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Ter bebé é ótimo para lançar uma marca

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É comum encontrar Ana Peixoto D”Almeida a rabiscar ideias num caderno de apontamentos. Aos 34 anos e mãe de Constança, de nove meses, a gestora de marca da Optimus vive uma vida pendular entre Braga, onde vive, e o Porto, onde trabalha. E aponta as ideias que lhe surgem entre viagens para pôr em prática quando tem tempo.

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Só que, entre o dilema de mudar ou não de casa com o marido e a filha e o trabalho na empresa de telecomunicações em full-time, Ana decidiu encontrar tempo para dedicar-se a um negócio próprio, um projeto criado para aproveitar a licença de maternidade com um bebé demasiado calmo para o ritmo da mãe. “A Constança era tão tranquila que me deixava muito tempo livre. Decidi criar a Ma Petite Princesse, que, por razões históricas, é um projeto de família que foi começado e adiado. E que, por isso, é um projeto com uma enorme carga emocional e um enorme investimento de tempo e de dinheiro”, conta.

Ana não começou do zero. Pegou numa marca de roupa de bebé criada pelos pais – que entretanto deixou de produzir e de vender – e, com a ajuda da mãe, relançou-a. A ideia já vinha de há uns anos mas Ana acredita que o nascimento da Constança, em outubro do ano passado, foi o pontapé de que ela precisava para avançar. “Na altura, o meu dia a dia precipitou-se. O renascimento da marca dos meus pais como Ma Petite Princesse não tem tanto a ver com a altura certa mas com a inevitabilidade de uma coisa que, a partir de um determinado momento, passou de fazer sentido a fazer todo o sentido”, explica.

Com 2500 euros, decidiu aproveitar desenhos de coleções antigas, adaptá-los, e aplicar quase todo o investimento na imagem da marca. Enquanto a loja online da Ma Petite Princesse era desenhada, Ana decidiu criar um blog com o mesmo nome lançado em dezembro. “Quis criar uma marca preocupada com os pormenores: os tecidos de quali-dade, os acabamentos cuidados, os materiais e a ausência de costuras. Tudo feito com qualidade e vendido a preços que estão dentro dos que têm os produtos semelhantes”, esclarece.

Além de ser a grande motivadora do início do negócio, Constança sempre deu uma ajuda: Ana conta que, às vezes, levava o bebé para o armazém, durante os dias em que estava dedicada ao inventário de stocks. E ela nem se queixava. Outra “ajuda preciosa” foi a do marido de Ana, Bernardo, que já tinha experiência no sector têxtil e que, por isso, ficou responsável por toda a parte de produção. E, claro, a mãe de Ana, que ajuda na escolha dos detalhes, vai à fábrica e “escolhe tudo o que tem a ver com costura”, acrescenta. “É um projeto de família que foi adiado e um negócio que começou na sala de estar”, diz.

Apesar de a marca ter sido pensada ao estilo de roupa dos bebés e crianças espanhóis, Ana confessa que não vê em Espanha um mercado estratégico: para isso, contribui o facto de ter criado um negócio online que permite facilmente à marca chegar a todo o mundo e, além disso, a vontade de voos mais altos para o outro lado do Atlântico: Ana quer que a Ma Petite Princesse venda nos Estados Unidos até 2015. A divulgação da marca passa também muito pelo blog criado uns meses antes e que tem muitos leitores internacionais: a seguir a Portugal, os leitores dos EUA são os mais frequentes, seguidos dos alemães, ingleses e brasileiros. A primeira coleção da Ma Petite Princesse, lançada no final de abril, tem cem referências diferentes, entre roupa para bebés até aos 36 meses, mantas, alcofas e, em breve, até berços de verga lacada. “Quero que o projeto cresça e ver a marca em algumas lojas mas não penso numa loja minha. Quero que a Ma Petite Princesse voe para me poder permitir voar de outra maneira.” Siga a Ma Petite Princesse no Facebook.

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