Como evitar que a inflação devore as suas poupanças

Uma dica para reduzir o risco é diversificar os investimentos, ou seja, invista em produtos diferentes, de diferentes setores, com prazos e riscos diferentes.

O cenário de inflação no qual o país se encontra atualmente - 9,3% em agosto de 2022, dados do BP Stat -, leva a que os portugueses não tenham muitas opções não tenham muitas hipóteses senão recorrer às suas poupanças. Em causa está a diminuição do poder de compra.

Esta pode ser a fase ideal para colocar o seu dinheiro a render, ou seja, investir o seu dinheiro num produto que supere a inflação. Porém, no que toca a investimentos, nem sempre é fácil obter retorno sem assumir algum risco.

Guardar o dinheiro debaixo do colchão está fora de questão. Além disso, os depósitos a prazo - produto ao qual grande parte dos portugueses recorre no que toca a poupanças - têm atualmente uma rentabilidade média de 1%.

Compreenda o risco

Por norma, para obter maiores rendimentos, terá de assumir maiores riscos. Porém, existem vários tipos de ativos com igual retorno potencial, mas com níveis de risco diferentes. Por isso, não assuma que o facto de um determinado título ter tido uma rentabilidade interessante no passado constitui uma boa garantia de igual comportamento no futuro.

Uma dica para reduzir o risco é diversificar os investimentos, ou seja, invista em produtos diferentes, de diferentes setores, com prazos e riscos diferentes. É que a sua carteira de investimento poderá manter maior equilíbrio se for diversificada. Assim, no caso de existirem existam menos-valias em algum dos investimentos realizados, estas poderão ser diluídas num saldo positivo.

Ao distribuir o seu património por vários tipos de ativos não relacionados entre si, está a promover a estabilidade e a potenciar a rendibilidade dos seus investimentos.

Os principais riscos associados ao investimento em instrumentos financeiros são:

- Risco de mercado - possibilidade de a evolução da cotação do produto no mercado afetar o montante a receber pelo investidor;

- Risco de crédito - possibilidade de o emitente do produto deixar de pagar o rendimento ou o capital inicial do produto;

- Risco cambial - possibilidade de a moeda em que o produto foi emitido desvalorizar face à moeda do país do investidor;

- Risco de liquidez - impossibilidade de resgatar o produto a qualquer momento e reaver o respetivo montante ou de proceder à sua venda a um preço justo;

- Risco fiscal - possibilidade de agravamento do regime de tributação dos rendimentos ou das mais-valias;

- Risco político - possibilidade de desvalorização decorrente das circunstâncias políticas do Estado de origem do emitente;

- Risco de conflito de interesses - possibilidade de os seus interesses serem subordinados aos interesses do emitente e/ou aos interesses do intermediário que lhe oferece o produto.

Existem vários produtos com rentabilidade esperada e risco diferenciados, como depósitos bancários, certificados de aforro, várias classes de fundos de investimento mobiliário e também valores mobiliários.

E ainda há alternativas, como os fundos de investimento e os ETFs, que permitem a diversificação sem ter de adquirir os diversos ativos individuais e com menores custos de transação.

Portugueses correm aos fundos PPR

De acordo com um estudo que a Deco Proteste realizou, relativo a junho, houve uma tendência de crescimento de fundos PPR e, pelo contrário, uma contração dos seguros PPR no seio desse mercado. "Atualmente, os seguros PPR representam cerca de 79% do mercado dos PPR, quando antes eram cerca de 86%", adiantou António Ribeiro, especialista em assuntos financeiros da Deco Proteste, ao Dinheiro Vivo.

O cenário de inflação historicamente alta torna mais difícil garantir rendibilidades reais positivas. Assim, o especialista da Deco considera que o investimento em fundos continua a ser a única forma de conseguir contornar esse problema a médio e longo prazo, já que, defende, os produtos de capital garantido nunca vão conseguir superar os atuais níveis de inflação, com taxas acima de 9%.

Cuidados a ter antes de investir

A Associação Portuguesa de Bancos (APB) deixa uma série de cuidados que deve ter em conta antes de começar a investir.

- A melhor maneira de começar a investir é com o apoio de um especialista, para o orientar nos seus investimentos. Um intermediário financeiro será a ponte entre si e os mercados. É através dele - seja uma corretora ou um banco - que fará os seus investimentos, em troca, naturalmente, de um preço pelo serviço;

- Não tome decisões de investimento precipitadas, nem sob pressão. Já que depois de decidir, pode ser difícil ou impossível voltar atrás;

- Todas as decisões sobre o seu património financeiro devem ser compreendidas e bem percecionadas;

- Mesmo com apoio especializado, não deixe de acompanhar regularmente os seus investimentos. O investimento deverá ser constantemente avaliado;

- Informe-se junto do seu banco sobre como adequar os investimentos aos seus objetivos específicos e ao seu perfil de risco;

- Tenha em conta, nomeadamente, se pretende um produto de capital garantido, qual o prazo do investimento, a rentabilidade esperada, se valoriza ou não a mobilização antecipada e se pretende uma maior ou menor dispersão em vários tipos de produtos;

- Se desejar maior rentabilidade, por norma o investimento deve ser direcionado para o médio/longo prazo. Normalmente as maiores rentabilidades estão associadas a prazos mais longos e a menor liquidez;

- Defina qual o montante que pretende investir, durante quanto tempo, em que ativos e qual o montante máximo do investimento que está disposto a perder para obter um possível nível de rentabilidade;

- Não utilize capital que não pode perder;

- Simule quais os custos envolvidos, quer nas transações, quer na manutenção de uma carteira de instrumentos financeiros;

- Não negligencie os cenários mais desfavoráveis. Estes podem acontecer;

- Evite pedir dinheiro emprestado para investir, já que este comportamento aumenta consideravelmente o risco do investimento.

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