The Equal Food: Caixas de combate ao desperdício de frutas e legumes

Depois da carreira ligada à banca de investimento, Alberto Mojtar tirou uma licença sabática e virou-se para o negócio de impacto social. Startup acaba de chegar ao Porto e já pensa na expansão para Espanha.

A The Equal Food é uma startup que combate o desperdício alimentar. As caixas de frutas e de legumes são entregues na casa dos clientes através de uma encomenda única ou de uma subscrição semanal. O negócio começou no final de 2019 na região de Lisboa, adaptou-se em pandemia e nas últimas semanas cresceu para o Porto. O próximo ano deverá ficar marcado pela entrada em Espanha.

Os clientes podem escolher entre três caixas: cabaz de frutas de 10 quilos, cabaz de 15 variedades de frutas e legumes com 8 a 9 quilos (básico) ou um cabaz de 20 variedades de frutas e legumes com 12 a 13 quilos (padrão). Nos cabazes de frutas e legumes há ainda a opção de adicionar ovos biológicos, de galinhas criadas ao ar livre, ou então receber mais 250 gramas de cogumelos shiitake biológicos.

O cabaz de frutas conta apenas com alimentos da época, podendo variar entre framboesas, melões, maçãs, peras, bananas da Madeira, mangas, tomate, abacates e romã.

As frutas e legumes são provenientes de mais de 50 produtores de norte a sul do país, de locais como Torres Vedras, Lamego, Melides, Aldeias do Pico (Alentejo), Lagoa de Santo André e ainda da região do Algarve. A única exceção são alguns lotes de abacate provenientes de Espanha.

As encomendas para receber os cabazes têm de ser feitas até ao final de domingo de cada semana.

As entregas são feitas à terça ou à quarta dependendo das localizações. A The Equal Food chega aos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, com entregas às terças nos concelhos de Lisboa, Amadora e Almada - os restantes concelhos recebem as caixas à quarta. Nesta região, estão disponíveis todas as caixas.

A chegada à região do Porto é mais recente e, para já, só contempla a entrega das caixas padrão, com mais variedade, todas as quartas. Porto, Matosinhos, Maia, Valongo, Vila Nova de Gaia e Gondomar são os concelhos contemplados nesta fase.

Apesar do crescimento territorial, a The Equal Food vai manter a sua base em Lisboa, onde trabalham os dois fundadores (Alberto Mojtar e Lukas Friedmann), quatro pessoas a tempo inteiro e ainda alguns colaboradores. Desde o início, mais de 3000 pessoas já receberam as caixas de frutas e legumes, pelo menos uma vez.

A ideia para o negócio de impacto partiu da mente de Alberto Mojtar. Com formação em economia, o espanhol trabalhou durante alguns anos na banca de investimento em Londres, para entidades como o Goldman Sachs. As coisas começaram a mudar em 2018.

"Tirei uma licença sabática para viajar e tentar perceber o que queria fazer com a minha vida. Fui ao Sudoeste Asiática, à Índia, ao Brasil e à Colômbia. Têm uma relação muito diferente com a comida da que temos aqui na Europa. E inspirou-me muito saber que a comida é algo sagrado para eles."

No ano seguinte, em 2019, Alberto aterrou em Lisboa com o conceito do negócio de impacto a fervilhar. Inscreveu-se na incubadora de ideias Demium e participou num programa de ideias de três dias. As coisas correram bem e o espanhol ligou a Lukas Friedmann para ajudá-lo a lançar o negócio.

A The Equal Food combateu o desperdício alimentar desde o dia um, com cabazes entregues aos restaurantes de luxo da região de Lisboa. O modelo de negócio, contudo, só durou seis meses, por conta da pandemia. "Tivemos de mudar o modelo de negócio assim que fecharam os primeiros estabelecimentos", recorda Alberto.

Até agora, a empresa tem funcionado no modelo bootstrapping, em que os fundadores reinvestem as receitas da atividade. Só que para 2022 há o projeto de entrar em Espanha, o que pode levar a abrir o capital. "Encontrar financiamento externo poderia ser importante para termos vários milhões de euros de faturação por ano."

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