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Tesselo. Imagens de satélite inteligentes para ajudar a salvar o planeta

Rémi Charpentier, líder e co-fundador da Tesselo.
(Natacha Cardoso/ Global Imagens )
Rémi Charpentier, líder e co-fundador da Tesselo. (Natacha Cardoso/ Global Imagens )

Especialistas internacionais em tecnologia e engenharia do Ambiente escolheram Portugal para lançar negócio que ajuda empresas na área da prevenção.

As imagens de satélite da rede europeia Copernicus ganharam um novo sentido graças à Tesselo. Esta startup foi criada em 2017 para juntar essas imagens com a tecnologia de inteligência artificial com valor de negócio para empresas e outras entidades, sejam públicas ou privadas. Prevenção de fogos ou de danos em redes elétricas ou então o planeamento urbano são os principais objetivos desta solução nascida em Portugal e que já recebeu 180 mil euros em três bolsas da Agência Espacial Europeia.

“Aquilo que parece um mero píxel verde-escuro transforma-se em informação relevante sobre uma árvore, como a idade, o tipo de árvore e como ela cresce. Além dos infravermelhos, é usada tecnologia de radar. Esta tecnologia é crucial para distinguir as árvores, sobretudo no Inverno”, assinala Rémi Charpentier, um dos três fundadores da Tesselo, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

A tecnológica recorre à cloud para armazenar toda a informação, em vez de utilizar supercomputadores – “algo que seria impensável há cinco anos”, recorda o francês. As imagens de satélite têm origem nos sistemas Sentinel-1 e Sentinel-2, que utilizam sensores e radares que permitem a observação do terreno mesmo quando houver fumo. A análise das alterações ambientais ao longo das décadas é feita a partir de arquivos de 40 anos da NASA, a agência espacial norte-americana.

Imagens via satélite da zona de Pedrógão  Grande antes e depois do grande incêndio de 2017.

Imagens via satélite da zona de Pedrógão Grande antes e depois do grande incêndio de 2017.

Estas imagens são de acesso gratuito, através de API’s (interface de programação de aplicações). Quando são necessárias mais aprofundadas, recorre-se a imagens de alta resolução compradas junto de empresas privadas. A Tesselo treina o sistema para que converta os pixels da imagem em informação útil para elaborar relatórios para as empresas. A Celpa, a associação da indústria papeleira, é a primeira cliente em Portugal da startup sedeada em Lisboa.

Esta solução é crítica para Portugal, que conta com um dos índices mais elevados de risco de incêndio florestal. Em 2017, foram destruídos 563.000 hectares, devido a 16.981 incêndios, segundo o Sistema Europeu de Informações sobre Incêndios Florestais (EFFIS) da Comissão Europeia,

A tecnológica também conta com clientes em França, Alemanha e Estados Unidos.

A Tesselo garante que a recolha destas imagens – que conta, para já, com uma fiabilidade de 80% – não vai substituir os técnicos. “Complementamos o trabalho dos técnicos no terreno, que simplesmente não conseguem ver cada uma das árvores que existem em Portugal”.

Além de Rémi Charpentier (ex-presidente da associação de startups Le French Tech em Portugal), a Tesselo foi fundada por Daniel Wiesmann (responsável tecnológico) e Michael Flaxman. Para já, a startup tem uma equipa de cinco pessoas, quatro das quais a tempo inteiro.

Além de avaliar o estado da vegetação, esta startup usa as imagens de satélite para fazer a manutenção de infraestruturas, sobretudo da vegetação próxima das estradas ou então o estado das linhas elétricas. “A EDP Distribuição não pode estar a toda a hora mandar técnicos em todo o país a ver como estão os 40 mil quilómetros de redes elétricas”, lembra o líder da startup.

A concentração das pessoas nas cidades também é um grande desafio para esta startup. “Podemos ajudar os municípios a criarem soluções locais de planeamento inteligente”, assinala.

Base em Lisboa

Rémi Charpentier chegou a Portugal em 2013 para abrir o seu próprio negócio. “Queria criar uma empresa num país com boa qualidade de vida e que não fosse demasiado caro. Fui um dos primeiros franceses a vir para cá”, graceja, numa altura em que são vistos cada vez mais franceses em território português.

Depois de lançar a sua empresa de inteligência artificial, este francês criou o escritório da French Tech em 2015. Dois anos depois, fundou a Tesselo, que também conta com uma parceria a longo prazo com o Instituto Pedro Nunes, de Coimbra.

Depois de conseguirem 180 mil euros e de investirem algum dinheiro próprio, os responsáveis da startup pretendem que o negócio atinja o equilíbrio financeiro já em 2020. Antes disso, a empresa vai concorrer ao financiamento da Portugal Ventures, a sociedade de capital de risco pública.

Até 2021, a Tesselo espera ter uma equipa técnica de 25 pessoas em Lisboa e conta abrir escritórios de vendas no Brasil e nos Estados Unidos.

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