar conhecida como uma mera incubadora. Segue uma filosofia, com 13 princípios, que foram inspirados no ‘Surfer’s Code’, de Shaun Tomson. Procuram-se sobretudo ideias nas áreas da inteligência artificial e também na criação de plataformas de software as a service. Os negócios são construídos em co-criação com fundadores e novos fazedores.

“Criámos um modelo de trabalho que acelera e retira o risco da procura pelo product-market fit de uma ideia, de uma resposta a um problema. Temos o que chamamos de Product Discovery Framework, que liberta os fundadores de muito do risco inicial.”

Product Discovery Framework é a base de trabalho para a SurfnCode ajudar a criar novos negócios.

Product Discovery Framework é a base de trabalho para a SurfnCode ajudar a criar novos negócios.

Este estúdio atua sobretudo nas fases mais embrionárias, em pre-seed e seed, “onde a maioria das startups falha. Damos aos fundadores ferramentas às quais muitas vezes só têm acesso depois de receberem o primeiro financiamento”.

“Queremos otimizar o processo de encontrar os melhores fundadores de startups, com paixão para liderar projetos, e que haja entusiasmo e conhecimento, ao mesmo tempo. Tudo isto tem de se encaixar em produtos que possam ser utilizados por milhares e milhares de pessoas, com tecnologia muito avançada. As pessoas têm de enviar-nos um e-mail e pedir para falar connosco”, sugere Shadi.

A SurfnCode também faz questão de assinalar que não é uma investidora financeira nas startups que venham a ser criadas. “Queremos constituir-nos como um modelo sustentável de inovação. Para isso, a nossa moeda passa por ter ações das startups. Ficamos com parte do capital da empresa, conforme o risco que estivermos a assumir. Quando a empresa conseguir algum financiamento, continuamos a prestar apoio através de serviços legais e de apoio de recursos humanos.”

A ocupar temporariamente uma das salas do Mercado de Matosinhos, a SurfnCode deverá mudar-se para um espaço próprio, na mesma cidade, já em 2020.

O primeiro produto

Este estúdio esteve a funcionar praticamente um ano sem se dar a conhecer ao grande público. Conta com uma equipa de 10 pessoas, que já ajudou a criar a primeira startup, a Sift.Ai. Esta plataforma permite que as agências de comunicação e de marketing possam criar mais impacto junto dos seus clientes.

Isto é possível porque a Sift.Ai consegue medir as audiências dos meios de comunicação social que muitas vezes não são captadas pelo Google Analytics. Estes dados podem ajudar as agências a escolher melhor os meios para divulgar determinadas informações. Este produto foi desenvolvido pelo antigo diretor-geral da agência Reuters Christoph Pleitgen.

O encontro com Matosinhos

Não é por acaso que a SurfnCode se instalou em Matosinhos. “Aqui, encontramos uma forma de estar equilibrada. O surf não é só para diversão. Temos de ter um ambiente onde é possível criar, ter a ideia, inovar mas de vez em quando é possível sair, apanhar ondas, voltar e trabalhar melhor. Não são só mesas de ténis de mesa engraçadas. É preciso promover um equilíbrio”, destaca o norte-americano.

Fã assumido do surf, este fazedor recorda como descobriu a cidade virada para a praia. “Descobri o nome para o nosso estúdio em Matosinhos, enquanto pensava se haveria de partir ou ficar em Portugal. Comecei a ver as pessoas a surfar e a pensar o que seriam: poderiam ser trabalhadores do mundo tecnológico.”

A equipa de fundadores

A SurfnCode foi “fundada por uma equipa de profissionais com histórico e experiência em tecnologia, produto e investimento em empresas como a Apple, Microsoft, Skype e Amazon.

“O Shadi Mahassel, nosso CEO, desenvolveu o Skype Wifi e trabalhou na Microsoft como Principal Group Program Manager. O John Chang foi senior Software Developer na Apple quase dez anos, e trabalhou na app do Skype com eles. O Koen Vos é um perito mundial em machine learning, algoritmos de predição, etc. E a Isabel Fox investe em deep tech com a Luminous Ventures”, resume Patrícia Lourenço, a responsável de marketing deste estúdio.

O historial de Shadi

“Já criei mais de 10 startups, onde fui sempre a pessoa que teve a ideia, ou que construiu o conceito ou fui uma das primeiras pessoas a integrar os quadros. Sou um verdadeiro viciado em criar statups.” É desta forma que Shadi Mahassel começa a contar a sua história como um fazedor em série.

“Adoro a rapidez e o entusiasmo iniciais. Fascina-me a parte em que começo um conceito e depois o processo de descoberta é que nos leva a construir isso. Admito que ainda não levei uma ideia dos 10 para os 100 milhões. Sou uma pessoa que prefere levar os problemas do 0 para 1. É mais arriscado mas muito mais interessante.

O fazedor lembra-se de que a primeira ideia de negócio a sério surgiu depois de ter recebido o diploma da faculdade, como engenheiro eletrotécnico da universidade do Massachusetts.

“O meu primeiro trabalho foi construir semicondutores que funcionavam por radiofrequência. Tive uma ideia para que fizessemos produtos maiores e mais completos só que a empresa mostrou-se relutante. Aí, pensei: e se eu próprio fizesse isto? Mudei-me para Singapura em 1992 para construir esta startup. Conseguir vender esta empresa e provei que conseguiria criar coisas por mim próprio.”

Depois, recorda o norte-americano, “ajudei um amigo em Silicon Valley a desenvolver um produto de hardware muito à frente do seu tempo. Consegui vender os ativos com sucesso e fundei outra startup.”

Em 1995, Shadi criou uma empresa que construía uma caixa que permitia fazer chamadas internacionais grátis através da internet – isto foi mais ou menos uma década antes de Shadi Mahassel ter trabalhado na Skype. A ideia viria a ser vendida a uma empresa cotada em Bolsa.

Perto da viragem do milénio, em 1999, este empreendedor diz que “criou o YouTube antes do tempo. Criámos uma empresa em que os utilizadores colocavam os vídeos numa página. Em 1999, lançámos uma empresa desse género, um pouco antes de rebentar a bolha das dot.com. Chegámos a angariar entre 50 e 60 milhões de dólares. No entanto, não havia capacidade técnica – faltava largura de banda para os vídeos serem introduzidos na plataforma. Ninguém os conseguiria ver. Não havia conteúdo”, lamenta.

Shadi Mahassel, entretanto, dedicou-se ao aconselhamento na criação de novos negócios e de novos produtos. Depois da passagem pelo Skype, entre 2009 e 2014, o norte-americano ocupou o cargo de vice-presidente para a área de produto da Veniam entre 2016 e 2018.

Mas este ‘vício’ de criar novos negócios instalou-se no código genético de outras pessoas. “O meu filho tem uma ideia e não consigo impedi-lo de parar de pensar. O Adam tem um site e um canal de YouTube. Só tem 11 anos”.

“Há quatro anos, quando passávamos numa ponte sobre o rio Tamisa, em Londres, com a água super suja e acastanhada, ele lembrou-se: e se existissem micro-robots que pudessem ‘comer’ a sujidade. Quando a pessoa tem essa ideia, de repente, começa-se a pensar: não podemos dizer, de repente, ‘isso não é impossível’. Temos de começar a pensar nas pessoas com que temos de falar. Mostrei-me como apoiante orgulhoso e apoiei-o. Com os outros fundadores, não faço isso”, lembra Shadi.

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