novos negócios

Vintage Department. Uma asa de avião? Dava uma bela mesa

Uma gestora e um fotógrafo escolheram Portugal para fundar uma empresa que recupera móveis. Procuram-nos pelo mundo, dão-lhes nova vida em Sintra.

O metal que cobre a mesa, estrategicamente colocada em frente à janela da loja, reluz com o sol. Aquela asa de avião, transformada em mesa de trabalho, podia bem fazer parte do seu escritório, graças a Emily Tomé, 25 anos, e a Alma Mollemans, 41, co-fundadores da Vintage Department. Na loja vendem objetos preferidos: sim, leu bem. Nas viagens de negócios ou de lazer, o fotógrafo e a gestora perdiam-se por peças de mobiliário antigas. E foi por já não saberem onde guardar tantas peças que pensaram que a paixão podia virar negócio.

Em Lisboa encontraram o sítio ideal: no Entre Tanto, no Príncipe Real, inauguraram a loja onde recebem os clientes.

Em Dona Maria, freguesia de Almargem do Bispo, Sintra, montaram a oficina/ateliê que permite transformar as peças antigas de designers que vão comprando pelo mundo em mobiliário recuperado ou totalmente diferente do original.

“Sempre tive vontade de fazer o meu próprio mobiliário e esta loja marca exatamente os primeiros móveis que fizemos. Começámos a alterar algumas peças e íamos rodando as coisas que tínhamos em casa, mudando os móveis. Comecei a pensar numa maneira de tornar um hóbi que eu tinha numa coisa mais criativa”, explica Alma, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“Começámos a alterar algumas peças e íamos rodando as coisas que tínhamos em casa, mudando os móveis”, conta Alma.

O passo seguinte foi, mantendo o seu trabalho na empresa de digitalização de documentos históricos, começar a trabalhar no novo projeto. Há dois anos, os dois mudaram-se para Lisboa, onde Emily já tinha passado alguns anos da sua vida. “O conceito fundamental é juntar num espaço coisas de que gostamos. Queremos que as pessoas encontrem o inesperado: estamos sempre a mudar as coisas de sítio, temos coisas novas todas as semanas. Da próxima vez que virmos alguma coisa diferente, compramos outra série de peças. Tudo funciona por fases”, detalha Emily. Por isso, quando o irmão dela, a estudar para ser piloto, lhes falou numa espécie de cemitério de aviões em pleno deserto norte-americano, nem ela nem Alma pestanejaram.

Na loja do Príncipe Real há peças com preços entre os 35 e os 3500 euros. (Fotografia: Júlio Lobo Pimentel/GI)

Na loja do Príncipe Real há peças com preços entre os 35 e os 3500 euros. (Fotografia: Júlio Lobo Pimentel/GI)

“Havia aviões por todo o lado, como se fosse um armazém onde se colocam os aviões que já não podem voar”, conta. Encheram um contentor de peças e fizeram-nas voar para Sintra: o resultado foram a mesa que serve de entrada a esta reportagem – entre outras já vendidas – e algumas poltronas, velhas hélices brilhantes transformadas em cadeirões de pele e metal.

“Vamos buscar coisas um pouco por todo o lado: França, República Checa, Estados Unidos, de designers portugueses e estrangeiros. Todas as peças são recuperadas de uma maneira ou de outra, mesmo que seja só fazer um tratamento à pele, de maneira a garantir que o preço das peças pode ir dos 35 aos 3500 euros e de que todos os clientes podem encontrar aqui uma peça de que gostem ou que queiram comprar”, esclarece Emily, acrescentando que o negócio criado vem preencher um espaço no mercado.

“As pessoas estão fartas de ter o que toda a gente tem. Quisemos criar uma maneira de as pessoas poderem ter algo diferente mas sem ser absolutamente impossível de comprar”.

Para isso, os dois sócios investem, em média, 20 mil euros em mobiliário e outros objetos, investimento que, para já, não é coberto pela faturação de cerca de 18 mil euros/mês. E preparam-se para fazer crescer a empresa, com um novo negócio associado: móveis desenhados e feitos à medida. “Queremos levar isto ao próximo nível. Temos um carpinteiro a trabalhar para nós a tempo inteiro e que vai brevemente começar a fazer peças por encomenda, que nós podemos desenhar e produzir ou que podem ser desenhadas pelos clientes e feitas por nós”, explica Alma.

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