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The New Digital School. Mercado de Matosinhos recebe escola de “supercriativos”

Tiago Pedras, fundador da The New Digital School, fotografado no Mercado de Matosinhos. Fotografia: Artur Machado / Global Imagens
Tiago Pedras, fundador da The New Digital School, fotografado no Mercado de Matosinhos. Fotografia: Artur Machado / Global Imagens

Primeiras aulas começam em janeiro de 2017. O fundador, Tiago Pedras, quer romper com o modelo tradicional de ensino

“O professor não é a única fonte de conhecimento. Hoje em dia, a maior parte das coisas que aprendemos são depois do curso.” Foi a pensar nesta situação e para soltar-se das acreditações do ensino superior que Tiago Pedras iniciou a The New Digital School (TNDS), em pleno Mercado de Matosinhos. “Mais do que designers e developers, queremos criar aqui supercriativos”, prevê o fundador deste projeto. As primeiras aulas começam a 16 de janeiro de 2017.

Sem professores, sem sistema de avaliação e sem um currículo fechado, esta escola vai funcionar em regime de 10 masterclasses durante 10 meses, cada uma na primeira semana de cada mês. Estas “aulas” serão dadas pelos mentores – ou guest educators, como prefere chamar Tiago Pedras. Alguns destes mentores são referências nesta área, como Christopher Murphy, Jeremy Keith (Clearleft), Vitaly Friedman (Smashing Mag), Verne Ho (Shopify) e Stanley Wood (Spotify). UX e UI design serão duas das áreas abordadas ao longo desta formação.

Tiago Pedras, além de ser o CEO da Surreal, empresa que cria e desenvolve estratégias de criação de marcas, é professor convidado na Escola Superior de Artes e Design (ESAD). “Dou apenas uma cadeira perdida no curso e numa faculdade de design. A web já não é só uma disciplina e necessita de um curso. Tentei fazer isso na ESAD mas não consegui.” A TNDS inspira-se na Hyper Island, uma escola sueca fundada há 20 anos e que é considerada uma referência na área do design tecnológico.

“Não vamos formar académicos mas sim pessoas para o mercado de trabalho. Vamos dar algo que muito poucas universidades dão aos alunos”. É por isso que nas restantes três semanas de cada mês, além de seminários online (webinars), cada participante poderá desenvolver o seu próprio projeto no espaço das incubadoras do Mercado de Matosinhos, que estará aberto praticamente 24 horas por dia.

A TNDS vai ter ainda outras componentes, como a aprendizagem de soft skills, para que os designers saibam defender os projetos em público, aulas de surf, workshops de culinária e visitas guiadas à cidade do Porto. “Teremos um ambiente muito mais próximo de um estúdio do que de uma escola. Esta parte está muito virada para alunos internacionais.”

O projeto liderado por Tiago Pedras está a receber candidaturas até 1 de dezembro e procura sobretudo freelancers com disponibilidade para estar 10 meses no Porto mas que, ao mesmo tempo, não precisem de deixar de trabalhar; “pode ser um nómada digital”, porque a própria sala de aula vai funcionar como um espaço de trabalho partilhado (coworking), onde será possível aplicar os conhecimentos.

Apesar das centenas de candidaturas já recebidas, esta “escola” só terá entre 16 e 20 vagas, o que vai levar a um bootcamp antes da primeira sessão de trabalho. “Procuramos pessoas com personalidade e paixão por aprender. Não é qualquer pessoa que se encaixa nisto. É preciso ter alguma abertura mental.” As inscrições variam entre os 4500 (alunos portugueses) e os 5500 euros.

A TNDS está ainda a promover uma campanha de financiamento colaborativo (crowdfunding) na plataforma Kickstarter. Pretende obter 20 mil euros para financiar as vindas dos mentores a Portugal, equipar informaticamente a sala de aula e ainda realizar a Tomorrow Conference, um evento de dois dias em junho de 2017, no Porto, com workshops e palestras sobre o futuro do design e a exploração de novos projetos, tecnologias e técnicas na internet. Magazines digitais, t-shirts com algoritmos personalizados, visitas guiadas, bilhetes gratuitos e acesso a masterclasses são algumas das recompensas ao colaborar nesta campanha.

Tiago Pedras garante que este é um projeto sustentável e “com saldo positivo no final do primeiro ano”. Várias entidades privadas têm-se associado a esta escola, que tem investido algum dinheiro sobretudo em promoção. Em caso de sucesso, a TNDS poderá expandir-se, nos próximos três anos, ou para Lisboa ou para o mercado internacional.

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