Alimentação

Veg and go. A versão vegetariana que faltava na sua ementa

Maria Aragão, presidente da Aliança Animal, no restaurante Francesinha al Forno, no Porto. Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens
Maria Aragão, presidente da Aliança Animal, no restaurante Francesinha al Forno, no Porto. Fotografia: Fábio Poço/Global Imagens

Maria Aragão lidera uma equipa que ajuda restaurantes a converter ou a acrescentar menus para os clientes vegetarianos

Já lá vão mais de 30 restaurantes, a maior parte no Porto, que se renderam aos conselhos da equipa liderada por Maria Aragão, para poderem incluir nas suas ementas versões vegetarianas de alguns pratos, e assim “atenderem mais clientes” e ganharem uma “vantagem competitiva” no mercado.

Maria Aragão, juntamente com Elisa Ferreira, advogada, fundou há dois anos uma associação, a Aliança Animal, através da qual ajudam restaurantes e cafés a adotarem menus vegetarianos.

Numa primeira abordagem ao estabelecimento, a associação verifica as características da casa e dos pratos que serve, isto é, se os menus são de cozinha tradicional, “fast food”, “gourmet” ou de fusão, por exemplo. A fase posterior consiste em elaborar uma proposta com ofertas vegetarianas dos pratos da ementa ou a criação de outros, que podem ser específicos para aquele espaço.

Até ao certificado
No terreno, tudo é passado a pente fino: a consultoria inclui a seleção das opções, entre entradas, pratos principais e sobremesas, bem como a verificação dos ingredientes e dos utensílios usados.

O estabelecimento pode “contratar” um nível mais avançado de apoio, que pode incluir a formação ao próprio pessoal ou a assistência durante um determinado período.

Quanto tudo estiver em conformidade, a associação entrega um certificado (informal) com um dos três níveis possíveis, faz publicidade do estabelecimento junto de potenciais clientes e a sua inclusão no mapa “Veg and go” cuja versão em papel ainda só existe para a cidade do Porto. Na internet, a versão é nacional e atualizada em permanência.

Os três níveis de garantia asseguram que um restaurante tem alguns pratos vegetarianos (Basic), ou que a maioria deles está livre de ingredientes animais (Premium) ou que a totalidade da ementa é à base de vegetais (Excellence).

Pelo processo de mudança, o restaurante “paga uma taxa, simbólica, de 20 a 60 euros, só para as despesas da deslocação e outros custos inerentes”, esclarece Maria Aragão.

Ativismo inovador
A empreendedora ganha a vida com outra profissão: é coordenadora de importação de equipamento industrial de engenharia e autora do livro “Omeletas sem Ovos”, cujo segundo volume está prestes a sair. Concilia essa atividade com a gestão do programa a nível nacional, com a ajuda de Ana Castro, coordenadora para a zona sul do país.

Disponibilizar um serviço individualizado para garantir opções 100% vegetarianas nos restaurantes foi uma das estratégias que a Aliança Animal encontrou para cumprir uma forma inovadora de ativismo, “sem estar a criticar o que está mal na sociedade e dar os passos necessários para defender os direitos dos animais”, explica Maria Aragão, presidente do organismo.

Com esse espírito, orienta a atividade da associação, sem fins lucrativos, para três áreas: o direito, a educação, através da qual percorre o país com ações formativas junto das escolas, e a alimentação.

É no último pilar que se enquadra a realização de “workshops”, “showcookings”, participações em feiras e o programa de consultoria a restaurantes.

“O mercado de produtos estritamente vegetarianos está a crescer exponencialmente e são cada vez mais as pessoas que procuram refeições sem ingredientes de origem animal, seja por motivos de saúde, de sustentabilidade, éticos ou outros”, argumenta Maria Aragão.

Essa constatação já a tinha levado a escrever o livro “Omeletas sem ovos” onde faz uma abordagem da culinária portuguesa tradicional na vertente vegetariana. Dentro de dois ou três meses, sairá o segundo volume, com o mesmo foco, mas com “o dobro das receitas” e com uma incursão “na análise do efeito social da alimentação, que vai muito além dos aspetos meramente nutritivos”.

Ana Castro, coordenadora da associação a sul, foi fundadora da Sabor Fazer, e é também formadora e consultora na área da “alimentação saudável e vegetariana”.

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