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Yoochai. Basta um clique para arrendar a sua primeira loja

Pedro Lucena, Christina Lock e Rita Palma decidiram testar o negócio da Yoochai em Lisboa. Fotografia: Rodrigo Cardoso
Pedro Lucena, Christina Lock e Rita Palma decidiram testar o negócio da Yoochai em Lisboa. Fotografia: Rodrigo Cardoso

Criada para mediar a relação entre proprietários e arrendatários, a plataforma portuguesa quer triplicar a oferta de espaços.

Foi a comparar cidades que Christina viu que na diferença estava a oportunidade. Christina Lock, 29 anos, mudou-se para Portugal há oito, quase por acaso. O banco onde trabalhava queria apostar na expansão internacional e, como “adora” desafios, mudou-se para Lisboa.

Quis a observação que a gestora reparasse que, em plena crise económica, todos os dias havia uma enorme quantidade de edifícios devolutos e prédios – com lojas – fechados. E quis a perspicácia que Christina visse que ali, naquelas lojas fechadas, havia uma oportunidade de negócio. O passo seguinte veio da comparação: como é que Portugal era tão diferente de mercados como o de Londres – onde tinha nascido e estudado – e o de Hong Kong – onde vivera entre os 10 e os 20 anos?

Christina Lock nasceu em Londres, onde viveu durante 10 anos.

Christina Lock nasceu em Londres, onde viveu durante 10 anos.

“Ao mesmo tempo, tinha amigas em Londres ou Paris, que começaram a ouvir falar de Lisboa e que queriam vir cá para trabalhar. Viam o que eu via e perguntavam: ‘Esta loja ao pé de tua casa tem alguma coisa?’ E começou por aí. Uma coisa muito orgânica, de querer ajudar as minhas amigas, ajudar o tecido empresarial português e tentar descobrir a melhor forma e a mais vantajosa, tanto para o lado das marcas e dos negócios como para os proprietários. Se calhar fazia sentido rentabilizar uma loja vazia, nem que fosse por um mês ou até algumas semanas”, conta Christina, em conversa com o Dinheiro Vivo.

Dados lançados, a ideia foi simplificada: ligar espaços a clientes, facilitando o processo de arrendamento, tanto para o dono do espaço como para o potencial arrendatário. “Em Lisboa via espaços devolutos, vazios, lojas fechadas. E, ao mesmo tempo, a criatividade dos portugueses para encarar a crise: muitas pessoas, desde advogados a médicos, a criar os seus negócios. Tanta criatividade por demonstrar ao mundo. Peguei nas lojas vazias e pensei: funcionava colocar a estas marcas e novos negócios a oportunidade de as poderem usar? Ao mesmo tempo, o mercado de Real Estate continua a funcionar de maneira muito antiga. Ir a uma imobiliária, falar com alguém, a inexistência de contratos curtos. Para estas marcas é quase impossível assegurar uma renda de um ano”.

Constituir a equipa certa foi a preocupação seguinte. “Sou da área de Finanças: para trabalhar o modelo de negócio fui estudar, para Nova Iorque e para Londres, alguns casos semelhantes, porque este é um movimento não é novo, começou com os artistas em Los Angeles, há cerca de 10 anos. A ideia inicial era aproveitar os espaços abandonados, um fenómeno de potenciação dos creative hubs mundiais e uma forma de aproveitar os imóveis vazios”, conta. Depois de perceber como funcionavam os diferentes modelos, Christina olhou para dentro. “Quis perceber quais as qualidades que tenho para saber de que tipo de pessoas precisava para os fundadores. A equipa surgiu muito organicamente. Não sou muito forte em marketing e este projeto precisava de uma voz para ligar as marcas”. Sugeriu a um amigo que já trabalhava na área de social media e ele começou a ajudar no projeto. “Foi ficando ao meu lado e é cofundador”, conta. Para desenvolver a plataforma, juntou-se à equipa um programador. E, de seguida, Rita Palma, da área de vendas. “A ideia é que a Rita consiga identificar os problemas das pessoas, que tipo de orçamento procuram e que preste um serviço de concierge a todos os que procuram a Yoochai”, conta.

yoochai sss

Yoochai tem cerca de 80 espaços disponíveis para arrendar.

Com 10 mil euros de investimento inicial em capitais próprios, os fundadores puseram mãos à obra. Mas, ao contrário de uma tecnológica tradicional, decidiram fazer o caminho inverso. “Quando decidi ‘é isto’ começámos a correr. A única diferença é que as startups tecnológicas implementam a tecnologia primeiro e só depois começam a ver clientes e a testar o mercado. Nós fizemos o contrário: passámos 12 meses offline”. Não parados, entenda-se. É que, em vez de investirem no desenvolvimento da plataforma, começaram a dedicar-se ao core do negócio, isto é, a ligar as marcas aos espaços mas sem qualquer ajuda tecnológica. “Para testar, afinar as partes de negócio de maneira a que, a partir do momento em que os clientes fossem à plataforma, todo o processo estivesse implementado e pronto, tudo testado. Testámos 52 pop-ups num ano, com o feedback de todos, de modo a poder desenvolver”, esclarece Christina. O passo seguinte foi desenvolver e lançar a plataforma na primeira versão, 1.0, ao mesmo tempo que desenvolviam o modelo de negócio.

“A nossa área não é mediação imobiliária. Disponibilizamos a plataforma e entramos em contacto com os proprietários. O serviço é completamente gratuito para os donos dos imóveis: vamos aos espaços, tiramos fotografias e fazemos a descrição que colocamos no nosso site. Quando temos um pedido, sempre que o espaço é arrendado a Yoochai fica com 10% do valor total do aluguer”, diz. A divulgação é feita de forma gratuita, a plataforma funciona para responder às necessidades de aluguer, por mês, por semana, “o que não acontece na maioria dos casos”. O montante é pago de imediato, mas só quando as condições são cumpridas é que o proprietário recebe o pagamento. O arrendamento funciona como em qualquer reserva e, por isso, o setup é feito durante o tempo do aluguer, fazendo com que os clientes devam contemplar os tempos de montagem e desmontagem do espaço dentro do período estipulado para o arrendamento.

O arrendamento de espaços pode ir de 100 euros ao mês, para um ateliê pequeno no Cais do Sodré, até 300/400 euros por dia para arrendamentos de espaços maiores para eventos, jantares, entre outros.

Com uma oferta de cerca de 80 espaços na plataforma – sobretudo localizados na zona de Lisboa -, a Yoochai quer triplicar a oferta até ao final do ano e testar o produto para depois investir na escalabilidade do negócio. O arrendamento de espaços pode ir de 100 euros ao mês, para um ateliê pequeno no Cais do Sodré, até 300/400 euros por dia para arrendamentos de espaços maiores para eventos, jantares, entre outros. Nos planos imediatos da empresa está, numa primeira fase, a aposta no mercado europeu. “Sou de fora mas este é um projeto que foi fundado em Portugal, para ajudar Portugal e para devolver aquilo que o país me tem dado ao longo dos anos. É um ótimo mercado de teste por várias razões: o tecido empresarial português começa a ter muito apoio, ao mesmo tempo que é um mercado pequeno geograficamente o que, para uma startup que quer crescer, facilita chegar às pessoas”, diz.

Incubada na Startup Lisboa – a equipa foi aceite em março e arrancou este mês com a incubação -, a Yoochai quer que, em breve, todo o processo de arrendamento seja feito online: desde a escolha do local, contacto com o dono do imóvel e, inclusivamente, o pagamento. “As marcas e os negócios podem beneficiar muito do processo. Queremos começar na Europa mas não vamos parar aí. Qualquer espaço pode inscrever-se na nossa plataforma. desde que esteja em condições legais para arrendamento temporário”.

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