Alimentação

Too Good to Go chega a Portugal para combater desperdício de comida

Madalena Rugeroni, responsável para Portugal da plataforma Too Good to Go, fotografada esta tarde em Lisboa.
( Pedro Rocha / Global Imagens )
Madalena Rugeroni, responsável para Portugal da plataforma Too Good to Go, fotografada esta tarde em Lisboa. ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Lisboa é a primeira cidade onde dá para comprar refeições e outros produtos prontos a consumir com 75% de desconto através de uma aplicação.

A Too Good to Go chegou a Portugal esta terça-feira para combater o desperdício de comida. Graças a esta aplicação móvel, vai ser possível comprar refeições ou produtos prontos para consumir com 75% de desconto. Lisboa é a primeira cidade a beneficiar deste serviço e haverá 50 parceiros na fase inicial, sobretudo bares e restaurantes. As refeições custam entre três e seis euros.

Para utilizar este serviço, é necessário instalar a aplicação da Too Good to Go, disponível gratuitamente para Android e iOS. Depois do registo, é possível aceder ao mapa com as lojas aderentes à plataforma e é possível adicionar o meio de pagamento: cartão de crédito, Google Pay ou PayPal.

A particularidade desta plataforma é que antes de chegarmos à loja não sabemos que comida é que será possível comprar. “Funcionamos com o conceito de caixa surpresa: os estabelecimentos não sabem o que vai ser o excedente deles”, refere Madalena Rugeroni, a responsável da plataforma dinamarquesa para o mercado português.

A compra da comida fica a cargo do utilizador, que tem de ir buscá-la ao café ou restaurante aderente dentro do horário estabelecido. Recomenda-se que o cliente utilize recipientes e sacos próprios para ir buscar a comida mas há outras hipóteses: “o restaurante pode utilizar os próprios sacos ou então podemos dar o nosso saco de papel e a caixa feita de material reciclado”.

Madalena Rugeroni, responsável para Portugal da plataforma Too Good to Go, exibe saco de papel cedido pela plataforma aos restaurantes. ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Madalena Rugeroni, responsável para Portugal da plataforma Too Good to Go, exibe saco de papel cedido pela plataforma aos restaurantes. ( Pedro Rocha / Global Imagens )

Assim que o cliente chegar à loja, tem de mostrar o comprovativo de compra disponível na aplicação ao funcionário do restaurante ou do café, que tem depois tem de aceitar o pedido.

Parceiros responsáveis

O arranque da Too Good to Go em Portugal será feito com 53 parceiros, sobretudo no centro de Lisboa. Sushi at Home, Koi Sushi, Aruki, Tartine, Pátio 14, Mad Mary Cuisine e Hygge Café são alguns dos exemplos de cafés e restaurantes aderentes. Também há uma parceria com Makro mas ainda não se sabe quando será possível comprar produtos nesta cadeia grossista em Portugal.

Além de serem responsáveis pela venda dos produtos, os restaurantes e cafés têm de garantir que são cumpridas todas as normas. “O nosso modelo funciona com refeições ou produtos. Desde que os estabelecimentos cumpram com as regras de segurança alimentar, podem ser nossos parceiros. Trabalhamos com restaurantes que legalmente podem vender os seus produtos no próprio país”, explica “Por exemplo, o sushi que estiver à venda, é o sushi do próprio dia”, acrescenta a fazedora.

Por cada refeição vendida, a Too Good to Go fica com uma comissão entre 20% e 25%.

A plataforma tem metas ambiciosas para os próximos 12 meses: “daqui a um ano, queremos estar nas principais cidades e em todos os distritos. Estamos ainda em conversações com supermercados”.

Expansão internacional

Fundada em 2016 em Copenhaga, a capital da Dinamarca, a Too Good to Go já recebeu um total de 16 milhões de euros em investimento. A mais recente injeção de capital valeu seis milhões de euros e foi fechada em fevereiro deste ano.

Esta plataforma já evitou o desperdício de 23,4 milhões de refeições em 12 países – Portugal é o 13.º – e poupou um total de 58,567 toneladas de dióxido de carbono. Conta com um total de 31 796 parceiros, segundo informação disponível na página oficial.

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Para Portugal, contudo, não foram revelados os números do investimento neste mercado.

Perfil de Madalena Rugeroni

A responsável pela Too Good to Go tornou-se conhecida nos últimos anos por ter sido uma das co-fundadoras do Misk, uma rede social para os amigos recomendarem bares, cafés e restaurantes entre si. Mas o percurso de Madalena Rugeroni vai mais além.

Sempre fui apaixonada por tecnologia e comida e o meu percurso tem vindo a ser relacionado com estes dois temas. Fui co-fundadora do Misk e, antes disso, trabalhei na Google, em Londres, na parte de parcerias do YouTube e no GSuite. Ainda antes disso, trabalhei na Havas Media, em Miami”, recorda a fazedora.

Madalena passou a liderar a Too Good to Go depois de ter descoberto a vaga através da rede social LinkedIn. Agora, é responsável por uma equipa de sete pessoas, instalada provisoriamente no espaço de cowork Ideia Hub. Até ao final deste ano, esta equipa vai crescer e passar a trabalhar a partir do cowork Spaces, em pleno Marquês de Pombal.

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