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Veniam. A caminho de uma rede wireless mundial em movimento

Maria João Souto, diretora-geral da Veniam, na sede da empresa, na UPTEC, o pólo da Universidade do Porto dedicado às startups.
Maria João Souto, diretora-geral da Veniam, na sede da empresa, na UPTEC, o pólo da Universidade do Porto dedicado às startups.

Pensada durante oito anos e fundada numa parceria entre três universidades portuguesas, a startup constrói e opera redes wireless em todo o mundo. Em Portugal, gere toda a rede dos transportes do Porto

Têm a ambição de mudar o mundo, estabelecendo uma rede que funcione em movimento. A portuguesa Veniam quer alterar a forma como os passageiros se relacionam com os transportes públicos e tornar cada autocarro, comboio ou táxi um hotspot para acesso à internet.

A ideia de negócio surgiu em ambiente académico: criada em 2012 pelos professores universitários João Barros (Universidade do Porto) e Susana Sargento (Faculdade de Engenharia de Aveiro), em parceria com o Instituto de Telecomunicações, a Veniam dedica-se ao desenvolvimento de tecnologia apostada em criar a “internet em movimento” (internet of moving things), que usa a conectividade entre veículos, objetos móveis e utilizadores finais para ampliar a cobertura de rede WiFi, a custos reduzidos.

Desde a sua implementação, em 2013, implanta redes veiculares nas cidades que transformam carros, autocarros ou camiões em hotspots (pontos de acesso) WiFi em movimento. O primeiro projeto, um serviço STCP free WiFi, colocou em funcionamento uma rede de 404 veículos de transportes públicos do Porto, todos conectados.

“É uma tecnologia disruptiva no sentido em que não temos uma rede fixa, mas antes uma rede assente em pontos móveis. Os veículos mexem-se e o que criamos torna tudo o que são ligações mais eficientes e com maiores níveis de cobertura com menor custo”, detalha Maria João Souto, diretora-geral da Veniam, confidenciando o sonho da empresa: construir uma verdadeira plataforma da internet em movimento. “Se em termos de produto, os nossos objetivos passam por construir uma plataforma da internet em movimento e disponibilizá-la ao mundo, no que respeita ao mercado, queremos chegar ao mundo inteiro, apesar de começarmos pela Europa, América e Ásia. Vamos, com toda a certeza ainda este ano ou no próximo, abranger outros mercados”.

Depois do sucesso do primeiro projeto da empresa, uma rede WiFi de veículos em operação no Porto, a empresa partiu para os Estados Unidos e tem atualmente sede em Montain View, na Califórnia (onde trabalha a equipa com experiência em gestão de produto, financeira, marketing e vendas). Na UPTEC, no Porto, continua a equipa vocacionada para o desenvolvimento da tecnologia. “Acho que não era uma preocupação mas Portugal desenvolve muita tecnologia reconhecida internacionalmente e, por isso, que é exemplo. O know-how está cá mas vai ser espalhado pelo mundo com toda a certeza. Construir a plataforma da internet em movimento é um sonho para todos”.

Com 27 trabalhadores – 19 dos quais em Portugal -, a Veniam quer contratar outros tantos até ao final deste ano. Os números, acredita Maria João Souto, “traduzem, de alguma forma, a nossa ambição e a nossa vontade de trabalhar e de promover estes produtos e serviços em todo o mundo”. A empresa trabalha atualmente em dois mercados prioritários: o primeiro, das cidades inteligentes, e o segundo, nos chamados espaços controlados, cujos exemplos são os portos, os aeroportos, as grandes empresas ou estaleiros, onde pode criar-se conectividade entre tudo o que está dentro de um espaço controlado. “Estamos muito focados em replicar este modelo nos Estados Unidos e em Singapura”, refere Maria João. Em dezembro do ano passado, a startup portuguesa Veniam angariou 3,9 milhões de euros (4,9 milhões de dólares) em capitais de risco norte-americanas para investir na expansão internacional nos EUA. Na altura, João Barros, fundador e CEO da empresa, contava ao Dinheiro Vivo as dificuldades no levantamento do financiamento de capitais de risco de topo, como a True Ventures e a Union Square Ventures. “Foi extraordinariamente difícil”, confessava, a propósito do período de sete meses entre o início dos trabalhos e a captação do investimento.

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