Vá de férias com o seu autor preferido

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Viajar acompanhado de um bom livro poderia já ser algo que muitos
turistas faziam. Mas viajar acompanhado do autor de um bom livro,
visitando as regiões onde decorre a ação da narrativa, é a nova
aposta da Pinto Lopes Viagens para conquistar clientes. E tem dado
resultado, mesmo com viagens a 5500 euros. A faturação da agência
portuense tem vindo sempre a crescer, até aos atuais oito milhões
de euros.

Dar aos clientes aquilo que desejam é o segredo do êxito da
agência nascida há duas décadas com um produto próprio
radicalmente oposto: começou com excursões em autocarro com estada
em tendas de campismo low cost, organizadas pelo fundador, Joaquim
Pinto Lopes. Hoje, com 68 anos, o pai e fundador ainda insiste em
acompanhar grande parte dos grupos que saem de férias anualmente nas
viagens Pinto Lopes.

Oficialmente nascida em 1994, no Porto, a agência começou a
destacar-se pelas viagens culturais que organiza. Os itinerários
mais difíceis, mais originais ou “fora da rota” vão aparecendo
nos catálogos anuais, cujo lançamento é feito com pompa e
circunstância. O último, em dezembro, foi durante um cruzeiro no
Douro para 1200 clientes. Este ano, a grande novidade são as Viagens
de Autor, que começaram por contemplar escritores – os grupos
viajavam aos seus destinos de sonho com o autor preferido -, mas
“estamos a pensar alargar o conceito a figuras da culinária, do
desporto, da música, entre outros”.

O escritor Gonçalo Cadilhe levou o primeiro grupo de clientes das
Viagens de Autor, este mês, num circuito de sete dias pela Itália
Central, sob o tema Mistério Etrusco; tem agendada uma segunda
viagem, em julho, durante 15 dias, sobre A Namíbia no Universo; e
uma terceira viagem, em outubro, em que levará os turistas a
conhecer, durante cinco dias, a Riviera da Ligúria (Itália). Cabo
Verde e Índia Portuguesa são os destinos em que a escritora Raquel
Ochoa será guia e formadora num workshop de escrita de viagens. E
José Luís Peixoto levará um grupo de 25 pessoas a uma das viagens
mais raras e difíceis do planeta: Dentro do Segredo passará pela
Coreia do Norte, mostrando o contraste chocante com a Coreia do Sul e
a China, outros destinos da viagem de 15 dias.

As viagens culturais ou temáticas foram uma inovação que
Joaquim Pinto Lopes foi capaz de alcançar, juntamente com os três
filhos – Rui, de 39 anos, Cristina e Nuno, ambos de 38 anos (gémeos)
-, todos a trabalhar nos negócios do grupo. Atualmente, o filho mais
velho dirige a Pinto Lopes Viagens, a filha é diretora financeira e
o mais novo está à frente de uma empresa de transporte de
mercadorias do grupo. “Somos uma empresa familiar e todos os
funcionários o sabem e são tratados como família”, diz Rui Pinto
Lopes, cuja mulher também trabalha na empresa e cujos filhos,
pequeninos, “muitas vezes brincam e dormem a sesta num quarto
disponível, para eles e para filhos dos outros trabalhadores”. “As
mães em licença de parto podem, se quiserem, trazer os bebés para
a empresa, situação em que são colocadas em gabinetes individuais
para terem o berço ao lado.” E para quem pensa que só as grandes
multinacionais tratam os funcionários com todas as mordomias, na
Pinto Lopes há uma cozinheira que prepara o almoço para todos os 23
funcionários. “A forma como tratamos quem trabalha connosco não é
mais do que um indício de como tratamos os clientes”, revela o
gestor da agência, Rui Pinto Lopes.

A “culpa” é do pai, que fundou o modo de operação que
consiste em “mimar todos os clientes até ao limite”. É assim
que se conquistam novos clientes, mas também se fidelizam os de
sempre: “Muitos viajam na agência há 20 anos e não querem
mudar.”

O segredo? “Organizamos viagens de grupo, mas cada cliente tem
direito a atenção personalizada”, garante Rui Pinto Lopes, que
insiste em “acompanhar pessoalmente as viagens com os clientes mais
exigentes.

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