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Teckies. Robôs preparam crianças para as novas profissões digitais

Patrick Götz é o fundador e presidente executivo da Teckies. Está a observar um dos robôs criados por esta startup. (Bruno Raposo/Global imagens)
Patrick Götz é o fundador e presidente executivo da Teckies. Está a observar um dos robôs criados por esta startup. (Bruno Raposo/Global imagens)

Patrick Götz criou um negócio para escolas e campos de férias com empresa canadiana. Investimento ficará pago em 2020.

“Os jovens são muito bons com tecnologia mas se lhes tiram os computadores e os tablets é uma chatice.” Foi a pensar nos mais novos que Patrick Götz criou a Teckies, uma startup que põe robôs em escolas e campos de férias para as crianças se prepararem para as novas profissões digitais. Uma empresa do Canadá juntou-se ao projeto do fazedor alemão.

O negócio está dividido em três frentes: nas escolas privadas, em parceria com instituições públicas e ainda em campos de férias.

Nas escolas privadas, os robôs são utilizados em vários níveis de ensino, desde o pré-escolar ao secundário. “Não queremos substituir os professores. Promovemos a aprendizagem de outras formas. Disponibilizamos o equipamento, damos formação aos professores, definimos as atividades e vamos acompanhando as aulas.”

A ideia passa por “democratizar a robótica e a programação nas escolas”, seja nas aulas de Matemática ou de Física ou até mesmo nas disciplinas de Português e Geografia.

“O robô pode ser programado para saber quais são as capitais europeias, através do reconhecimento de imagens de monumentos das cidades. Ao trabalharem com o robô, os alunos acabam por aprender a matéria.”

No programa Academia, a Teckies desenvolve atividades à medida das parcerias com instituições públicas, como a que decorre atualmente com as bibliotecas de Lisboa.

Leia aqui: Robôs também ameaçam os salários portugueses. Vão ficar mais desiguais

Neste âmbito, são organizados workshops técnicos sobre equipamentos e de iniciação à programação para pais e filhos e são criadas competições de robôs.

Nos campos de férias, os dias são definidos para que existam atividades no exterior juntamente com lições de ética, robótica e tecnologia.

Os robôs permitem desenvolver competências como a criatividade, a resolução de problemas, comunicação, trabalho em equipa, despertar a curiosidade e ajudar a ter pensamento crítico.

O material da Teckies é fornecido pela empresa canadiana Easy Robots.

Existem diversos tipos de produtos, conforme o nível de complexidade e idade dos participantes: o Ez-Robot, um robot programável por alunos do final do 1.º Ciclo a partir de um computador com ligação sem-fios; o mBot, um produto que permite a montagem das peças com apenas uma chave de fendas, indicado para idades acima de 8 anos; os Cubelets, cubos que se encaixam através de ímanes podendo ser comandados com tablets ou telemóveis, sendo adequados para crianças acima dos 4 anos; o Cubetto, um pequeno robot de madeira programável através de um comando por Bluetooth para crianças em idade pré escolar; e ainda os LittleBits, blocos de construção eletrónicos magnéticos e codificados por cores para a aprendizagem de eletrónica.

Dentro da classe Ez-Robot, foi possível vermos o C-3P0, uma clara homenagem a Star Wars. Pode dançar, fazer flexões e cumprimentar as pessoas graças a um sistema de reconhecimento por voz baseado no sistema Cortana (da Microsoft), que ainda não está disponível em português.

As peças dos robôs podem ser montadas conforme a preferência das crianças, que aprendem várias linguagens de programação. “Ao fim de uma semana, as crianças ficam a conhecer as potencialidades de um robô”, garante Patrick.

Sonho de criança

O nome pode ser alemão mas Patrick Götz fala português fluentemente: o fazedor nasceu na Alemanha e acabou por mudar-se para o Porto apenas com 3 anos. Sempre com um sonho: trabalhar com crianças.

“Trabalhei com veículos na área industrial durante muitos anos. Mas sempre quis desenvolver um projeto que envolvesse crianças, tanto que cheguei a pensar em abrir um infantário, um desejo muito antigo.”

O empreendedor alemão acabou por abdicar de uma carreira estável e está a concretizar o sonho de menino com a Teckies.

Depois de investir 50 mil euros no equipamento, Patrick conta rentabilizar esta aposta entre o final deste ano e o início de 2020. Será necessário, para isso, fazer parceria com cada vez mais escolas e empresas, sobretudo para campos de férias.

Na fase seguinte, já no próximo ano, a Teckies quer atuar junto de comunidades mais desfavorecidas, através de projetos de impacto social. Ao mesmo tempo, a empresa poderá tornar-se uma montra de venda de produtos para crianças.

No longo prazo, Patrick Götz pretende alargar as apostas, sobretudo à formação de adultos e até ao mercado internacional.

Com os mais velhos, a empresa pretende “devolver ao mercado pessoas com competências digitais e que têm saído nos últimos anos”.

No estrangeiro, Espanha e Alemanha “poderão ser mercados interessantes”, por causa da proximidade geográfica ou da afinidade familiar, “que pode ajudar a abrir portas difíceis de abrir”.

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