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Urban Food Box: Hortas que limpam a pegada dos edifícios

Michael Parkes e Mattia Lobascio são dois dos fundadores da Urban Food Box.
Michael Parkes e Mattia Lobascio são dois dos fundadores da Urban Food Box.

O projeto ainda está numa fase inicial, mas promete resolver a questão da falta de eficiência energética das cidades, transformando energia desperdiçada em comida.

Era uma vez um australiano em Lisboa a magicar ideias para tornar as cidades mais sustentáveis. “Posso dizer que foi Portugal que me escolheu. Eu andava a pesquisar sobre tecnologia em áreas urbanas e acabei aceite no programa de doutoramento em sistemas de energia sustentável do Instituto Superior Técnico”, conta Michael Parkes.

O fazedor tinha uma preocupação específica – sabia o peso ambiental do consumo energético das cidades e queria contribuir para a resolução do problema. “Os edifícios urbanos são responsáveis por mais de 80% dos gases de efeito estufa, já que os seus moradores e visitantes consomem grandes quantidades de energia e água”, indica a página do LinkedIn do projeto Urban Food Box.

É lá também que se explica que as cidades têm de se esforçar por cumprir a exigente diretiva europeia relativa ao desempenho energético dos edifícios e onde se recorda, por outro lado, que existirá um grave problema de alimentação no mundo quando, em 2050, atingirmos os dez mil milhões de pessoas que as previsões indicam.

Com os números desta realidade bem presentes no pensamento, Michael Parkes começou a testar hipóteses. E assim nasceu a Urban Food Box. A ideia é instalar uma estufa anexa aos prédios, onde se possa cultivar alimentos, utilizando a energia desperdiçada de cada edifício. E da ideia fez-se o projeto, com mais três pares de mãos. O italiano Mattia Lobascio e os portugueses António Santos e Paulo Pereira são os outros três cofundadores que estão com o australiano a desenvolver a solução. Todos se conheceram durante o curso do Técnico.

Para já, os fazedores sabem que nem todos os prédios são elegíveis. “Andámos oito meses por Lisboa a fazer testes e a verificar a viabilidade do projeto e chegámos a conclusões muito boas. Sim, é possível isto fazer-se, só que, para já, estamos a excluir alguns edifícios, como os históricos e mais antigos. Mas nos prédios a partir da década de 70 já dá para fazer”, explica Michael Parkes.

O australiano indica até que têm um alvo muito específico em mente. “O ideal é aplicar a nossa solução em edifícios com alguma escala, onde exista a preocupação com o desperdício energético e com o consumo de comida. Estaremos a falar maioritariamente de escritórios, hotéis e hospitais.”
Visualmente, a solução passa por uma espécie de câmara frigorífica que seria, por exemplo, colocada nas traseiras dos prédios. Essa caixa funcionaria como uma estufa para uma pequena horta, onde seriam cultivadas, essencialmente, leguminosas e especiarias. Os fazedores não desenvolvem o hardware – “as caixas já existem no mercado e funcionam” -, mas são responsáveis pelo software, ou seja, pela tecnologia da solução em si, controlando todos os inputs, desde a água, energia, sementes, à qualidade dos outputs, isto é, da comida que for cultivada.

Atualmente, a equipa da Urban Food Box está a participar no programa de aceleração para startups de impacto social do Maze, da Fundação Calouste Gulbenkian. Através da iniciativa, os fundadores têm estado a trabalhar com uma rede de hospitais privados portugueses. “Estivemos a ver dois ou três dos seus edifícios e com base na localização, no consumo de energia e no tipo de equipamento que utilizam conseguimos calcular quantos quilogramas de comida conseguia entregar este tipo de eficiência energética”, indica Michael Parkes.

Ainda assim, o projeto está numa fase muito inicial. O fazedor reconhece que há muito a ser trabalhado, inclusivamente até a questão do preço de uma solução destas. Estão ativamente à procura de parceiros, mas o australiano não tem dúvidas quanto à capacidade de sucesso da Urban Food Box. “Diminuímos a pegada carbónica dos edifícios. E qual é a consequência? Comida!”

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