Tech titans: Portugal na luta pelo lugar de unicórnio mundial

O vencedor da final portuguesa da KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator pode ser o nosso sexto unicórnio, acredita André Azevedo. A descobrir na Web Summit.

"Portugal tem cinco unicórnios e hoje provavelmente conhecemos o sexto." É assim que o secretário de Estado da Transição Digital, André Azevedo, felicita a DefinedCrowd, vencedora da final portuguesa da KPMG Private Enterprise Global Tech Innovator. A empresa, que trabalha a inteligência artificial numa vertente muito específica - ensinar máquinas a ler e falar - vai representar Portugal na competição mundial, cujo vencedor será conhecido em novembro, na Web Summit. "Há aqui ideias muito válidas e que podem levar ao sexto unicórnio português", refere André Azevedo, acrescentando que chegar lá, levaria o país a um patamar de ainda maior destaque. Isto porque, como afirma o secretário de Estado, quando se faz o rácio de unicórnio por milhão de habitantes "Portugal está muito à frente de países como França ou Alemanha".

Estamos a sair de um período de pandemia e a entrar numa relativa normalização, em termos de saúde pública e da dinâmica económica, onde o ecossistema de empreendedorismo terá um papel importante, em particular as startups, setor que será, em grande medida, o motor de desenvolvimento desta recuperação, numa lógica de que é daqui que nascem as ideias mais interessantes. É a opinião de André Azevedo, que nos reafirma "um verdadeiro viveiro de ideias". O que ficou provado pelo contraciclo do setor. A explicação, diz o governante, está na agilidade e flexibilidade das startups que "é relevantíssima para o modelo económico que queremos promover". A par, claro, "da diferenciação, muito acima da média, dos recursos humanos", assim como da "incorporação tecnológica, que faz com que os modelos de negócio sejam muito mais competitivos que o nosso tecido empresarial normal".

Por outro lado convém não esquecer o momento especial que o empreendedorismo português está a viver, com o elevar da fasquia e do nível de profissionalização de todo o ecossistema. O que vai ao encontro dos objetivos definidos pelo governo de duplicar os principais indicadores, o número de startups, assim como do número de postos de trabalho. A par, claro, a capacidade de captação de investimento. E os oito candidatos finalistas são "bons exemplos". Certo é que neste ano, apesar da pandemia, "já batemos todos os recordes de captação de investimento para este ecossistema".

O secretário de Estado aproveitou para anunciar que o governo está em vias de lançar uma nova Estratégia Nacional de Empreendedorismo, que "pretende construir em cima de todo o trabalho que está para trás - e que nos coloca internacionalmente como país de referência na matéria - mas queremos mais, assumir a liderança e sermos vistos como uma startup nation".

Estamos a entrar num novo ciclo de empreendedorismo que na opinião de André Azevedo está alinhado com uma convergência europeia - a política para a importância deste setor. E as medidas levadas a cabo durante a presidência portuguesa da União Europeia são resultado disso, nomeadamente o acordo a 27 que define a prioridade ao empreendedorismo e a captação para Lisboa da Europa Startup Nations Alliance, que faz de Lisboa "uma nova sede de empreendedorismo". A aposta do governo vê-se no montante alocado ao setor: 125 milhões.

DefinedCrowd à conquista do troféu mundial

A empresa portuguesa fundada em 2015 e com presença em Tóquio e Seattle tem como objetivo ajudar as máquinas a ler e a falar. Um serviço com enorme potencial de mercado e de utilização. Esta foi a opinião do júri dos tech titans, tendo por base alguns dados disponibilizados por Francisco Espanha, general manager da DefinedCrowd.

Hoje em dia quase todas as pessoas têm um smartphone. E muitas pessoas já fazem pesquisa por voz - nos EUA o valor ronda 25%. Pesquisa que tem ainda todo um conjunto de condicionantes, desde logo o sotaque que leva o sistema a não perceber bem a pergunta. Certo é que há muito espaço para evoluir e criar negócio.

A inteligência artificial pode ser usada em mais do que pesquisa. Francisco Espanha lembra a questão das compras e das ações por voz que as pessoas já fazem enquanto estão a conduzir. Há todo um leque de "oportunidades de produtividade em viagem", refere o general manager da DefinedCrowd.

Questionado sobre a escalabilidade da plataforma Espanha revela que é trabalhada por machine learning, mas em caso de ambiguidade a questão é resolvida com intervenção humana. "Temos uma rede de mais de meio milhão de pessoas no mundo que nos ajuda a resolver ambiguidades", diz, e exemplifica a entoação e o contexto, que dão significados diferentes a uma frase. O que requer trabalho humano.

A parte "fácil" ainda é treinar a máquina. O segredo, a dificuldade, o que diferencia esta solução de outras, revela Francisco Espanha, são os dados recolhidos pela empresa. Tudo começa e acaba na qualidade dos dados.

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