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Vinho da Água. Reserva de 30 mil garrafas sai do Alqueva em Abril

Vinho de Água da Ervideira a ser submerso no Alqueva. Fotografia: D.R.
Vinho de Água da Ervideira a ser submerso no Alqueva. Fotografia: D.R.

Produtor vitivinícola do Alentejo, registou um aumento de 20% nas vendas, face a 2014, dos vinhos topo de gama. Agora aposta no Vinho de Água.

Dia 16 de abril de 2016 a adega da Ervideira apresenta ao mundo a sua mais recente inovação: o Vinho da Água. A festa vai acontecer na Amieira Marinha, “quando se retirarem as 30 mil garrafas de dentro de água, no Alqueva, onde estiveram submersas meses. Nessa altura vamos explicar todo este processo inovador do Alentejo”, disse Duarte Leal da Costa, diretor executivo da Ervideira, adega sedeada em Évora.

O Vinho da Água, um lote de Conde D’Ervideira Reserva Tinto 2014, nasce de uma mistura produzida a partir da seleções melhores lotes das castas Touriga Nacional, Aragonez, Tinta Caiada, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, vinificadas casta-a-casta.

“Depois de verificadas as condições de todas as garrafas, serão colocadas no mercado nacional e internacional, e os preços deverão oscilar entre os 20 e os 28 euros a garrafa”, adiantou o diretor executivo.

Duarte Leal da Costa, retira uma caixa de Vinho de Água do Alqueva, para avaliação. Fotografia:D.R.

Duarte Leal da Costa, retira uma caixa de Vinho de Água do Alqueva, para avaliação. Fotografia:D.R.

A técnica de submergir garrafas é antiga, da época dos Descobrimentos, quando os barcos e naus em que eram transportados naufragavam e os vinhos ficavam submersos até serem encontrados. “Uma vez descobertos, estes vinhos apresentavam melhorias consideráveis ao nível da consistência, estrutura e potencial de envelhecimento”, disse Duarte Leal da Costa, acrescentando, “temos, na nossa região, o maior lago artificial da Europa que permite auxiliar grande parte da economia e agricultura local. É utilizado principalmente para irrigar as vinhas, mas, porque não auxiliar também no processo de vinificação?”. O segredo está na forma como o vinho amadurece: o processo de estágio será de 20 meses no total, com pelo menos 8 meses de barrica e 8 na garrafa, debaixo de água.

Em outubro as garrafas foram lacradas e transportadas até à Amieira Marina. Com a ajuda de um tractor foram colocadas dentro da albufeira do Alqueva e um barco encarregou-se de as deixar a uma profundidade de 30 metros, debaixo de água, com a ausência de luz e a temperatura registada no habitat, de 17 graus em qualquer altura do dia ou do ano. Assim, o vinho repousa de forma consistente e torna-se mais intenso, o que não se consegue no envelhecimento dentro da cave.

A adega da Ervideira viu na crise de 2008, “que será para durar, uma oportunidade para fazer diferente. A aposta tinha que ser na qualidade dos vinhos, na imagem, menos centrada na faturação pelo preço baixo”.

Aposta na diferença

Com isso, a Ervideira, registou a venda de 600 mil garrafas durante o ano de 2015, o que representa um aumento de 20% quando comparado com igual período de 2014 relativamente aos seus vinhos topo de gama. “Na totalidade conseguimos manter o volume de faturação, de 1,7 milhões de euros, mas o importante é que conseguimos esse valor mesmo com a redução de venda de cerca de 80 mil garrafas, de preços mais baixos e aumentamos 10% das vendas dos vinhos topo de gama”.

Uma das novidades da Ervideira é o vinho de colheita tardia, o Vinha d’Ervideira Vindima Tardia 2012 “resulta da colheita de 2011, que a fizemos tarde, e tem tido um crescimento muito grande. É um vinho leve e elegante, pouco enjoativo. Por exemplo um Vinho do Porto tem 180 gramas de açúcar, o nosso tem 100 gramas”.

Vinha da Ervideira. Fotografia: D.R.

Vinha da Ervideira. Fotografia: D.R.

Outra inovação é o Vinho Invisível, “é um vinho branco feito com uvas tintas”, o que em Portugal é uma novidade, e “que teve uma excelente aceitação por parte dos consumidores”.

Internacionalização

Os mercados mais importantes eram Angola e Brasil, “que agora estão com dificuldades. Estamos também no Canadá e os países Nórdicos, que compram vinhos mais baratos”.

Apostaram também em “Taiwan, Singapura, Macau, Hong-Kong, China, Filipinas, EUA, que começa a ser muito forte, além da Europa, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e Suíça, com outras escolhas, mais seletivas”.

Para este ano, o diretor geral prevê “continuar a crescer, também internacionalmente, e manter a aposta das nossas lojas de enoturismo, cujas vendas já representam 19% do total.

A adega da Ervideira é uma empresa familiar. A produção de vinho foi interrompida em 1954 e retomada em 1988, quando a a família recuperou as propriedades em Cuba e Évora. Nesse ano Duarte Leal da Costa, estudava engenharia química e trocou Lisboa pelo Alentejo para produzir vinhos.

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