Thidols. Vestir a camisola em nome de um manifesto

Marca portuguesa de merchandising de impacto quer redefinir o conceito de ídolo e chamar a atenção para causas.

Não canta nem é estrela de cinema, mas, aos 16 anos, Greta Thunberg tornou-se um ícone da sua geração. Na tournée de protestos que protagonizou nos últimos meses, a adolescente sueca angariou uma legião de fãs por todo o mundo. Para a fundadora da Thidols, Greta está a “redefinir o conceito de ídolo”. É por isso um dos rostos escolhidos para a primeira coleção da marca portuguesa, que quer fazer da moda um manifesto.

Não foi, porém, graças ao ativismo de Greta que Marta Velho teve a ideia de criar a Thidols. A ex-jornalista queria ter uma T-shirt com a imagem de Margrethe Vestager, a comissária europeia da Concorrência, e não encontrou quem a vendesse. Decidiu arregaçar as mangas e vestir a camisola de empreendedora. “Quando fui fazer a minha T-shirt pensei que, tal como eu, outras pessoas gostariam de usar a imagem de pessoas que admiram. Foi aí que surgiu a ideia de criar a marca.”

A Thidols produz “merchandising de impacto”, para já na forma de T-shirts, que promovem e criam consciencialização para grandes causas. “Estamos habituados a que as pessoas idolatrem artistas ou jogadores de futebol, e existe muito merchandising associado a estas celebridades. Queremos que passem a ser incluídas no conceito tradicional de ídolo outras personalidades que estejam a marcar a diferença na área em que se inserem.”

A Thidols não é, no entanto, uma marca de moda, ressalva Marta Velho. A meta da empresa é precisamente contrariar todos os princípios associados a uma das indústrias mais poluentes do mundo. “O propósito não é só comercial. A marca quer dar notoriedade às personalidades escolhidas, para que os clientes se envolvam nas causas dos seus ídolos e façam parte da mudança.”

Além das vendas, a marca prevê chamar a atenção para as causas através de ações de sensibilização associadas aos temas representados nas T-shirts. Para o próximo ano está agendada uma ação de reflorestamento e a elaboração de um guia de boas práticas sobre privacidade na internet.

Além de Greta Thunberg e Margrethe Vestager, a primeira coleção-piloto da Thidols vai incluir as imagens de António Guterres, secretário-geral da ONU, Elon Musk, fundador da Tesla, e Stephen Hawking, cientista. A meta é lançar dez novas imagens por ano, selecionando as personalidades que mais se destacaram numa área.

As T-shirts da coleção-piloto serão feitas de algodão orgânico e todos os fornecedores têm selos de cuidado ambiental. Mas à semelhança dos seus ídolos, a Thidols quer ir mais longe no capítulo da sustentabilidade.

“Estamos em negociações para que as coleções futuras sejam produzidas através de plástico retirado do mar ou de material reutilizado por empresas que fabricam roupa a partir dos excessos de produção de outras marcas. O objetivo é não criar produto novo e combater o conceito de fast fashion”, explica. O primeiro produto da Thidols são as T-shirts, mas Marta Velho quer expandir o closet da marca já neste ano. Antes do Natal serão lançados sacos de pano e no pico do inverno vai ser testada a adesão do público a uma coleção de sweatshirts.

O casting para os futuros ídolos também já está a ser feito, mas a empreendedora não quer revelar nomes para já. “Antes de avançar com a impressão de uma imagem temos de tratar da questão dos direitos. Eu gostava de vir a ter personalidades como a Malala ou a primeira-ministra da Nova Zelândia, por exemplo, mas não depende só de nós. Há uma margem enorme de pessoas a fazer coisas extraordinárias, e algumas são menos mediáticas. Acredito que terão todo o interesse em ver a sua causa divulgada.”

Para já as T-shirts da Thidols estão à venda online, por um preço único de 29,90 euros, mas, no futuro, Marta Velho admite vir a vestir a camisola em lojas físicas.

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