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Zaask. Da plataforma dos biscates à “Amazon dos serviços”

Luís Pedro Martins é um dos dois fundadores da Zaask.
(Diana Quintela / Global Imagens)
Luís Pedro Martins é um dos dois fundadores da Zaask. (Diana Quintela / Global Imagens)

Plataforma portuguesa teve de mudar modelo de negócio para tornar-se mais sustentável e conseguir novos investidores.

A Zaask nasceu em 2012 como uma plataforma que “punha em contacto pessoas que precisam de ver tarefas feitas e pessoas que têm tempo para fazer essas tarefas, os biscates”. Com os efeitos da troika a sentirem-se cada vez mais em Portugal, Luís Pedro Martins, o líder da plataforma, queria “apoiar os desempregados” e dar-lhes uma nova oportunidade de trabalho.

Seis anos depois foi a própria Zaask que precisou de uma nova oportunidade para fazer valer o seu negócio e conseguir conquistar novos investidores, como a SIC Ventures e a SDC Investimentos. Esta e outras mudanças foram descritas em entrevista ao Dinheiro Vivo por um dos fundadores da Zaask, que conta com escritórios em Lisboa e no Porto.

“Aprendemos que os desempregados não querem ter um negócio próprio. Procuram um emprego”, assume Luís Pedro Martins. Entre 2013 e 2014, “começámos a perceber que eram os profissionais que mais procuravam esta plataforma e que eles precisavam de ter um novo canal para angariar clientes”. Estes especialistas, no entanto, “não dominavam as novas tecnologias”.

A startup portuguesa avaliou o mercado e percebeu que tinha de mudar o modelo de negócio: em vez de cobrar à comissão, passou para um formato em que os profissionais pagam para ter acesso a esse serviço. “Tivemos de mudar isso porque as pessoas tinham de se encontrar, falar e depois não vinham ao site da Zaask para pagar.”

Acompanhada do novo modelo de negócio, também surgiu uma nova estratégia para o marketing a partir de 2015 e de 2016. As alterações ainda estão a ser consolidadas, mas os primeiros resultados estão à vista: só este ano já se registaram mais de 200 mil clientes – o maior número de sempre – e pelo menos três em cada dez pedidos são feitos por empresas.

Luís Pedro Martins recorda que no início da Zaask “houve uma grande exaltação no mercado” e que o “timing de arranque foi o correto”. Só que “depois tivemos de tornar o negócio sustentável. Aprendemos muito e passámos muito tempo a partir pedra”.

A aprendizagem da Zaask foi praticamente solitária, sobretudo em 2012. “Quando começámos, não tínhamos muita gente com quem falar em Portugal sobre como criar um marketplace e dar algumas dicas. Não tínhamos quaisquer referências.”

Escritório do Porto
Considerada uma das primeiras empresas incubada na Startup Lisboa, a Zaask conta desde há alguns anos com um escritório próprio na capital – com 18 pessoas – e, mais recentemente, instalou no Porto uma equipa de três pessoas. “Abrimos um escritório no Porto porque há muito mais competência a nível do desenvolvimento web e nós precisamos de tecnologias muito específicas e que raramente são usadas em Portugal”.

A servir os mercados de Portugal e Espanha, a equipa da plataforma portuguesa conta com vários estrangeiros por uma questão de custos. “Tivemos necessidade de abrir o leque de recrutamento para fora do país e de encontrar programadores que conhecem as nossas tecnologias e cujo custo de desenvolvimento não seja estupidamente alto, como começa a acontecer em Portugal.” É por causa disso que toda a tecnologia da Zaask é toda desenvolvida internamente.

Os novos investidores
Tendo arrecadado 2,1 milhões de euros até 2015, a empresa portuguesa assistiu nos últimos 12 meses à entrada de dois novos investidores: a SDC Investimentos e a SIC Ventures.

A SIC Ventures foi a aposta mais recente, ao investir 5% na Zaask por um valor não determinado; a SDC Investimentos colocou 500 mil euros na plataforma portuguesa em troca de 10% do capital, avaliando a startup em cinco milhões.

O cofundador da empresa, sem adiantar valores, diz que o fundo de investimento da SIC “fez um avaliação superior da Zaask” em comparação com a SDC Investimentos. Luís Pedro Martins tem “expectativas altíssimas” para a parceria com o canal de televisão. “Vamos entrar um novo patamar e ganhar muito mais visibilidade.”

A Zaask está ainda a estudar a entrada em novos países e quer ganhar escala rapidamente para continuar a crescer. “Este é um mercado gigante mas super difícil à escala mundial. Todas as pessoas precisam de serviços diariamente. Mas muito poucas plataformas têm sobrevivido, com qualquer modelo de negócio, e encontrar formas de ir ao encontro de ir às necessidades dos utilizadores de forma sustentável.

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