Xarlie. Cerveja artesanal de verão para vender todo o ano

Ao fim de três décadas na construção, empresário José Luís Faustino criou uma marca de bebidas a partir de Leiria, graças a um investimento de cerca de sete milhões de euros desde 2016.

Ao longe, parece mais um armazém ou um stand de automóveis como tantos que existem no IC2 perto do lugar de Barracão, em Leiria. A Xarlie é tudo menos isso: é a primeira fábrica de cervejas artesanal daquela região e que já vende um pouco para todo o país e online. Dentro do complexo, com mais de 4000 metros quadrados, também há um espaço para eventos, que foi transformado em cervejaria por causa da pandemia.

José Luís Faustino é o criador deste conceito cujo nome homenageia um trabalhador e amigo que morreu. Há três décadas no setor da construção civil e metálica, o empresário de Leiria investiu sete milhões de euros desde 2016 em equipamentos e funcionários. Entretanto, José Luís criou uma marca de vinhos, apostou num azeite, vai lançar aperitivos e começar a fabricar uma cidra.

Com produção anual de mais de 350 mil litros, a Xarlie tem uma equipa permanente de sete pessoas. “O meu pai sempre teve a ideia de criar um negócio deste género”, lembra Fábio Faustino, o responsável de operações.

Ao provar, praticamente não se sente o álcool e parece que nos mudámos para a América Latina. “O meu pai só gosta de cervejas leves e muito frescas, como no Brasil. A Xarlie é uma cerveja de verão mas vendida todo o ano.” Demora pelo menos três semanas até esta cerveja ficar no ponto para beber, por conta das fases da moagem (com malte ibérica), levedura, enchimento, pasteurização e rotulagem.

Fisicamente, é possível encontrar esta cerveja em Leiria, Ponte de Sôr e também em Lisboa (El Corte Inglés). Na Internet, é possível encomendar através da própria página da cervejeira ou então junto de plataformas como a Dott.

O público-alvo varia entre os 30 e os 50 anos e a principal concorrência está nas outras cervejas artesanais.

A unidade de produção ocupa uma parte do armazém no Barracão. Também há um espaço para eventos, que era ocupado semanalmente pelas empresas da região de Leiria. Só que a pandemia obrigou a dona da Xarlie, a Beam Park, a transformar este local numa cervejaria, que abre a meio da tarde e que serve sobretudo para jantares.

Além de servir como mais uma montra para vender a cerveja artesanal, esta aposta garantiu que nenhum dos trabalhadores da empresa entraria em lay-off. Por conta das normas sanitárias, está previsto que o espaço para eventos fique aberto pelo menos até ao final deste ano.

A dona da Xarlie, entretanto, também começou a lançar outros produtos: o azeite virgem Xacara e os vinhos Zé do Álvaro, em homenagem ao avô de José Luís Faustino, natural de Vidigal, também em Leiria.

A cervejeira do Lis pretende “crescer progressivamente” ao longo dos próximos anos e ainda não definiu quando é que vai focar-se, sobretudo na fase dos lucros. Mais investimento será necessário para garantir que esta cerveja é encontrada em mais locais em todo o país.

Nos próximos dois anos, o plano é “mais do que duplicar a produção”, para os 700 mil litros por ano e também apostar na exportação. Há interessados em França e em Inglaterra.

A Xarlie pretende ainda lançar uma linha de aperitivos e alargar a gama de cervejas. Até ao final do ano, haverá uma cidra fabricada no Barracão.

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