Turismo. Setor trava a fundo, mas startups abrem novos caminhos

A chegada repentina da pandemia não deu margem para grande preparação. Um ano depois, há quem tenha aberto portas.

Está na génese das startups terem uma grande flexibilidade e capacidade de adaptação. Por isso, quando a pandemia atirou o turismo para uma realidade desconhecida, muitas viram como único caminho reformular e adaptar-se. Um ano depois da chegada da pandemia à Europa, há quem tenha aberto novas portas e tenha percebido que podia fazer mais, transformando a crise numa oportunidade.

A Hijiffy, que tem uma solução de inteligência artificial para a hotelaria, é um desses casos. Antes da pandemia só permitia fazer pré-reservas, agora através da solução é possível fazer o check-in, o in-stay, o check-out e o pós-chech-out. "Quando os primeiros casos de covid-19 começaram aparecer na Europa o mais importante para nós foi ter a nossa equipa confortável.

Enviámos toda a equipa para teletrabalho e em pouco tempo a empresa anunciou que mudaria para sempre para um conceito de flexible remote - em que as pessoas estão em teletrabalho e vão se encontrando sempre que necessário", começa por contar

Tiago Araújo, CEO. O passo seguinte foi perceber como ajudar os clientes: "Suspendemos a subscrição [da solução] no mesmo período de tempo que os hotéis estavam fechados e lançámos o RoomsAgainstCOVID".

Com os hotéis de portas fechadas e as equipas em casa, as unidades depararam-se com um problema e a Hijiffy com a solução. "Com o lay-off de equipas de reservas e front-desk os hotéis não tinham ninguém para responder a hóspedes que já tinham feito reservas e hóspedes que gostavam de reservar para o futuro", explica. Esta foi a chave que permitiu a esta startup fechar 2020 "com um crescimento acima dos 150%" e no quarto trimestre fechar "uma ronda de um milhão de euros para consolidar o produto e expandir nos principais mercados europeus".

O aumento da procura pela solução levou ainda a que nos últimos meses do ano passado a equipa tenha crescido. Entraram cinco pessoas e, em 2021, as previsões apontam para que sejam recrutados mais 12 profissionais. "Neste momento já estamos consolidados no mercado português e espanhol. Iremos abrir um escritório em Londres, em junho, com o objetivo de atacar o mercado do Reino Unido e francês", acrescenta.

A Doinn também partiu para novos mercados. Esta startup tem uma plataforma para ajudar na limpeza do alojamento local (AL). "A pandemia trouxe-nos três mudanças positivas e ao setor. A primeira é que nunca foi tão importante como agora ter serviços de limpeza profissionais no AL, a nossa proposta de valor passou a ser essencial", diz Noélia Novella, CEO da Doinn.

"A segunda é que muitos gestores de propriedades com equipas de limpeza próprias, tiveram de fazer contas e aperceberam-se que, com as novas taxas de ocupação, todas as despesas fixas deveriam passar a variáveis e então passaram a contratar os nossos serviços. A terceira é que muitas empresas de limpeza sentiram a necessidade de acompanhar a transformação digital, pesquisaram sobre nós e começaram o seu processo de registo, de maneira autónoma, mudando o nosso roadmap de expansão, multiplicando por seis o número de cidades onde temos serviços", acrescenta.

Ao longo deste ano, a equipa da Doiin foi "reorganizada de uma maneira mais global e menos local". A líder da empresa explica que a equipa foi dividida em quatro áreas: IT, attraction, engagement e delight "independentemente do país ou até dos idiomas que falam". Noélia Novella não acredita, pelos "números e as características do turismo na Europa", que 2021 vá "ser muito diferentes que em 2020".

E, por isso, arregaçaram as mangas e decidiram apostar em novas geografias. "Estamos a abrir vários mercados no continente norte e latino americano apesar dos desafios, não só em termos de posicionamento de produto como da diferença horária e cultural", assegura.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de