Tecnológicas portuguesas doDoc e Springkode adquiridas por empresas britânicas

Fundo português LC Ventures anunciou que duas das startups portuguesas em que investiu foram adquiridas por gigante farmacêutica e empresa de inovação PlatformE (fundador da Farfetch é um dos investidores).

"Este é um claro sinal que as tecnológicas portuguesas estão a inovar e a chamar a atenção de grandes players internacionais". Quem o diz é Pedro Falcão, diretor da LC Ventures, fundo de capital de risco da Beta-i (que gere 20 milhões de euros e investiu em mais de 50 startups de tecnologia) que conseguiu agora mais do que o dobro de retorno face ao que investiu (mais de 300 mil euros) nas startups portuguesas ainda em fase inicial doDoc (final de 2016) e Springkode (em 2019).

A doDoc foi a venda mais significativa até pela dimensão que a empresa já tem.

São as primeiras aquisições relevantes a startups do fundo "ainda para mais no contexto pandémico e ambas no mesmo trimestre, mostram que as startups portuguesas fazem diferente e nós fizemos apostas acertadas, algumas foram apostas logo no momento da criação", indica ao Dinheiro Vivo Pedro Falcão.

No caso da doDoc, com sede em Coimbra, foi agora adquirida pelo grupo britânico Envision Pharma Group muito graças a ter um software corporativo e colaborativo - ao estilo Teams ou Slack - mas com foco principal nas farmacêuticas e empresas de biotecnologia. "Já estão a trabalhar com sete das 20 maiores farmacêuticas a nível mundial e isso foi determinante para serem agora adquiridos", explica Pedro Falcão, que não pode avançar números concretos.

O grupo britânico, que tem feito várias aquisições, é líder global em comunicações científicas habilitadas por tecnologia.

O software em causa tem valências úteis para empresas com níveis de trabalho exigentes e secretos como farmacêuticas, incluindo algo apontado como único a nível mundial: um editor colaborativo em tempo real para escrever e rever documentos corporativos. A plataforma permite que as equipas controlem as permissões para cada pessoa, mantenham total rastreabilidade das ações, automatizem tarefas e beneficiem de integrações flexíveis que se baseiam em sistemas existentes. Tem sido utilizado nas áreas de redação médica, redação científica e informação médica.

Startup que pode ajudar a Farfetch

Já a Springkode, com sede no Porto, é uma empresa de e-commerce mas que também liga diretamente fábricas aos consumidores, focada em produtos de moda (e outros) com preocupações éticas de vários fabricantes. É adquirida pela luso-britânica PlatformE International (que pertence em parte ao CEO da Farfetch, José Neves), que se foca em soluções tecnológicas para acelerar a transformação digital na moda e em produção on-demand. A Springkode pode assim ajudar a plataforma "a melhorar as suas ofertas e liderar as tecnologias para a Indústria 5.0".

O objetivo passará por conectar em tempo real dimensões funcionais que nunca foram conectadas antes em escala e ligar pontos de venda (e-commerce, lojas, e-tailer) diretamente aos fabricantes. A Springkode tem as preocupações ambientais na sua base e pode ajudar assim a reduzir-se a pegada ambiental da moda, "reimaginar a forma como a indústria da moda funciona e agregar mais valor a todas as partes envolvidas na cadeia de abastecimento", é indicado em comunicado.

Neste contexto, a LC Ventures espera mais exits de startups do seu portfólio com valorização e ganhos para o fundo nos próximos tempos embora "a maioria aderiu ao portfólio recentemente, com 4 milhões de euros a serem investidos em 24 startups nos últimos 12 meses", admite Pedro Falcão.

O responsável do fundo português que se foca em empresas ainda na sua infância lamenta apenas que ainda existam poucos fundos portugueses e tenham pouco dinheiro, admitindo que a crise financeira de 2011 e 2012 tirou a banca do capital de risco e atualmente só existem quatro fundos acima dos 50 milhões de euros "e dois são públicos, a Portugal Ventures e a Caixa Capital".

Ainda assim Pedro Falcão admite melhorias nos últimos anos, "mas o ritmo ainda é muito lento para criarmos um ecossistema de empreendedorismo que poderia fazer bem mais a diferença". O ideal era o país ter cada vez mais fundos, já que "está muito dependente das startups serem adquiridas por empresas estrangeiras". "Com mais fundos nacionais, mais facilmente as startups nacionais podem crescer e fazer-se notar com melhores condições", admite.

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