Inovação

Tecnologia portuguesa que reduz erros médicos chega a 35 países

Body Impact

Sistema Body Interact venceu prémio da Agência Nacional de Inovação para melhor projeto de investigação e desenvolvimento de base científica.

Os erros médicos afetam entre 7% e 12% das intervenções clínicas. Estes problemas têm custos não só para hospitais e clínicas como aos familiares e sistemas. Mas há uma tecnologia portuguesa que está a reduzir os erros: o sistema Body Interact permite, por exemplo, a estudantes de medicina ou a médicos especialistas treinarem intervenções com pacientes virtuais. Além de melhorar as suas competências, os profissionais conseguem fazer mais simulações e com melhores resultados.

A inovação criada em 2012 recebeu esta quarta-feira o prémio Born from Knowledge, da Agência Nacional de Inovação, para melhor projeto de investigação e desenvolvimento de base científica. O sistema Body Interact é desenvolvido pela empresa Take the Wind, liderada por Pedro Pinto. O líder desta PME explica como funciona esta tecnologia.

“Criámos pacientes virtuais, que reagem como seres humanos, com um algoritmo fisiológico e um sistema de regras que permite criar situações que são testadas pelos médicos. Usamos o mesmo sistema de um simulador de voo, com as pessoas em ambiente de emergência, seja numa sala clínica, ambulância ou no bloco operatório. Podemos trabalhar com públicos muito novos ou médicos especialistas.”

A solução nascida em Coimbra há conta com 10 mil pessoas registadas, em 35 países. Estados Unidos e China são os dois maiores mercados do Body Interact; México, Brasil e Japão são outros destinos desta tecnologia. No país de origem, o mercado ainda não está devidamente desenvolvido: “estamos em apenas três universidades e numa escola de enfermagem”, lamenta Pedro Pinto.

Body Impact conta com uma equipa de 28 pessoas.

Body Interact conta com uma equipa de 28 pessoas.

A Take The Wind conta com uma equipa de 28 pessoas, distribuídas entre a sede, no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, e o escritório de vendas, nos Estados Unidos.

Nascida para resolver falhas

O Body Interact nasceu em 2012. “Olhámos para o mercado e vimos onde estão as necessidades. Identificámos uma falha na área do treino médico. Habitualmente, são usados pacientes reais, que têm de estar disponíveis para testar situações e para especialistas ou estudantes. Há uma grande prevalência de erros médicos, com custos para as pessoas e os médicos.”

A empresa, que até aí só fazia vídeo, começou a apostar em conteúdos “muito mais interativos”. Criou mesas multitoque, que permitem a partilha de conhecimentos entre grupos de várias áreas de intervenção.

A cardiologia foi a primeira aposta do sistema Body Interact, que envolveu um total de 400 médicos em Portugal. A Agência Nacional de Inovação foi um dos primeiros parceiros e “tornou o produto mais globalizável”, recorda Pedro Pinto. Nos meses seguintes, a tecnologia portuguesa ganhou novas áreas: “tivemos cada vez mais casos clínicos e evoluímos para a intervenção em casos de AVC, cancro e esclerose múltipla”.

Mobile e realidade aumentada na calha

Seis anos depois, a solução nascida em Coimbra já consegue cobrir 14 áreas e permite treinar “desde o diagnóstico até ao acerto da medicação”. Além de ajudar novos profissionais, a avaliação de médicos é uma das apostas mais promissoras do Body Interact.

Treinar com um sistema virtual permite definir bem a metodologia de treino – que não é dada por um paciente real -, aferir as competências das pessoas, ter um ambiente seguro e capturar os dados dos treinos à distância, para serem registados na cloud”, refere Pedro Pinto em conversa com o Dinheiro Vivo. O sistema “também serve para avaliar as competências dos médicos estrangeiros, para saber se cumprem os requisitos para exercer a profissão em Portugal”.

A Body Interact prepara-se, nos próximos meses, para lançar novas versões da sua tecnologia. “Vamos ter uma versão mobile e outra em realidade aumentada”, ou seja, será possível simular uma operação apontando o telemóvel para qualquer mesa.

Também vai nascer uma versão para outro tipo de públicos: a empresa de Coimbra está a desenvolver soluções para que os cuidadores possam resolver alguns problemas dentro de casa; ao mesmo tempo, o pessoal de aviação também terá uma versão própria do Body Interact para resolver situações durante os períodos de voo.

A vontade de desenvolver esta tecnologia vem de prémios como o que a Body Interact recebeu esta quarta-feira. “São distinções que nos credibilizam e dão mais notabilidade. Só nos motivam para fazermos um trabalho cada vez melhor.”

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