empreendedorismo social

Zoë Saldaña. Usar fama de Hollywood para contar histórias de latinos

Zoë Saldaña foi jurada na final mundial do concurso Chivas Venture, que decorreu em Amesterdão, na Holanda. (Chivas)
Zoë Saldaña foi jurada na final mundial do concurso Chivas Venture, que decorreu em Amesterdão, na Holanda. (Chivas)

Gamora de Guardiões da Galáxia e Neytiri de Avatar fundou plataforma de inovação social BESE em 2018 nos Estados Unidos.

Zoë Saldaña é um dos protagonistas da BESE, plataforma que mostra o lado positivo dos latinos. A atriz de origens dominicanas e porto-riquenhas adiantou ao Dinheiro Vivo como aproveita a influência de Hollywood para contar as histórias desconhecidas de uma faixa da população norte-americana que é alvo de vários rótulos.

Como diretora editorial da BESE, Zoë Saldaña esteve na semana passada em Amesterdão como uma das juradas no concurso mundial de inovação social Chivas Venture – onde o projeto português Speak conquistou o terceiro lugar.

A BESE foi fundada no ano passado em parceria com Daniel Batista e é considerado um negócio de inovação social – só nos Estados Unidos, perto de 60 milhões de habitantes são latinos. Mas nem o facto de ser a única atriz presente nos dois filmes mais rentáveis de sempre a afasta das dificuldades habitualmente associadas a estes negócios.

Como é que ser uma atriz influencia o trabalho na BESE?

Dá-me um público e uma notoriedade que consigo utilizar para amplificar a mensagem que a Bese realmente apoia.

Esta mensagem é ainda mais importante numa altura em que os EUA são liderados por alguém como Donald Trump?

Sim. Mas independentemente das pessoas que quiserem regredir [os nossos valores] é um desejo muito global representar-nos a nós próprios e naquilo em que verdadeiramente acreditamos. As gerações mais novas falam muito sobre identidade. E é isso que nos faz avançar, em tantos níveis. Mesmo que tenhamos um presidente dos EUA como aquele – não quero dizer o nome dele – ou qualquer outro, isso não vai deter os millennials e a ‘geração Z’ de realmente guiarem estas conversas sobre representação.

Quantas pessoas são influenciadas pela BESE?

É um impacto muito positivo e recompensador. Dá-me a confiança necessária para esforçar-me e melhorar mês após mês. É desafiante ter uma startup que, ao mesmo tempo, não quer ser super rentável mas ter um propósito na sociedade. Nem todas as sociedades de capital de risco entendem a importância destes negócios. Mas como há cada vez mais negócios de inovação social, é tentador para as grandes empresas entender a importância destes projetos, como a BESE.

Quais são os maiores desafios de liderar uma startup?

O financiamento, sem dúvida. O meu projeto tem um ano e tenho sentido que as rondas de investimento, seja seed ou série A, são a etapa mais difícil para uma startup. Escalar um negócio e torná-lo rentável pode levar até dois ou três anos, na maior parte das empresas. E nós não somos uma exceção. A missão do negócio é que deve puxar por nós todos os dias, mesmo que seja sempre um grande desafio.

Que conselhos dá às pessoas que querem começar um negócio de empreendedorismo social?

Podem diluir-se muitas coisas numa startup mas nunca o nosso propósito. Se estamos a construir um negócio baseado num mantra para proporcionar uma mudança de forma muito positiva para as pessoas, a comunidade e o meio ambiente, isso é algo que nunca deve ser diluído.

Como é que os finalistas do Chivas Venture podem maximizar o seu impacto na sociedade?

Não diluírem a mensagem, e aprenderem sempre com cada fase para não repetir os erros, porque não se podem dar ao luxo de acontecer isso numa startup.

Que lições já aprendeu ao liderar a BESE?

[pausa] É verdadeiramente importante que ao desenvolver uma empresa e com uma equipa tão pequena eles sejam uma espécie de unicórnios porque há tantas coisas para fazer no inicio. É preciso ser-se excecional e, acima de tudo, não pôr em causa a missão. Contratem as melhores pessoas, mesmo que sejam caras, mas nunca cortem os salários. Garantam que essas pessoas sejam mesmo boas porque cada euro tem de ser muito bem gasto e todos os dias contam.

*O jornalista viajou a convite da Chivas Portugal.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Assembleia da República. Fotografia: António Cotrim/Lusa

Gestores elegem medidas para o novo governo

Entrevista DV/TSF com secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho.
Fotografia: PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Ana M. Godinho: “É preciso um compromisso de valorização e subida de salários”

TVI

Cofina avança com OPA sobre 100% da Media Capital por 255 milhões

Outros conteúdos GMG
Zoë Saldaña. Usar fama de Hollywood para contar histórias de latinos