Worten compra parte de negócio de serviços à Portugal Ventures

Sociedade de capital de risco pública investiu 8,6 milhões de euros em 47 novas startups desde o início do ano, superando número dos 12 meses de 2020. Ao mesmo tempo, vendeu as posições na Zaask e no Mercadão.

A Worten andou às compras no ecossistema tecnológico português. A empresa do grupo Sonae de venda de eletrónica de consumo e de entretenimento adquiriu a plataforma digital de contratação de serviços Zaask. A operação ficou fechada em maio de 2021 mas apenas foi comunicada esta quarta-feira.

O negócio foi tornado público pela sociedade de capital de risco pública Portugal Ventures, que detinha uma parte do capital da Zaask desde 2013. A empresa foi fundada no ano anterior por Luís Pedro Martins como uma plataforma que "punha em contacto pessoas que precisam de ver tarefas feitas e pessoas que têm tempo para fazer essas tarefas, os biscates"

Nos últimos anos, a empresa tinha conquistado novos acionistas - como a SIC Ventures e a SDC Investimentos - e tinha mudado o modelo de negócio. Em vez de cobrar à comissão, tinha passado para um formato em que os profissionais pagavam para ter acesso a esse serviço.

"Tivemos de mudar isso porque as pessoas tinham de se encontrar, falar e depois não vinham ao site da Zaask para pagar", explicou ao Dinheiro Vivo o líder da plataforma, Luís Pedro Martins, em outubro de 2018.

A aquisição é vista pelo líder da Worten, Miguel Mota Freitas, como "mais um passo para reforçar a liderança da Worten em Portugal, nomeadamente no que toca à área de serviços. O modelo de negócio da Zaask é um modelo que a Worten tem vindo a acompanhar e no qual pretende apostar no futuro", assim refere o responsável em comunicado de imprensa.

O Dinheiro Vivo tentou obter mais negócios sobre o negócio. Fonte oficial da Worten recusou-se a prestar mais informações, remetendo para as declarações de Miguel Mota Freitas.

Nas últimas semanas, a Worten alargou o serviço de reparações (Worten Resolve) às assistências técnicas em casa. Os consumidores podem escolher entre quatro planos de subscrição para mão-de-obra, deslocações, descontos em peças, garantias nas reparações, serviços de manutenção e serviços urgentes de canalização, eletricidade e de reparação de vidros.

A Portugal Ventures também vendeu a participação na plataforma de entregas personalizadas Mercadão. Investida em novembro de 2019 pela sociedade de capital de risco, a plataforma portuguesa foi comprada pela tecnológica espanhola de entregas Glovo, segundo anúncio feito na semana passada.

No ecossistema tecnológico, as vendas de participações são designadas como desinvestimentos ou exits. "Estes eventos são o melhor reconhecimento da qualidade e potencial do novo ecossistema empresarial português e dos seus participantes, com destaque aos seus fundadores", assinala o diretor da Unidade de Investimento de Digital da Portugal Ventures, João Pereira.

Novos investimentos acima de 2020

Ao mesmo tempo que saiu do capital de empresas, a Portugal Ventures tornou-se acionista de um total de 47 novas startups nos primeiros oito meses deste ano. O investimento de 8,6 milhões de euros em novos membros no portefólio supera os 6,6 milhões de euros utilizados para as novas entradas em todo o ano de 2020.

Só nas últimas semanas, a Portugal Ventures entrou no capital de quatro empresas: na plataforma de ligação de criadores a empresas Taikai; na startup de soluções de automatização de compra no retalho Reckon.ai; na empresa de digitalização de processos de indústrias com líquidos Watgrid; e no projeto que alia turismo e bem-estar Sleep & Nature.

"Os novos investimentos estão perfeitamente alinhados com a estratégia da Portugal Ventures, ao apostar em soluções resultantes de investigação & desenvolvimento, tecnológicas e escaláveis, desenvolvidas por equipas coesas e altamente motivadas. Estes novos investimentos são resultado de uma forte ligação com a nossa rede de parceiros de capital, que permite uma maior dinamização da atividade de co-investimento em Portugal", destaca o vice-presidente da Portugal Ventures, Rui Ferreira.

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