Um curso em Harvard sem gastar nada

Cursos online permitem ampliar o saber
Cursos online permitem ampliar o saber

Quer frequentar um curso em universidades de prestígio mundial, como Harvard ou Stanford, sem pagar um tostão? Então está a precisar de um MOOC (Massive Open Online Course). Só precisa de ter acesso a um computador com ligação à internet e algum tempo disponível para aprender. No final, se tiver aproveitamento, receberá um certificado de conclusão.

O lançamento recente da plataforma Coursera, onde estão reunidos mais de 200 cursos de 33 universidades, contribuiu para a “explosão” de alunos inscritos este ano. Pode optar pelo curso de Criptografia, da Universidade de Stanford, de Investir com o Computador no instituto Georgia Tech, ou Microeconomia para Gestores na Universidade da Califórnia. Há ainda outras plataformas mais específicas, como a EDX, criada pelo MIT e por Harvard, a funcionar de forma semelhante.

Em Espanha, foi lançada, na semana passada, a plataforma Uned Aberta promovida pela Universidade Nacional de Educação à Distância. Em apenas cinco dias, mais de oito mil alunos inscreveram-se nos cursos, restando apenas dois cursos, de comércio eletrónico e de Open Data, ainda com vagas. “São cursos projetados para estudantes e profissionais que querem mudar de setor ou continuar a aprender, e são completamente grátis”, explica Timothy Read, diretor da UNED Aberta, que calcula que as aulas impliquem um compromisso de entre duas a três horas semanais durante três meses.

Timothy Read acredita que “dentro de 50 anos, apenas restarão no Mundo dez grandes universidades”, tal como previu recentemente, também, Sebastian Thrun, na revista Wired. O respeitado professor da Universidade de Stanford e criador da Udacity, outra plataforma de cursos online, descreve o abalo que o ensino gratuito online de qualidade poderá trazer ao modelo tradicional das universidades e escolas de negócios pagas.

“O valor já não está no conteúdo, que está cada vez mais online, disponível, grátis e de qualidade. O valor está na interação, seja online, seja em pessoa. As universidades e escolas de negócios terão de continuar a oferecer valor no último caso”, considera Andrew Ng, professor de Stanford e fundador da Coursera, em 2008. “São modelos complementares, não substitutos, mas o papel do docente terá de mudar, deve ser muito mais ativo, mais fluido”, aponta Read, da Uned Aberta.

A Espanha, assolada pela crise e pelo aumento das propinas, é o nono país com mais estudantes no Coursera, a seguir à Alemanha e à Rússia. A Uned Aberta aspira, ainda, a tornar-se na plataforma online de referência para os países de língua espanhola, ou seja, com uma audiência potencial de 500 milhões de pessoas.

Olhando à história da Coursera, lançada em 2008 com apenas um curso, em que se inscreveram 100 mil alunos, em apenas dez meses conquistou 1,7 milhões de estudantes em todo o Mundo. “Demoramos menos do que o Facebook a chegar ao milhão de utilizadores”, brinca Andrew Ng.

Uma das principais questões por resolver prende-se com os certificados de curso, que poderão vir a ser uma fonte de receitas, segundo Andrew Ng, cobrando uma pequena taxa para o envio de certificados emitidos por cada universidade. “Estamos a pensar em como vamos resolver este problema. Até agora, qualquer pessoa que seja aprovada no curso recebe um certificado online. Em breve poderemos, talvez, dar a possibilidade de, por apenas 10 ou 15 euros, receberem um certificado oficial”, revelou Read, da Uned Aberta.

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